A massificação da arte

A nossa relação com as artes tem vindo a alterar-se, sobretudo, devido à reprodução técnica. Esta alterou o modo como vemos as formas artísticas e gerou outras novas. Na reprodução, o aqui e agora desaparece. As obras reproduzidas não têm as marcas da original (marcas históricas). Apenas os museus guardam esses exemplares únicos da arte pré-medial e conservam a aura dos objetos originais.

A nossa experiência de determinada obra só existe através do processo de reprodução técnica. Conseguimos ter a experiência de várias obras de arte, mas nunca vemos a original. De acordo com o filósofo Walter Benjamin, com a reprodução técnica, a arte deixa de ser singular e única e as obras perdem toda a sua aura e autenticidade.

A visita virtual é um exemplo de como os meios digitais alteram a nossa visão da obra de arte. A Google tem um projeto chamado de Google Arts & Culture que nos permite visitar virtualmente muitos espaços culturais do mundo, utilizando tecnologia do Street View. Ao “transitar” pelas galerias, é possível visualizar imagens de obras com grande resolução. De facto, os espaços criados são completamente imersivos, o que faz com que os utilizadores se sintam como se estivessem realmente a visitar o local. Portanto, o ato de visitar está a ser remediado e até mesmo a obra é remediada, através da imagem fotográfica. Nós “visitamos” o espaço através de uma câmara virtual (que, de facto, não é uma câmara, mas sim um programa de computador) que simula outra câmara. Esta “câmara virtual” é feita de software em vez de lentes, objetivas e oculares. Neste projeto, a Google deu especial importância a determinadas obras, digitalizando-as por meio da tecnologia de gigapixel, o que permite a sua visualização até sete bilhões de pixeis.

Google Arts & Culture

Hoje, vivemos num universo onde a lógica de reprodução da arte domina a nossa vida. Mais uma vez, devido à tecnologia, deixamos de viver o real em prol do virtual. Na atualidade, toda a obra de arte é realizada a pensar na sua reprodução, de forma a ser facilmente divulgada e a alcançar o maior número de pessoas. Os media permitiram a reprodução das obras de arte, por vezes reproduções múltiplas, devido ao seu automatismo. Assim, os meios como a fotografia e o cinema têm como característica intrínseca da arte a reprodução. A reprodutibilidade técnica contribui, desta forma, para a massificação não só da arte como também da sociedade.

Gabriela Pereira

A arte de se expressar

O cinema e a reprodutibilidade técnica são inseparáveis. Não só na produção como também na sua reprodução, a técnica está presente no cinema e o seu aparecimento mudou completamente o comportamento do público diante da arte.

Segundo Walter Benjamin, considera-se o cinema como arte, partindo da comparação entre fotografia e filme. Na sua obra “A Obra de Arte na Era da Sua Reprodutibilidade Técnica”, publicado em 1936, é salientado o contraste de um ator cinematográfico para um ator de teatro.

No teatro, o ator enfrenta o público definitivamente através da sua própria pessoa, sem qualquer intervenção de aparelhos (câmaras). É ainda visível no ator de teatro, a ideia de continuidade no tempo (sem cortes).

Ao contrário do ator de teatro, na cinematografia, o ator apresenta-se indiretamente ao público, ou seja, não está diante dos espectadores, mas sim de aparelhos (câmaras). Atua em frente a uma equipa técnica que filma as suas cenas. No cinema, a imagem é como uma representação do real, onde o espectador pode perceber o “mundo” que não tinha consciência de aceder. Benjamin declara que a câmara é como a nossa primeira vez no inconsciente ótico.

“A Sétima Arte”

Para ele, o ator de cinema perde a sua aura, a forma singular composta de elementos espaciais e temporais. Isto traduz-se, no facto de o corpo do ator ser usado nas câmaras, tornando-o como um “simples acessório”. O espectador é, então, hipnotizado pela imagem que vê.

Assim, a partir da teoria de Benjamin, podemos concluir que no cinema “a reprodutibilidade técnica do filme tem seu fundamento imediato na técnica de reprodução.”

Ana Rita Coelho

What is the substantial relationship between Art and Media?

The media encompasses the field of culture and occupies a particular position in the vital sphere of man.

They are automatically transcribed as predominantly artistic instruments.

Media and Art: one only relationship.

In other words, the greatest difference between art and multimedia is found in the medium involved, that is, the used instrument. In this case, the device used assumes the role of an “artistic medium.”

Thanks to this effect, we can take part in the story of photography and the history of cinema. All these components have the ability to transform into artistic forms. Therefore, through all those historical processes the media integrated themselves as devices for artistic communication. So the history of art and the art of the media maintain a relationship almost of symbiosis.

