Are you ready?

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A revolução industrial deu-se a partir do momento em que o homem descobriu que poderia tirar proveito das máquinas a vapor para fazer coisas que achava impossíveis. Mais tarde surge a eletricidade, os computadores, e as tecnologias da comunicação, que marcam dois grandes momentos na história.

Nos tempos que correm uma das maiores preocupações do ser humano é a quarta revolução industrial. Em contraste com a primeira revolução dada no século XVII, esta revolução dos tempos modernos gira em volta da inteligência artificial, mudando a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Esta evolução tecnológica vai mudar radicalmente a forma como conhecemos a estética, levando-nos a perguntar se um dia poderemos ser “super-humanos”. A própria ideia de “humano” como um ser natural muda, os nossos corpos tornam-se tão computacionais que não conseguimos fazer uma distinção precisa entre o natural e o artificial.

Existem 3 grandes processos históricos, revoluções industriais. A primeira deu-se entre 1760 e 1830 e foi focada na mecanização, a segunda surgiu no ano de 1850 com a eletricidade e por último a terceira aconteceu a meados do século XX devido à informática. Esta (não tão) hipotética quarta revolução irá basear-se numa automatização total apoiada pelos sistemas cyberfísicos que combinam diversos sistemas digitais para criarem uma linguagem.

Há mais de três séculos que a sociedade busca uma evolução do conhecimento, adaptando-se a todas as mudanças, mas será que a mudança que está para vir irá ser proveitosa para a nossa espécie? Será que estamos a criar uma indústria que irá diminuir a qualidade das nossas vidas? Com esta evolução o futuro irá ser disputado entre humanos e robôs, tendo guerras de emprego. As horas de trabalho irão diminuir e a nova aposta no mundo do negócio será velocidade, o proveito económico da empresa, deixando de lado a preocupação social.

O início desta nova era industrial já se deu, e atrevo-me a dizer que a este ponto já não há volta a dar, o conhecimento já é tanto que a ganância e a sede por mais consome a indústria.

A pergunta é: Are you ready?

Júnia Guimarães

“Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”

A remediação manifesta-se em toda a história dos media. Existem, no mínimo, quatro conceitos que me permitem pensar na forma excecional como estes se transformam.

Começo pela definição introdutória: a de mediação. Consistindo na forma como as informações chegam até nós – como o próprio nome indica – este é um mediador entre o digital e o real. A partir do conceito de Marshall McLuhan, que considera que “o meio é a mensagem”, os autores Bolter e Grusin, produzem o conceito de remediação que é caracterizado pelo facto de os media se transformarem e coexistirem com os media anteriores, analisando as relações entre os diferentes media, em que um depende e reconfigura-se de outro. Neste processo, dá-se então uma evolução que se traduz na aprimoração do meio anterior.

Os meios de comunicação sofreram evolução, desde o momento em que foram criados, até aos dias de hoje. A rádio, por exemplo, que servia para a transmissão de notícias, passou à música, e mais recentemente a podcasts ou publicidade. A própria comunicação humana emergiu com o avanço tecnológico, desde as gravuras e pinturas rupestres aos atuais e-mails. As mensagens de texto passam a SMS, e aos “emojis” – respostas rápidas e evidentes das emoções. Tudo isto constituiu aquilo a que Lavoisier afirmava: “nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

A comunicação como exemplo de remediação

Na remediação podemos pensar em duas lógicas bem distintas: a da transparência, em que existe uma ocultação do meio, tornando-o invisível, como por exemplo os filmes em 3D, com efeitos especiais e sonoros, que proporcionam aos espectadores a sensação de inclusão no meio virtual. Quanto ao segundo, assenta na opacidade, estranhamento e revelação do meio, onde este se tenta tornar visível. Os telejornais, por exemplo, ressaltam o meio proveniente de certa informação.

Assim, se a comunicação evolui, então tudo evolui. Todo o digital adquire uma nova forma mais prática e respeitadora das feições antigas, no entanto o novo prevalece.

Imediação/Hipermediação

Ana Rita Coelho

A INTERNET PROMOVE UM MUNDO INTERLIGADO?

Foto: amust

Marshall McLuhan, ao analisar e tentar explicar os fenómenos dos meios de comunicação e seu papel na sociedade, evidenciou que o meio, normalmente pensado como um canal de transmissão da mensagem em que a única interferência era vista como ruído, é na verdade um elemento fundamental e decisivo na comunicação. Segundo o autor, o meio em que a mensagem é transmitida interfere mais no impacto dela do que o próprio conteúdo da mensagem. Assim, o meio através do qual a mensagem é transmitida não funciona só como um canal em que a comunicação se estabelece, mas também influencia o conteúdo da comunicação. Dessa tese, surgiu a expressão “o meio é a mensagem”. 

Partindo dessa ideia é possível perceber o impacto que os meios tecnológicos exercem na forma como nos comunicamos e nas estruturas sociais que possuímos. Visto que toda forma de interação social é feita através de algum meio e, consequentemente, estabelecemos relações de poder e dependência, ao utilizar a internet como principal veículo de comunicação as nossas percepções de espaço e de tempo são diferentes da época em que a imprensa era o meio predominante. 

Dessa forma, a instantaneidade e praticidade com que a difusão de informação pode ser feita na internet, acaba por provocar a sensação de estarmos todos conectados como em uma tribo, o que Mcluhan chamou de “aldeia global”. Mais precisamente, temos a sensação de viver em um mundo interligado, com estreitas relações sociais, políticas e económicas. Podemos estar em contato com acontecimentos de diferentes lugares e ter acesso a diferentes culturas através de um simples aparelho. 

Entretanto, a sensação de conexão pode ser vista como ilusória, posto que estamos interagindo através de representações numéricas de forma individual e isolada pelos nossos dispositivos. Além disso, o meio digital dispõe de uma linguagem própria que é, na maioria das vezes, muito simples e superficial, o que fomenta em relações rasas entre os indivíduos nas redes sociais. 

Assim, podemos afirmar que esse mundo digital realmente nos conecta e nos aproxima? Ou cria a ilusão de conexão quando na verdade estamos cada vez mais isolados? A internet muda a nossa interação por nos aproximar do mundo e nos afastar da vida?

Amanda Porto, 2019.

Alphabetic writing: the most simple way of communication of all times

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When McLuhan cames up with the general theories of communication and he tries to think about all mediums, he starts with writing in antiquity, printing and then electronical medium of 20th century.

Image got from Tumblr

So this sociologist realized that in writing form there’s a crucial element that in the process of communication is in particular <alphabetic writing.>

Then there were other forms of writings like for example psycographic, ideagraphic and thanks to alphabetic writing in 19th century a.c., so about 3000 years ago, that coincides a jump in terms of civilization. One of the strikingest reason is because alphabetic writing hold a simple form of rappresentive speech. Furthermore, it presents a very economical form of representation.

So that is one major significance change in human forms’ communication. One of this impact is that during the 15th and the 16th century, typography was introduced. We assist to an incredible process of mechanization of writing and so typography, the invention of printing press, provided human culture to increase the effects of writing.

But subsequently, the 20th century, is in this period where we have completely difference system of communication, which is not based on mechanical forces. Writing and printing, they are both mechanical forces that create signs to language. Human race have a new kind of communication system and also mediation system which are based on electrical magnetic radiation. Finally, all the medias are based on radio waves and currently macro waves and other forms of electronic and electromagnetic radiation.

From that age, people have been faced with the innovative type of writing: welcome to the new technological mediums and system of communication.

Stefania D’Aquila

A lógica da transparência

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A imediacia pode ter numerosos significados. Um engenheiro pode ter uma definição de imediacia diferente de um artista ou de um designer. Contudo, apesar destes múltiplos significados a imediacia tem sempre uma lógica comum entre todos os que a estudam, a de “fazer desaparecer”, ou seja, da transparência.