The history of media and art history try to know how the media has been incorporated into the artistic process, and also how is that the same media can be transformed into  artistic media. In this course there exists a module called “archaeology of multimedia art”. It consists of identifying in the history of art of the twentieth century the use of the computer as a tool of creation and we can also see all the examples of artistic practices, which we try to add as components in the world of art and multimedia or simply by adding different media.

In conclusion, our experience today concerns a multimedia path that revolves around the sphere of communication.

“Art is communication”.

Stefania D’Aquila

O ator por palcos distintos

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A reprodução técnica, presente no cinema, é indispensável à produção de um filme. Isto faz com que a arte e a tecnologia se juntem para a criação de uma obra, pois para Walter Benjamin o filme “é uma criação da coletividade”. Mas mesmo que o ator desempenhe a mesma função, este acaba por ter significados diferentes na forma como é visto pelo público.

Para Walter Benjamin o ator de cinema é um dos aspetos não-artísticos da realização de um filme. O ator não atua em frente a um público mas sim em frente a uma equipa técnica que filma as suas cenas várias vezes e que depois faz uma seleção. Essa seleção já não fica ao cargo do ator mas sim de quem está a realizar o filme pois a obra é dele.

No teatro isso já não ocorre da mesma maneira. O ator tem de atuar em frente a um público. Antes das atuações o ator tem de ensaiar com uma equipa técnica que o guia e o ajuda na sua performance, mas quando atua em frente a uma audiência ele já não pode errar. A performance que fez naquele momento não pode ser alterada e de todas as vezes que voltar a fazer a peça, a sua performance vai ser diferente.

A profissão é a mesma. Se formos pesquisar o significado de ator apenas aparece, “pessoa que finge”. E tanto no cinema como no teatro o ator realiza o mesmo trabalho, ele representa um papel, ele finge ser outra pessoa. A única diferença é que o ator de teatro tem simplesmente de se apoiar nele próprio enquanto que o ator de cinema tem uma maior ajuda técnica e pode criar cenários que no teatro não são possíveis.

Um exemplo dessa distinção pode ser encontrada no teatro musical “Cats” de 1981 e na versão cinematográfica de “Cats” em 2019.

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DVD do teatro musical “Cats” apresentado em 1981

 

Como podemos olhar para o exemplo da capela sistina e enquadrá-la nas obras de McLuhan, Jay David Bolter, Richard Grusin e Walter Benjamin?

As pinturas no teto da Capela Sistina podem ser olhadas da prespetiva de um dos meios que utilizam: o suporte que é a parede para nos chamar a atenção do quanto são importantes: “o meio é a mensagem”, por mais que se refira a meios mais tecnológicos também nos diz como uma narrativa religiosa necessita de um espaço apropriado para ser efetiva na mensagem que têm a transmitir. Seria uma obra enquadrada na era da cultura visual, onde ainda se privilegiava este sentido. Por outro lado, as técnicas de representação utilizadas nas pinturas – como a prespetiva linear – funcionam como lógica da transparência do meio segundo Bolter e Grusin, enquadrando-se, assim no seu conceito sobre imediacia. Uma vez que as pinturas são renascentistas, o objetivo seria criar representações o mais próximo do real possível, naturalizando todas as figuras e disfarçando ao máximo as técnicas utilizadas. É o contrário daquilo que veio a acontecer após a invenção da fotografia, quando muitos pintores impressionistas, como Van Gogh quiseram assumir as suas pinceladas e as técnicas que utilizam nas suas produções artísticas, destacando-se por começar a criar um afastamento do “realismo” ao mesmo tempo que acompanham a ideia da fotografia de querer “captar o momento fugaz”. Por fim, quanto a Walter Benjamin, o teto da Capela Sistina representa o ideal de obra de arte uma vez que foi criada para existir num tempo e num espaço específico, reunindo todas as condições para que se lhe preste culto. No entanto, com os meios tecnológicos que conseguem descontextualizar as pinturas existentes no teto da capela transpondo-as para filmes, fotografias, elementos e objetos mercantis – como t-shirts, tênis etc, é perdida a aura da obra de arte de forma irreversível.

Raquel Pedro.

 

“Noite estrelada” de Van Gogh
Capela Sistina

Os Média no Abstracionismo

A arte gótica surgiu entre os séculos XII e XIV em França e expandiu-se rapidamente por toda a Europa. No final do século XIII, a arte bizantina alcançou o seu poder expressivo, através do uso inconsciente da perspetiva. No entanto, estava em processo de ser substituída por novas técnicas mais realistas.

O pintor italiano Giotto di Bondone, considerado o explorador da perspetiva na época, foi o primeiro a utilizar a ideia de profundidade. Os frescos eram surpreendentemente realistas. Neles as figuras transmitiam emoção através de gestos e expressões simples, enquanto o pintor guiava o olho do espetador através de histórias pelo uso da perspetiva profunda, fornecida pelo fundo azul-escuro no céu. Ainda assim, as criações de Giotto não eram comparáveis aos sistemas de perspetiva linear, usados nas obras de arte do Renascimento.