Jay David Bolter e Richard Grusin abordam este assunto na sua obra de 1999 “Remediation: Understanding New Media”, não afirmando que a imediação só existe nos dias de hoje através da tecnologia, pela interface do computador, mas que sempre existiu na pintura, fotografia e cinema.

Para perceber a imediacia nos gráficos de computador, é preciso ter em mente todos os processos que a pintura, a fotografia, o cinema e a televisão tiveram de fazer para chegarem a esta lógica da transparência. É a nossa obsessão pelo realismo que faz com que os cientistas e engenheiros trabalhem e tentem alcançar através da computação aquilo que o artista consegue desde o século XX.

Uma das técnicas utilizadas para chegar a esta lógica é a técnica da perspetiva linear. A perspetiva linear é a representação de um objeto tridimensional através de um ponto no plano. Desta forma conseguimos perceber as dimensões desse objeto e o que está à sua volta. Porém, para imagens em movimento isto não é uma descoberta muito significativa pois os planos mudam e o objeto movimenta-se. Daí esta ser uma técnica necessária, mas não suficiente pois, na pintura e na fotografia o ponto de vista de quem vê é fixo, nos filmes e na televisão o ponto de vista é posto em movimento, sendo o diretor ou editor que controlam esse movimento, e nos computadores já não era só o ponto de vista que ficava em movimento como quem controlava esse movimento era o próprio utilizador do computador.

A imediacia é uma forma de tornar a interface do computador “natural” e não mecânica mas além dela poder “fazer desaparecer” o meio é também capaz de se relacionar intimamente com o utilizador.

Onde está o meio no universo de Norman Rockwell?

Norman Rockwell retratava na sua obra as peripécias da vida americana em meados do século XX. Passava horas a observar as rotinas diárias do cidadão americano, transpondo isso, posteriormente, para a pintura. Apesar das situações genialmente hilariantes, o artista tinha também um lado crítico e intervencionista, tratando outros assuntos do quotidiano, nomeadamente os valores do ser humano e outras questões sociais, como a divisão de classes, raças e religiões. Esta ligação forte com a sociedade americana revela, não só uma procura pela autenticidade no seu trabalho, como também uma grande aproximação com a fotografia e a própria realidade.

Sendo a imediacia a lógica da transparência, sem evidenciar o meio, neste caso a ilustração, esta funciona como se, perante o nosso olhar, estivesse o real. A hipermediacia é o inverso, o momento em que nos é mostrada a materialidade do meio, independente da imagem. Assim, quer ao nível de representação, quer ao nível da capacidade de cativar o público, a obra de Rockwell é um exemplo peculiar e desafiante para pensar a tensão entre estes dois conceitos. 

Por um lado, esta pressupõe uma grande identificação entre o quadro e o espetador. As personagens criadas por Rockwell não se limitam a integrar momentos do dia-a-dia. Elas carregam uma expressividade própria que nos faz sentir que podíamos estar no lugar delas, que a situação em que estão inseridas, apesar de muito particular, é possível de acontecer a qualquer ser humano. Para além de exibir o seu trabalho para as pessoas, o artista consegue “incluí-las” nele. Por outro, quando racionalizamos o que temos perante os nossos olhos, percebemos que é algo criado com tintas e pincéis. O meio torna-se visível.

Playbill (1946)

É interessante pensarmos na relação entre imediacia e hipermediacia presente na obra de Norman Rockwell, uma vez que identifico a característica do real fortemente acentuada nas suas representações, quase como fotografias tiradas a alguém que não sabe que está a ser objeto de estudo. Apesar de não estar em causa um meio digital, não deixa, a meu ver, de ser relevante olharmos para este caso. Se pensarmos no que vai desde um disparo fotográfico a um quadro planeado e que depende, não só do rigor mas também da projeção imaginária de uma pessoa, transpondo no final, dentro das suas limitações de logística, a mesma eloquência de uma fotografia, percebemos que, para além da técnica, Rockwell possuía uma sensibilidade e capacidade de problematização das emoções do ser humano notáveis, fazendo dele, segundo a revista Time, na década de 1940, “provavelmente, o artista americano vivo mais amado”. 

Triple Self Portrait (1960)

Sabemos que o meio nunca poder ser apagado. No entanto, pessoalmente, acho que Rockwell o “esbate” como ninguém.  

Sofia Martins

Nada mais nada menos que um meio

Enquanto seres sociais, apreciámos imenso a partilha de sensações, sentimentos e dos momentos em que usamos essas sensações e temos determinados sentimentos. Tudo isto acontece simplesmente porque temos a noção de que pertencemos a algo maior do que nós próprios, do que o nosso corpo, isto é, de que pertencemos a um determinado meio. Porém, este “meio” não é tão simples quanto parece, pois na maior parte do tempo nem nos apercebemos que estamos inseridos nele até sermos confrontados por outro. Se definirmos o conceito de “meio” como sendo um grupo social, por exemplo, veremos que não pertencemos apenas a um único grupo, mas sim a vários – pertencemos a uma família, ao nosso círculo de amigos, a uma turma, a uma instituição, a uma cidade, a uma cultura, a um país, etc.

O conceito de “meio” tem sofrido alterações profundas com a mudança das Eras, ou seja, com todas as mudanças histórico-culturais que fazem com que o ser humano seja também ele um ser vivo em plena e constante evolução. No entanto, há uma Era que se destaca das restantes – a Era Eletrónica –, era esta em que surgiu um fenómeno muito importante e que nos rodeia constantemente, o processo de automação. Podemos até fazer uma comparação – a nossa evolução trata-se também ela de um processo automático, de certa forma. O meio digital facilitou a intercomunicação entre todos os diversos meios a que pertencemos, ou então para retomar a expressão inicial, a partilha.

Miguela Moreira

O consumismo imposto pela indústria

Atualmente, as tecnologias são rapidamente substituídas por outras, mais avançadas e funcionais. As indústrias, ao lançarem um determinado produto no mercado, já sabem que em pouco tempo sairá um novo, ainda melhor. Deste modo, pretendem que o produto se torne não funcional num curto período de tempo. A este fenómeno dá-se o nome de obsolescência programada, que tem como objetivo levar o consumidor a comprar a geração mais recente do produto.

Quando decidimos investir numa nova tecnologia pretendemos que tenha uma longa duração e que não seja preciso substituir por outra nova a curto prazo. Ora toda esta estratégia, por parte da indústria, de tornar obsoleto um determinado produto, causa prejuízos ao consumidor e afeta, também, o meio ambiente. Muitas das vezes, o descarte dos aparelhos tecnológicos é feito de forma inadequada, acabando por contaminar o solo com substâncias nocivas.

Cada vez mais as tecnologias são feitas para não durar, tornando-se, assim, quase descartáveis. Num curto prazo de tempo começam a apresentar defeitos, mesmo quando pouco utilizadas, levando-nos a adquirir o novo modelo. Surgem, constantemente, novos aparelhos, no caso dos smartphones e computadores, mais leves, finos, com melhor qualidade e mais avançados. É, de certa forma, impossível acompanhar o avanço da tecnologia. Esta estratégia de tornar o produto obsoleto, por parte das empresas, gera um ciclo consumista. No fim da vida útil dos aparelhos tecnológicos, o preço do arranjo é tão caro que acaba por compensar a compra de um novo, fomentando, desta forma, o consumismo.

Em todos os anúncios publicitários há um elemento do meio que nunca é mostrado: a maneira como ele é produzido. A obsolescência programada é a ferramenta, que além do marketing, move o consumismo e, por isso, é fundamental estarmos atentos à qualidade do produto e tomarmos consciência do seu processo de fabricação. Cabe aos consumidores combater esta estratégia da indústria, evitando a busca desenfreada por novos equipamentos, e às entidades competentes, por exemplo, impondo o aumento de anos de garantia dos aparelhos.

Gabriela Pereira

A realidade atual em meio é a mensagem

Na década de 1960, Marshall McLuhan, centrou-se na explicação de como o meio tecnológico e comunicacional altera a vida dos indivíduos e as suas relações com a sociedade. Para o autor, os meios tecnológicos são como uma extensão do corpo, como por exemplo, os óculos são uma extensão do olho. McLuhan, salienta que estes meios não são apenas formatos materiais e concretos, mas sim sistemas criados pelo homem que tem o poder de alargar as suas capacidades.

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O que McLuhan tenta fazer é uma reflexão geral dos meios da sociedade, essa reflexão começa com a escrita alfabética. Essa escrita mostra um grande salto no processo de comunicação, porque representa uma simplificação da representação da fala. O alfabeto, é uma extensão da linguagem humana, que se terá mais tarde manifestado através de meios impressos, ou seja, a mensagem integra o meio e ambas coexistem com diferentes papéis de semelhante importância — o livro contém a palavra impressa, que inclui a escrita, que contém também o discurso, e assim se vai sucedendo. Deste modo, é percetível entender que “o conteúdo de um meio é sempre outro meio” e se o meio não existisse, a mensagem não poderia ser transmitida.

O autor, criou a expressão “The medium is the massage” para justificar os efeitos que os meios de comunicação provocam na população. Não existe uma definição concreta para este conceito, contudo, após a afirmação, o autor refere no seu livro “Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem” (2002) que:

Os suportes da comunicação e as tecnologias são determinantes na mensagem: os conteúdos modificam-se em função dos meios que os veiculam. O meio é a mensagem porque é o meio o que modela e controla a escala e forma das associações e trabalho humanos.

A forma como os meios de comunicação atuam nos indivíduos, nem sempre são evidentes, visto que reagimos com pouca importância ao conteúdo da mensagem, e prestamos mais atenção ao meio.

McLuhan apresenta na sua obra, uma perspetiva sobre os media e chama a atenção ao impacto que os media tem na organização da sociedade e nos sentidos humanos. A realidade atual, é diferente da altura em que McLuhan viveu, porém, hoje em dia a evolução tecnológica é extremamente rápida e as tecnologias exercem uma força de mudança na sociedade, tornando-se extensões psicológicas e corpóreas do homem, que acabam por ter repercussões nas interações sociáveis. Sem sombra de dúvida que o maior exemplo da atualidade, é a internet.

A realidade global presente, é claramente uma realidade em que o meio é a mensagem. A tecnologia contribuiu e tornou possíveis alterações na maioria das tendências proporcionadas pelo meio, a qual os indivíduos estão subjugados, uma vez que uma das coisas que os media fazem desde os seus primórdios, é suplementar a forma como os sentidos humanos funcionam. Esta sociedade tecnológica gera modificações a nível comunicacional e social e sobretudo na vida pessoal.

ShuffleMcLuhan

Fontes:

MCLUHAN, Marshall. “O meio é a mensagem”. Ed. Record. Tradução: Ivan Pedro de Martins. 1969.

Bárbara Videira

Pintura Vs Era Digital

A era digital caracteriza-se por ser um período que refletiu uma evolução em determinadas áreas. Nenhum momento na evolução digital terminou com a etapa que a precedeu, muito pelo contrário, incorporou-a.

A arte, ou arte digital, esteve e está de igual modo ligada a estes avanços tecnológicos. Assistimos a uma troca produtiva entre tecnologia e arte, e a cada advento digital as atividades artísticas adaptam-se e dão origem a novas formas de criação. No entanto, houve uma constante que não revelou alterações, a mensagem. A mensagem continua a prioridade do artista, e essa continua com principal destaque na hora da transmissão. Aparecem novos processos, a técnica evolui, surgem softwares, entre outros meios que se adaptam na criação de arte. Na pintura o efeito criou grandes resultados quando se uniu ao modo de criar arte digital. Essas novas criações foram tantas na última década que é comum o esquecimento da pintura contemporânea que em 100 anos continua viva e surpreendeu com as suas respostas á expansão dos média. Sabemos que a pintura sofreu uma ameaça pela fotografia e pelo cinema, e em sua defesa trouxe movimentos artísticos como o cubismo, o futurismo, o surrealismo, o dada… .

“A pintura ressurge cada vez que a sua morte é presumida.”

A exposição “Painting 2.0, Expression in the Information Age”, apresentada no Museu Brandhorst em Munique, é um ótimo exemplo em revelar a evolução da pintura e expor a sua relação com novos meios (vídeo games, televisão, banda desenhada e principalmente, a internet). “A mostra é baseada na nova onda de interesse em relação à pintura nos últimos anos, não somente no mercado das artes, mas também nas escolas de arte. Durante anos a pintura não foi a escolha mais fácil para o artista fazer. Agora parece que esse é (de novo) um campo discursivo ao qual vale a pena dedicar-se.” Tonio Kroner

As palavras-chave contidas nesta exposição são: Protesto, Comunidade e Corpo. São refletidas pelo interesse contemporâneo da arte de pintar e a sua ligação com as invenções tecnológicas. Os anos 60 foram a época mais reveladora da arte moderna. O modernismo ascende com movimentos artísticos como os que já referi e, com uma urgência de partilhar ideais livres e autónomos. “As novas tecnologias e os seus efeitos, como a cultura pop, desafiaram a pintura moderna. Artistas como, Robert Rauschenberg, Andy Warhol, Eva Hesse, Lee Lozano e Yves Klein, aceitaram esse desafio. Combinaram o vocabulário visual da arte moderna com as imagens e desafios da sociedade do espetáculo.”

Para concluir, conseguimos refletir sobre o impacto da evolução tecnológica nas artes através da pintura, especialmente por ser uma arte que deu origem a debates e desafios aos quais conseguiu sobreviver. É 100% credível comunicar através da pintura na era digital pelo motivo de incluir novos tipos de arte e abordagens analógicas. “ A pintura é uma espécie de ciborgue”. Tonio Kroner

Bárbara Catalão

                                             

Aparente transparência

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O primeiro telemóvel que existiu media 33 cm de altura, 4,5 cm de largura e de espessura 8,9 cm. Foi lançado pela Motorola e fazia parte da série Dyna TAC. Pesava nada mais nada menos que 794 gramas e foi inventado por Martin Cooper, no ano de 1972.

Encontramo-nos, hoje em dia, em outubro de 2019 e um dos smartphones lançados o ano passado, pela Apple, o iPhone XS, mede 143,6 mm de altura, 70,9 mm de largura e de espessura 7,7 mm, pesando 177 gramas.

Estamos perante uma diferença abismal. É tão difícil, para nós, imaginarmo-nos a carregar quase 1kg para comunicarmos com alguém, como seria difícil, para um vivente do século XX, imaginar que algo tão frágil e leve nos fosse permitir fazer das mais diversas atividades! No entanto, a diminuição gradual de tamanho e peso não foi de todo equivalente a uma diminuição da importância do telemóvel. Antes pelo contrário, foi o facto de ele se ir tornando cada vez mais fácil de transportar e guardar, que fez com que fôssemos ficando mais e mais dependentes destes dispositivos, que são como um novo órgão adicionado ao nosso corpo, uma parte da nossa identidade ou uma segunda pele.

Parece que quanto mais estes dispositivos, como portáteis, telemóveis ou iPad’s, decrescem em tamanho, ocupando um espaço físico menor nas nossas malas, ou nas nossas mochilas, mais tendem a ocupar um espaço maior nas nossas vidas.

Ocorre, assim, um processo de imediacia, mais imediato do que parece, pois, se nos conscientizarmos, é fácil reconhecer que, neste caso específico dos telemóveis, há a tendência para se irem tornando cada vez mais finos (sendo que o iPhone XS perdeu já o botão redondo clássico dos iPhones) como que desaparecendo aos poucos, ficando ao mesmo tempo, paradoxalmente, mais presentes.

Como podemos entender/exemplificar a afirmação de McLuhan de que ‘o meio é a mensagem’?

Se como afirmou McLuhan o meio for a mensagem, então podemos entender a sua frase como uma hipérbole de caracterização do meio. Uma vez que, habitualmente ele seria apenas “pensado como simples canal de passagem” (McLuhan: 1944). Os simples canais de passagem são geralmente observados com neutralidade face à mensagem que querem passar, ou às vezes, como algo negativo ou um obstáculo. O que McLuhan faz, é chamar a atenção para o papel que os meios têm na transmissão de mensagens – partindo para uma análise da evolução dos meios de comunicação utilizados pelo homem e, num outro sentindo, das suas identidades e características. A análise comporta três períodos ou galáxias principais, encadeados: primeiro aquele da cultura acústica, onde, ainda sem alfabeto, o homem se comunicava por sons. Depois, com o surgimento da escrita e desenvolvida a ferramenta de leitura, a sociedade passou a valorizar a cultura visual: “Dotados de um alfabeto fonético que permite abstrair das sonoridades as significações e traduzir o som num código visual, os homens enfrentaram uma experiência que os transformou.”(McLuhan: 1994) Por fim e continuamente até aos dias de hoje temos a cultura eletrónica, onde todos os meios de comunicação se tornaram instantâneos, valorizando-se cada vez mais a velocidade. Poderíamos levantar inúmeras e variadas hipóteses sobre o que um meio é, ou o que um meio pode ser, por exemplo: um computador, uma televisão, uma imagem, um vídeo. Apesar de terem “famílias” diferentes todos são o canal de facilitação de alguma mensagem. Os meios são considerados uma extensão do homem, pois em certa medida o prolongam, potencializando os seus sentidos. Esta ilustração de Steve Cutts é um exemplo disso, uma vez a sua mensagem vai para além do conteúdo, a sua forma enquanto meio já comporta a mensagem que quer expressar.

Raquel Pedro.

Bibliografia:

Pombo, Olga (1994) Tradução. Cadernos de Filosofia e História da Educação, Caderno Nº1: ‘McLuhan: A Escola e os Media’, Lisboa: Universidade de Lisboa.

Pombo, Olga (1994) Tradução. “O meio é a mensagem” in Cadernos de Filosofia e História da Educação, Caderno Nº1: ‘McLuhan: A Escola e os Media’, Lisboa: Universidade de Lisboa.

A Importância de uma Banda Sonora para Vender

O som é um elemento essencial nos media e as campanhas de marketing não se esquecem de tal. Na realização de um anúncio, o som, dobragem, música, efeitos sonoros são sempre tomados em alta consideração e com razão, pois não é só a imagem que capta a atenção do consumidor. Uma música viciante ou uma fala cómica num spot publicitário são o suficiente para entrar dentro da cabeça do espetador, fazendo-o pensar no anúncio e discuti-lo com conhecidos. Prova recente disso é o anúncio da cadeia de fast-food Burger King, no qual a atriz afirma que vendeu a camisola do ex-namorado para comprar dois menus no restaurante. Esta frase em si já revela um caracter cómico, no entanto o que mais chamou a atenção foi o modo como ela a proferiu, tornando-se viral nas redes sociais portuguesas. É garantido que quem viu o vídeo e o partilhou não se esqueceu da promoção nos menus.

Agora analisamos o anúncio do novo televisor da Samsung que vimos na aula, as três versões idênticas mas com áudios distintos.

O anúncio com a música é icónico. A música clássica, a acompanhar as coloridas explosões de tinta como se ambos estivessem em harmonia, chamam a atenção do espetador e o seu ritmo acelerado que aumenta à medida que as explosões chegam a um clímax e revelam o produto criam, não só um anuncio, mas uma peça indistinguível que toda a gente se vai lembrar no dia a seguir. O mesmo anúncio sem a música, mas com o barulho original da sua realização já desce no nível de engadgement e wonder que o primeiro oferece. No entanto, tal como fogo de artificio, os barulhos das explosões coloridas cativam a atenção do consumidor na mesma e mantêm a agressividade e ritmo do original, só perde em “magia” e “espetáculo”. Mas se formos ver o vídeo sem som, aí temos uma experiência completamente diferente das duas. Sim, o que estamos a ver não deixa de ser fantástico, mas falta algo. Não deixamos de nos sentir frustrados porque até sentimos que alguém se enganou e carregou no botão do mute. As cores e explosões parecem mais fracas e deixam de ter o encanto do original.

Com estes três exemplos podemos ver a diferença que o som e a música fazem numa campanha publicitária, há que tentar sempre atingir o perfecionismo quer no televisor quer no anúncio de maneira a apelar ao consumidor.

“Os Media transportam-nos para a realidade?”

O nosso dia-a-dia está repleto de novas tecnologias, desde o nosso telemóvel, que não sai do nosso bolso, permitindo que contactemos com todo o mundo onde quer que estejamos, a nossa televisão que sem sair de casa nos presenteia com imagens, por vezes em direto, que nos transportam para os conflitos e as lutas que as várias sociedades do mundo têm diariamente.

Estes meios tecnológicos “prendem-nos” e criamos hábitos à sua volta, ligamos a televisão todas as noites para ouvir o noticiário, ou todas as manhãs para nos sentirmos acompanhados enquanto nos preparamos para o trabalho…

people-watching-tv-18

Desde o início dos meios tecnológicos que vemos uma importância crescente em transmitir à sociedade o conteúdo mais próximo da realidade possível, as imagens que nos chegam através dos documentários são gravadas nos locais, têm os sons reais do que está a acontecer. Estas imagens com os determinados sons aproximam o público da situação e criam um impacto e uma sensibilidade pelas pessoas do outro lado do ecrã, no entanto esse impacto nunca será igual ao que teriam vivendo as situações.

Os sentidos são muito importantes porque ainda são eles que criam uma “barreira” entre o público e esta realidade transmitida. Quando somos expostos às imagens passadas no noticiário, muitas delas de guerras, estamos apenas a ouvir e a ver, mas não estamos a sentir, a cheirar, a vivenciar, a nossa precessão por muito que seja próxima da realidade nunca o será na totalidade.

Esta consciência é importante para tudo, quando não podemos usar todos os sentidos não experienciamos da mesma forma.

Muitas vezes nas publicidades que passam na nossa televisão, o som ou a imagem são manipuladas para ter uma determinada sensação que seria completamente diferente com outro som ou outra imagem.

Sony Bravia Advertisment [HD]

Sony Bravia Advertisment [HD]- Som original

Este exemplo de publicidade é um dos melhores para percebermos esta diferença.

 

Carolina Pina

Por breves momentos conseguimos ver

Imagem do VideoClipe – Nudes by Claire Laffut ft Yseult

Ao acordar ouve-se um som que é silenciado com um toque suave. O telemóvel toca e as palavras que se ouvem de seguida, “Hey Siri, quais são as notícias do dia?”, dão início a mais um dia. Embarcamos numa viagem pelo mundo, ficando a saber de tudo, mesmo não entrando num avião. A voz que nos conta as narrativas já não é a da cara conhecida da televisão. É uma voz distante que se diz amiga. Através das suas palavras, em tom monótono, sentimos a dor e alegria dos protagonistas das histórias que não figuram em livros, pois são reais. Ouvimos, mas não vemos. Sentimos, mas não experienciamos. Acabamos por imaginar e por breves momentos conseguimos ver o que não está à nossa frente. 

A tecnologia permite-nos viver aquilo que naturalmente não seria vivido. A nossa atenção é absorvida por equipamentos tecnológicos que nos fazem ver e sentir o impossível. Tentamos colocar de lado os novos olhos que estão nos nossos bolsos e mãos durante todo o dia. A qualidade das câmaras, que têm vindo a assemelhar-se cada vez mais à visão humana, não nos deixam ficar um segundo sem ouvir o som de uma fotografia a ser tirada. Deixamos de ver e sentir com os nossos olhos para passar a experienciar a vida de novas formas. Vivemos os momentos através de dispositivos que com uma só imagem nos ajudam a desbloquear memórias que a nossa mente eliminou, não deixando o momento perfeito esvanecer. 

Fonte: TechRadar

As campanhas de marketing e os produtos que saem para o mercado, tal como a QLED 8K da marca Samsung, fazem-nos acreditar que as imagens criadas são ou podem ser representações fidedignas das realidade, desafiando sensações auditivas e visuais. Fazem-nos despertar necessidades, manipulando-nos com os slogans e imagens perfeitas. Temos dificuldade em distinguir a nossa realidade da que nos é apresentada, mas continuamos a acreditar que algo com mais resolução é mais real e que cada dispositivo é mais fiel ao anterior, dando-nos a possibilidade de alcançar a realidade perfeita. Tudo à distância de um toque. 

Pedro Terrantez

À Procura da Perfeição

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Desde sempre que o ser humano tenta chegar à perfeição e apesar desta ser impossível de atingir ele tenta ao máximo chegar até ela, está na sua natureza, tenta atingi-la na sua vida pessoal, esteticamente, visualmente e tecnologicamente… Televisões, telemóveis e computadores cada vez mais evoluídos, um equipamento novo a cada ano, com mais definição, com um ecrã maior, mais inteligente e também mais caros, mas isso é outra conversa.

Como dito, estas tecnologias têm evoluído muito de ano para ano: SD (480p), HD (720p), Full HD (1080p), 4K e agora os 8K oferecidos pela gigante Samsung, o objetivo das marcas em criar estes novos formatos é supostamente atingir a perfeição, termos a verdadeira experiência imersiva de conseguirmos sentir que estamos num sítio sem verdadeiramente estarmos lá, ter uma nova realidade em casa. O problema deste novo formato, 8K, é que apesar de a Samsung oferecer sim uma resolução 8K (7,680×4,320 pixels), essa resolução não pode ser desfrutada pelo consumidor, pois ainda não existem conteúdos, nem canais que suportem esse formato.

Isto é, apesar deste produto ter um “falso” marketing, temos de pensar que apesar de não ser possível hoje usufruirmos desta nova realidade, um dia mais tarde o poderemos fazer, por isso é um grande avanço no nosso meio tecnológico/visual, pois a criação desta nova televisão e formato vai incentivar a que se façam câmaras 8K, telemóveis com suporte 8K, que tantos as plataformas televisivas como as de streaming comecem a produzir conteúdos neste novo formato, tudo num ciclo, pois nenhuma marca quer ficar para trás nesta corrida da tecnologia, e as marcas sabem que o ser humano é sedento pelo que é novo e que ele quer cada vez mais e melhor, é isso que o alimenta.

Em suma, posso dizer que hoje, dia 2 de Outubro de 2019, ainda não conseguimos atingir a perfeição a que tanto aspiramos, mas posso também afirmar que estamos cada vez mais perto dela.

A Manipulação no Marketing dos Media

Viver no Séc. XXI é ser constantemente bombardeado/a com novidades todos os dias. Os media estão em constante desenvolvimento, mesmo quando não parece possível, aparecem aparelhos melhorados e mais inteligentes que os já lançados anteriormente. As pessoas são levadas pela ideia de que mais é melhor, mesmo que isso signifique gastar imenso dinheiro num dispositivo que não acrescenta nada à vida do comprador mais do que os dispositivos que este já possa ter. Viver numa sociedade de consumismo é isto mesmo: é ser levado pelas palavras mágicas das empresas, do marketing pensado estrategicamente para ganhar o maior número de vendas possível.

Assim o fez a empresa Samsung, nos seus vídeos publicitários, onde promove a sua mais recente televisão, QLED 8K. Esta é dotada de uma resolução ultraelevada, tem mais de 33 milhões de píxeis, oferecendo assim uma experiência de visualização sem píxeis observáveis, mesmo a curta distância da TV.

Nos vídeos já anteriormente mencionados, a Samsung utiliza imagens de paisagens naturais incrivelmente bonitas para mostrar a capacidade da televisão em representar algo exatamente como é na realidade, com todas as cores e detalhes possíveis. Esta televisão pode assim transmitir ao espectador sensações que outras televisões não seriam capazes de transmitir, a ilusão de que são levados para um espaço onde não estão. As próprias palavras usadas no vídeo são tentadoras e ajudam a captar o interesse dos possíveis compradores: “Start experiencing”; “Start feeling”; “Start discovering”; “Detail”; “Depth”.

Com tamanha oferta de vários produtos em constante evolução de diferentes marcas concorrentes, as pessoas vivem numa permanente “manipulação” por parte das empresas que querem vender as suas melhores e mais recentes tecnologias. Somos assim muitas vezes levados a comprar produtos que provavelmente não precisamos e que não nos vão dar nada mais que um bem material que um dia mais tarde irá perder o seu valor.

 

Realidade Virtual (VR) e a mistura do digital com o real

Com o avanço da tecnologia, tem-se tornado cada vez mais difícil desenhar a linha que separa o real do digital. Na última década, a tecnologia VR (Realidade Virtual) tem sido desenvolvida para, cada vez mais, ser capaz de suspender a noção do “real” dos seus utilizadores imergindo-os num mundo digital.

No contexto da realidade virtual, o utilizador experiencia o máximo de imersão possível através da ilusão e simulação de experiências.

Atualmente, as tecnologias mais comuns utilizam sistemas de projeção e de óculos de realidade virtual que incluem sistemas que detectam o movimento dos olhos e giroscópios, permitindo assim “acompanhar” o olhar do utilizador e simular um meio visual da forma mais realista possível.  Nestes sistemas de VR, existe também, muitas vezes, simulação das sensações sonoras, estando cada vez mais desenvolvidas de forma a simular a distância e a direção da fonte de som.

Recentemente, o desenvolvimento dos sistemas de VR tem incidindo sobre a exploração dos outros sentidos, como o toque e o cheiro. Por exemplo, Thermoreal é uma empresa tecnológica que está a revolucionar a perceção que temos de VR incluindo dispositivos simuladores de temperatura e dor nos seus sistemas VR. Por outro lado, Feelreal tem-se focado na inclusão das sensações olfativas nos sistemas VR criando assim novas utilidades para estes sistemas.

Assim, a tecnologia VR tem revolucionado a indústria Multimédia ao, através da simulação de experiências e estimulação dos sentidos, tornando esta tecnologia única pela sua capacidade de se aproximar da quebra da linha que divide o real do digital.

Texto por João Paz

Realidade perfeita

A presença das médias nas redes demonstra uma sociedade consumista. Devemos considerar a constante mudança da sociedade, tanto culturalmente, quanto socialmente, uma vez que o corpo social é manifestação de seu tempo. Hoje, TVs 8k são “realidade”. Não que exista alguma utilidade, pois sequer há conteúdo… Literalmente, a TV é comparada a realidade! E estes anúncios são feitos usando médias de alcance abrangente, como as plataformas de vídeo. Em um mero anúncio, observamos como a redes estão conceituadas nas relações ideológicas, económicas, políticas e culturais. Os meios de comunicação se transformam em instrumentos para aproximar o homem com a sua realidade (tanto de facto, quanto de acordo com o mercado).

Facto é que ao mesmo tempo que as médias nos aproximam do que muitas vezes não vemos, mesmo que esteja ao nosso lado, elas também servem para nos vender ilusões: um ecrã bonito, com imagens incríveis, mas que não existem.

Não faço aqui uma crítica a tecnologia, que é realmente incrível, ou mesmo o anunciante, ele está dentro de seu direito de vender um produto.

Seria então, a propaganda uma coisa ruim? Não necessariamente.

Devemos sempre nos lembrar de como a média permite a manipulação da realidade, mas também que a arte é um modo de expressão que retrata a realidade sem a necessidade de ser uma representação exata. Interpretar nos faz aprender, ser criativos e, sobretudo, críticos.

É claro que as médias já estão profundamente inseridas em nossa sociedade. Caso contrário, você possivelmente não chegaria a ler este texto, nem ele chegaria a ser escrito, pois não haveria propaganda a se discutir. A tecnologia nos permite explorar novas artes. Blogs, curtas caseiros, poemas de desconhecidos: independente da resolução do ecrã, são expressões trazidas pela tecnologia.

Ebony Stephanie S. Alberto 25

Mediatização e Futuro

¨— Hey, Google, quais são as notícias de hoje?¨

Assim começa o meu dia, e o de milhares de pessoas ao redor do mundo.

O dispositivo da vez é o Oráculo, um facilitador das atividades diárias que também toca suas músicas favoritas.

A mediatização nos permitiu estarmos sempre um passo à frente, ¨com o futuro em nossas mãos¨. Em um contexto em que a tecnologia se torna cada vez mais indispensável para a nossa presença no mundo digital e interconectado, estas se tornam não só como ferramentas de auxílio, mas experiências catárticas.

A discussão virou tema de seriados, como Black Mirror, onde os diferentes futuros (apocalípticos ou não) retratados nos obrigam a refletir sobre essas possíveis realidades alternativas.

O usuário, super-exposto ao meio, e a seus estímulos, com interações cada vez mais imersivas; As fronteiras entre real e virtual ficando cada vez mais tênues, até o momento em que se entrelaçam e viram uma. Sob o escopo das mais variadas realidades mediadas, sejam elas virtuais, aumentadas ou híbridas, caminhamos cada vez mais pra um ponto, irreversível, de total dependência dos medium.

Mas, afinal, o quão dependentes somos destas novas tecnologias? McLuhan interpreta o conto de Narciso sob a perspectiva da submissão pessoal e imersão voluntária na ilusão que é a realidade alterada em frente a nós; Onde nos tornamos ídolos de nós mesmos, uma versão melhor de quem somos, dando nossos próprios sistemas, anestesiados e torpes em troca.

Sacrificamos nossos próprios sentidos e funções para uma vida perfeita.

É certo que a tecnologia nos expande horizontes nunca antes sequer pensados, e auxilia no progresso da humanidade, mas quando nos perguntamos o custo disso na funcionalidade humana (especialmente para com o seu meio) as respostas são alarmantes.

—¨Hey Google, o futuro é uma realidade mediada?¨

(I)realidade

Durante séculos a fio o ser humano foi habituado a visualizar a arte de maneira realista. Tanto os cenários retratados nos quadros, como as esculturas realizadas eram pensados de modo a representarem a vida quotidiana da forma mais fidedigna possível. Sempre fomos habituados a que o irreal se confundisse com o real, e essa exigência inconsciente permanece até aos dias de hoje. Com a evolução digital e tecnológica tem sido cada vez mais exequível levar esse realismo para as camaras e ecrã televisivo. O que começou com filmes a preto e branco pouco detalhados, e mudos, é agora uma tela onde cada pequeno pormenor é visível, absorvendo-nos por completo nas suas imagens e efeitos sonoros. Embora tudo não passe de uma mera representação daquilo que é palpável, televisões como a QLED 8K Samsung têm o poder de quase nos fazer duvidar se realmente não passará de uma simples imagem digital. Contudo, todas estas novas descobertas ainda não chegaram ao cúmulo de conseguir ativar todas sensações humanas – nem o tato, nem o cheiro – sensações essas que iriam permitir uma experiência absolutamente completa aquando a visualização das mais variadas metragens.

Há quem condene as novas tecnologias por tornarem várias gerações sedentárias e mais antissociais. Não deixando isso de ser uma verdade irrefutável, há um outro lado de que não nos lembramos muitas vezes: todo este realismo transmitido através de um ecrã de televisão permite que qualquer um conheça muito mais do que aquilo que lhe seria possível numa vida comum. Lugares dos mais remotos aos mais famosos do mundo, que não estão, de todo, ao alcance de toda a população. Aprender sobre a vida selvagem do nosso mundo, das lendas uma vez julgadas realidade, dos perigos e virtudes que nos rodeiam… a tecnologia abriu portas para uma exploração mundial a partir de um sofá.

meio definidor

“I can’t paint”, Aarti Shinde

Meio é uma das tantas palavras polissêmicas da língua portuguesa. Pode definir metade, posição intermédia, fraca intensidade, lugar onde se vive, modo, condição, o que estabelece comunicação, entre outros.

Seres humanos estão imersos em muitos meios, desde o meio ambiente até o meio social e cultural, e todos eles são fatores que definem a personalidade de cada um.

Um dos meios mais influentes à personalidade humana é a arte, até porque “arte” toca muitas das diferentes definições de meio. O lugar onde vivemos – arquitetura e urbanismo – é arte. A forma como vivemos ou agimos com relação a algo – estilos de vida e técnicas – é arte. E especialmente, a forma mais tradicional de arte é o que estabelece comunicação. A escrita, o desenho, a expressão corporal, a comunicação audiovisual.

No momento atual em que vivemos, uma das grandes crises sociais é o paradoxo do audiovisual. Como ele, ao mesmo tempo, e tão intensamente, nos aproxima do que está longe, mas nos afasta do que está perto. É realmente muito positivo termos nas mãos todos os cantos do mundo, podemos ver imagens de altíssima definição e até “caminhar” pelas ruas. Conseguimos respostas para qualquer pergunta em um só clique e até artigos científicos são facilmente alcançáveis. No entanto, no meio de tantas vantagens de se ter o mundo dentro de uma tela, começamos a nos deparar com as desvantagens – até mesmo no que diz respeito à saúde física e mental. O mundo está muito acelerado, as pessoas não sabem mais esperar por nada – tudo é muito imediato. Ler um livro para obter respostas deixou de ser uma opção, e até mesmo o ato de viajar está ficando escasso. Toda essa intensidade de imagens e vídeos, aliado à rapidez com que tudo vem acontecendo, vem tirando a paciência, para parar e sair da rotina, e a curiosidade de conhecer algo novo. No meio de tanta informação fácil e uma geração de que não é pedido esforço, será que ainda há algo de novo?

O homem é um produto de todos os meios que o tocam, e, na menor idade possível, já somos fortemente influenciados pelo meio social e cultural, especialmente a família próxima e o audiovisual. Nossas primeiras ações e palavras vêm desse primeiro contato direto. E, já que somos um produto desses meios, compreende-se superficialmente o que já é comprovado por estudos científicos: a tecnologia tão presente vêm afetando essa geração – cada vez mais ansiosa e depressiva – por se verem tão imersos numa rapidez e intensidade de meias informações, e pela falta do frio na barriga que se dá pela curiosidade, por viver coisas novas, experienciar o que, de fato, nunca foi visto.

“A new set of eyes” ⸺ Sensações diferentes

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A televisão aparece a meio do século XX e é recebida com muita admiração e entusiasmo. Esta apenas chega a Portugal em dezembro de 1955 e não era acessível a todos, principalmente em áreas mais pobres do país. Quem tinha televisão deixava muitas vezes o vizinho ver, de graça ou à custa de umas moedas, e quem tivesse insónias não podia ter a sua companhia televisiva ao seu lado já que as emissões terminavam cedo.

Chegando ao século XXI tudo é diferente. Todos conhecemos e possuímos pelo menos uma televisão, sabemos de cor os botões do nosso comando, e se tivermos insónias mergulhamos pelas estranhas programações que os variados canais nos oferecem durante as várias horas da madrugada. Mas os novos modelos, como é o caso da televisão QLED 8K da marca Samsung, como consta na sua publicidade,  promete afinar as nossas sensações: visuais e auditivas.


Um ecrã que mostra a sua realidade de uma forma extremamente pormenorizada, com detalhes refinados, dando-nos a sensação de que estamos no sítio que a televisão nos mostra, e o ecrã são os nossos olhos.
A publicidade compara a televisão como se fosse um quadro renascentista, não só por a sua forma se assemelhar a um quadro, mas pela preocupação com o realismo daquilo que nos é mostrado.

A televisão já não é o objeto central da nossa sala, os media fazem com que a televisão seja uma extensão do nosso corpo: permite-nos sentir falta, experienciar e filtrar o que queremos ver.

Em suma, a televisão é um objeto que nos permite experienciar situações fantásticas, mas não nos permite sentir o cheiro do mar ou o vento no rosto ou sentir os pingos da chuva e nem sempre podemos filtrar o que queremos ver na nossa vida. A televisão dá-nos muito, mas nunca nos poderá dar tudo.

Beatriz Monteiro

Significados na Arte Digital

Com a evolução do digital, na arte criada através destes novos meios nada é por acaso. Cada pequena coisa que está lá colocada tem uma razão de ser. Mas o significado para cada um de nós dessa coisa difere dependendo do nosso meio e da nossa experiência de vida.

Uma pequena referência num filme de animação, por exemplo – por norma, os chamados “easter eggs” – pode despoletar em nós todo o tipo de teorias – “Porque está ali? Será que isto quer dizer aquilo?”. Mas na verdade pode ser só uma brincadeira ou uma pequena referência.

O meio onde estamos influencia claramente os significados que colocamos nas coisas. Na cultura cigana, por exemplo, imagens de sapos à porta dos locais significam que eles não podem entrar. A maçã em várias culturas significa o conhecimento, ou também pecado – o fruto proibido. A cor roxa nos países europeus é associada à realeza. Tudo isso são significados dados pelo meio.

Olhando para este anuncio, as cores são usadas para demonstrar como objeto publicitado – uma televisão – é bom, pois mostra as cores como devem ser vistas. Falam de uma cor como nenhuma outra, a melhor maneira de viver as cores como deve ser, ou seja, implicado que vivemos os significados que vamos receber. Porque quanto melhor imagem, melhor percebemos a mensagem que nos querem transmitir através daquilo que assistimos.

A própria da frase, podemos então ver, não está ali por acaso. As cores também não. O significado que querem que tiremos dali é quão boa é aquela televisão pela qualidade da imagem. Mas se cada um de nós analisar o anuncio encontra outros vários significados em cada pequena coisa que ali está. E é essa a questão do meio em todos os seus significados. Porque isso influencia como vemos aquilo que vemos. E na arte digital usada no marketing, isso é particularmente verdade pois tudo é pensado para fazer a venda.

Oriana da Cunha

O confronto entre o mundo real e o mundo virtual/digital

Segundo a publicidade  da Samsung , a marca tem como propósito apelar ao público – alvo para a compra  de uma televisão de última geração com uma tecnologia de ponta , QLED 8K . Evidentemente, todas as outras marcas do mercado da tecnologia tentam demonstrar que o seu produto é o de melhor qualidade e melhor que a versão anterior produzida .Desde o inicio da existência  do ser humano , o Homem tem a ânsia , instinto, quase como uma natureza inata ,  de competição com o outro, e esse espírito  agravou -se  ainda mais com a criação do sistema económico capitalista , ou seja , uma competição e ambição desenfreadas e que atinge todos os setores , incluindo a área tecnológica. No campo das artes plásticas ,sobretudo na pintura ,e que serve de comparação na própria propaganda, há aproximadamente 500, 600 anos , os artistas do renascimento procuravam que as suas obras fossem a representação mais fiel do real . Então , na verdade, o discurso que os profissionais que trabalham no ramo da publicidade recorrem, já vem dos primórdios.

Antes de mais , o  anúncio publicitário utiliza técnicas e estratégias fundamentais de marketing como o slogan (“ The never before seen”), frases curtas  com letras salientes e nítidas (“stop watching “,  start experiencing”, “stop viewing “, “start feeling “ “stop missing “ , “start discovering “), foco em palavras – chave (“ depth “ ,“detail” ) que contrastam com imagens atrativas e coloridas ( floresta, neve , água). Seguidamente ,analisando e desconstruindo o que é mostrado , a ideia principal a ser transmitida é a de que , como , na atualidade, a nossa sociedade vive de maneira frenética, contando todos os segundos, sem preocupar no que está à sua volta , o único sítio onde conseguimos realmente desligar esse botão e parar por uns instantes é em casa , no conforto do nosso lar . Portanto , daí a Samsung querer desenvolver um ecrã que dê ênfase e realce o detalhe, que nos escapa muito .

Porém , tudo isto para percebermos que é apenas uma simples ilusão o que a marca pretende vender ao consumidor . São Meios automáticos , que por meio de processos digitais e algorítmicos, são desenvolvidos para simular a perceção real , enganando os sentidos , acabando por ser uma ilusão tanto visual como sonora /acústica .

Concluindo , com evolução galopante da tecnologia , cada vez mais vivemos numa época em que dois mundos se confundem: o virtual e o real e , consequentemente, as pessoas têm levantado as seguinte questões “Como distinguir o real do virtual?” , “Será que o ser humano vai substituir as experiências e sensações reais por virtuais ?”, “Será que um dia vamos ser meramente máquinas em que a memória será transferida para um dispositivo e deixaremos de ter consciência?” . Por exemplo ,no universo dos videojogos já se aposta muito em óculos de realidade virtual , os gráficos cada vez mais são surpreendentes , os próprios títulos mais recentes são prova disso . A dependência a estes meios digitais cada vez aumenta , o número de horas de utilização de um certo dispositivo eletrónico continua a crescer sem precedentes. É , deveras , assustador o que o futuro nos reserva se continuarmos com este ritmo .

Diana Marantes

Somos fruto das convenções do nosso tempo

A produção e o consumo de imagens estão cada vez mais inseridos no dia a dia das pessoas na atualidade. Entretanto, como consequência os consumidores estão cada vez mais exigentes diante das evoluções tecnológicas dessas imagens. Isso ocorre, porque somos fruto de uma quantidade de elementos técnicos e convenções que temos, a depender do momento e contexto histórico em que estamos inseridos. 

Desse modo, é possível perceber que o público irá desejar e querer consumir aquilo que, de acordo com as convenções do momento em que essas pessoas se encontram, lhes parece mais tecnológico, avançado e superior se comparado ao que já existia anteriormente. Nesse sentido, os anúncios, evidenciam esse sistema, pois utilizam desses avanços tecnológicos para demonstrar as qualidades dos produtos e para convencer o público à consumi-los. 

Nesse primeiro anúncio (2002), a novidade presente no telemóvel são as mais de 16 cores que este possui, que são “tão vibrantes” e de “alta resolução” que são capazes de sair do ecrã e tomar o espaço. Há nessa ideia uma valorização da imersão sensorial do corpo, como se as imagens no telemóvel fossem extremamente fieis e se confundissem com a realidade. 

No segundo (2019), podemos perceber esta valorização da imersão sensorial de outras maneiras quando as imagens dos ecrãs são mostradas com cores mais fieis, mais texturas e tendo continuidade com o real. Além disso, há uma persistência na ideia de uma tecnologia de outra geração, como se fosse um dispositivo além do seu tempo. Isso está presente nas frases que aparecem como “next generation screen”; “next generation camera”; “next generation security” e “next generation charging”.

Assim, ao observarmos os anúncios dos telemóveis, podemos perceber claramente um jogo de ilusão ótica, pois se baseiam em criar uma sensação de realidade aumentada, uma ilusão de continuidade dimensional. Esses elementos técnicos criam a sensação de que nos dispositivos encontramos uma perfeita realidade ou uma tecnologia extremamente avançada.

No entanto, há em cada anúncio uma linguagem e forma de apresentar as características dos telemóveis que se diferencia tendo em vista a época e contexto em que se inserem e o quanto a ciência progrediu. Em outras palavras, é possível observar nos dois vídeos o quanto as convenções sociais do que é mais tecnológico e fiel ao real evoluiu com o passar dos anos e avanços científicos. 

Amanda Porto, 2019.

Quando o meio invade a arte

A publicidade como a conhecemos surge a partir da necessidade de se aumentar o público de um produto. Mas como é que a dialética da publicidade e da arte se cruzam?

Na publicidade de tecnologia, são três os argumentos principais e transversais a todos os produtos: (1) o produto tem capacidade tecnológica superior aos existentes no mercado; (2) o produto tem design superior; (3) o produto proporciona uma experiência de uso melhorada.

Cada um dos argumentos tem implicações ao público-alvo ou consumidor. No caso dos equipamentos que reproduzem imagens e/ou áudio, o argumento técnico é implícito pois, a nível argumentativo, a experiência tem maior valor que a qualidade técnica. Este argumento se baseia no fato de a publicidade ser direcionada às grandes massas, com diferentes graus de literacia.

O argumento técnico tem de ser travestido em outro mais atraente ao público. Ora, dizer que a música soa mais realística em CD tem um excelente valor argumentativo, pois é do interesse do usuário conhecer a interface de interação com o meio, no caso, a qualidade do som. Os gurus da tecnologia podem ter interesse no tipo de processador de um computador, mas o usuário médio, cujo conhecimento de uso é básico ou intermédio, terá mais interesse em saber se consegue mandar emails e acessar as suas redes sociais, ou ainda usufruir de alguns jogos.

Exemplos há inúmeros, tal como as propagandas minimalistas em que se usam imagens ‘Shot on iPhone’. O próprio meio, que é o produto publicitado, se torna elemento secundário, aparecendo apenas no mote da campanha. Já o argumento se repete: a fotografia captada por um iPhone é de tão boa qualidade que pode ser usada como peça publicitária.

É neste momento que arte e publicidade confluem. Se no Renascimento o realismo das imagens era o objetivo a se atingir, hoje é este o argumento utilizado para implicar que a qualidade das imagens é superior. Também por esta digitalização e automação da produção artística, quando do surgimento das primeiras câmeras fotográficas, mas não somente, a arte se distanciou cada vez mais do realismo e partiu à abstração. Mas isto é pano para outras mangas.

Gabriel Rezende

O ecrã como a nova porta de casa

Para quê sair do conforto das nossas casas enquanto conseguimos observar o mundo que se encontra fora dessas 4 paredes através de um ecrã? Embora limitada ainda a visão que nos concede, porém, cada vez menos, a quantidade de riscos que vemos contados quase como as histórias que se contam às crianças nos jornais de notícias a que estamos sujeitos é bastante diminuta.

A qualidade das câmaras fotográficas, tanto o equipamento em si como as que se encontram nos telemóveis, por exemplo, faz com que cada vez mais a visão das câmaras se assemelhe à visão humana. As câmaras converteram-se nos nossos novos olhos. Tornou-se mais importante ter um registo de um local, de uma pessoa, um momento parado no tempo em vez de o presenciar. Porque na realidade, esses momentos são temporários enquanto as fotografias quando guardadas fisicamente, ou então num disco rígido, podem durar para sempre, podendo quando se pretender relembrar determinada altura, simplesmente pegar nelas novamente.

A imagem criada pode ser uma representação bastante fiel da realidade, mas conseguirá alguma vez substituir a realidade? Todas as sensações criadas com o contacto físico que se experiencia poderão facilmente ser simuladas? É aí que as equipas de marketing centram o seu foco principal. O ser humano apesar de ser o único ser racional também está sujeito a ser controlado pelos seus instintos e emoções. A manipulação do marketing usa como alvo essa (in)fragilidade humana para que mesmo que não haja à primeira vista necessidade de obter o produto promovido, seja criada a tal necessidade pretendida.

Miguela Moreira

Paredes de imagem

A mediação está cada vez mais presente na vida social, acabando por nos influenciar nas decisões quotidianas. Para além de sermos sociais, somos seres tecnológicos e evoluímos com essas duas experiências. Temos e sempre tivemos a necessidade de nos manter atualizados em relação ao mundo em que nos inserimos. Torna-se compreensível como as tecnologias transitam as nossas vidas: se o digital progride, nós acompanhamos o ritmo destas.

Os media tem um papel importante no que diz respeito à venda de produtos. No vídeo “QLED 8K Feature Film: Finding the Perfect Reality”, o espectador é levado à procura da realidade perfeita e à adoração do futuro e do inovador, ou seja, quanto mais novo o produto for, mais qualidade terá em relação ao anterior. Uma obra de arte consegue ser transportada para o ecrã, e os sentidos apuram-se quando se consegue sobrepor cores que fazem um “choque visual” atraindo a nossa concentração e levando-nos a uma ilusão ótica e acústica. “Turn what you love into the 8K”, é a proposição mais marcante do anúncio da Samsung. No vídeo “Start experiencing the never-before-seen” mostram-se imagens, sons e frases que nos deixam tentados a novas experiências, sentimentos e descobertas, conseguidas através do detalhe e da profundidade, no alcance da compra do produto – “see the never before seen”, como o título do vídeo sugere.

Até nas mais simples tarefas diárias, utiliza-se meios tecnológicos, quase como “mordomos virtuais”, por exemplo o armário que trata a roupa, o ecrã que enrola e se esconde no móvel, ou simplesmente os novos equipamentos: o telemóvel Samsung de seis câmaras que abre e torna o seu ecrã maior, por exemplo. Todos estes, juntando às televisões dos anúncios, são constituídos como “paredes de imagem”, realidades aumentadas que nos fazem mergulhar por dentro delas, como uma experiência tridimensional.

Ana Rita Coelho

Hands-On with the Galaxy Fold

Televisão Vs Realidade

Desde o início do século XIX a humanidade procurava transmitir imagens à distância, como podemos verificar no século XX com o surgimento da televisão, foi possível ao homem capturar, produzir e reproduzir imagens cada vez mais realistas e apelativas, que chamam a atenção do espetador.

As primeiras televisões eram uma espécie de rádio com um dispositivo que consistia num tubo de néon com um disco giratório mecânico, que produzia uma imagem de cor vermelha do tamanho de um selo de postal, isto no ano de 1935 na Alemanha, na qual as imagens apresentavam fraca qualidade e o ecrã de pequenas dimensões.

Nos dias de hoje, as imagens apresentadas são nítidas, com uma paleta cromática bastante extensa, possuindo ainda a vantagem de serem perfeitamente móveis e de diversos tamanhos.

Sabe-se que a televisão tem o poder de nos oferecer reações, induzindo-nos de maneira a alterarmos a nossa opinião relativamente a qualquer tipo de assunto ou matéria. É, deveras, uma certa magia contagiante, uma espécie de caixa de “Pandora”.

As televisões transportam para as nossas casas tudo aquilo que é bom e mau. Ou seja, as imagens de televisão, vistas como as vemos, podem ser reais ou não. O que nunca são é totais e, muito menos, objetivas. Na realidade elas são o produto de decisão de uma pessoa aleatória. Por isso, naturalmente subjetivas.

Em suma, a televisão apresenta vantagens e desvantagens no ser humano. Por um lado tem a capacidade de educar, informar, instruir, ou seja, permite ao espetador estar atualizado, ser conhecedor dos mais variadíssimos temas, e ainda uma ferramenta fulcral no que concerne a divulgação de informação. Por outro lado, pode violar a privacidade dos espetadores. O ato de ligar uma televisão tornou-se tão inconsciente, que nem sequer nos apercebemos o quão influente se pode tornar nas nossas vidas.