 

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Entre meados do século XIV e finais do século XVI, o Renascimento dominou a perspetiva, apresentando nas suas obras os pontos de fuga. A utilização desta característica na pintura modificou totalmente as normas artísticas comuns. Daí em diante, os pintores começaram a utilizar a interseção de duas ou mais linhas, em que todas convergiam ao centro, colocando o olhar na direção do horizonte e tornando a perceção mais semelhante ao olho humano.

Os séculos seguintes ficaram marcados pela aplicação intensiva da perspetiva e consequentemente pela obsessão de tornar as representações pictóricas em realidade. A pintura perdeu o desejo de substituir o mundo exterior com o aparecimento da fotografia, na qual o real se tornou efetivamente autêntico. A partir do surgimento das imagens obtidas por câmaras fotográficas, a pintura substituiu as convenções tradicionais por novas ideologias exploráveis e progressistas. O rompimento do código da perspetiva fez com que se manifestasse uma corrente artística singular, o Modernismo.

O Modernismo surgiu na primeira metade do século XX e causou um grande impacto na pintura. Em Portugal, atingiu as várias artes, contudo na pintura em específico, um dos seus grandes precursores foi Amadeo de Souza-Cardoso. As suas obras estavam intimamente ligadas a movimentos anteriores, nomeadamente ao abstracionismo. Esteticamente, introduziu técnicas inovadoras, particularmente os elementos caligráficos geométricos, assim como a mistura de várias cores e ideia de movimento.

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Amadeo de Souza Cardoso (1907) – “Entrada”.

A obra “Entrada”, por exemplo, foi produzida com tintas a óleo, em 1917. A sua menção é relevante, devido ao fato do uso de vários meios, tais como: diversas tintas, colagem de vidros e fósforos, madeira, entre outros materiais. Nesta obra são visíveis todos os sentidos, a audição (viola), o olfato (flores), o tato (utilização de camadas com várias grossuras e texturas), o paladar (fruta) e por último a visão (notório nas cores vibrantes e nas variadas formas simétricas). É notório que não existe profundidade na pintura e o olhar se dirige para todos os sentidos.

Amadeo, utilizava igualmente outra técnica inovadora e interessante, o “estêncil”. O estêncil é uma prática usada para gravar inscrições em várias superfícies, através de um papel acetato cortado e preenchido com tinta. Todas as obras do autor incluíam a sua assinatura ou várias expressões, que até então não eram aplicadas por outros pintores.

 

A “Entrada” é um exemplo de diferença e transcendência das regras que regiam a arte na época em que Amadeo viveu. Todos os meios manuseados nas suas produções, tornam as obras num meio comunicativo que cada espetador interpreta de forma distinta. O seu papel na arte modernista, pode ser considerado precursor, no avanço da técnica multimédia, uma vez que eram utilizados múltiplos meios na conceção das suas obras.

Bárbara Videira

A sensação da obra versus a sua representação

Quando recorremos aos escritos de Walter Benjamin notamos uma vontade de pensar a reprodutabilidade da qual as obras de arte se vêem (hoje) sujeitas, sendo que isso produz tanto vantagens como desvantagens.

Desde os primórdios da criação artística que esta sugere a sua apreciação e contemplação estética, embora a disciplina só se tenha consolidado na transição do século XVII para o século XVIII. A atitude estética que uma obra invoca é absolutamente essencial para o seu conhecimento e estudo, tornando-se imprescindível o contacto direto, em primeira mão, com a obra. Tal como Benjamin refere, a obra material e única abarca uma aura que é inerente a si mesma, uma marca contextual histórica que só existe naquele tempo e naquele lugar concretos. Ora, com a reprodução técnica de uma obra de arte e a sua divulgação massificada, perde-se precisamente essa unicidade e empatia para com a obra, que necessita de tempo e de oportunidade de relação com o observador, um dado que é vigente aquando do contacto direto deste com uma determinada obra.

Este argumento vê-se sustentado, por exemplo, com obras de arte do século XX e XXI, como as estruturas escultóricas de Richard Serra, que incitam precisamente ao contacto presencial com as suas obras, ao tato, ao movimento pela obra, à sonoridade que se gera, pois as sensações que estimulam são completamente distintas da sua reprodução fotográfica, sendo que não há como substituir a dimensão tátil, sonora e percetiva do contacto em primeira mão.

Richard Serra, Torqued Elipses

Por outro lado, não se deve desconsiderar a reprodução fotográfica das obras, dado que têm inúmeras vantagens para o estudo das obras. A fotografia permite-nos uma série de benefícios: a) é crucial para a preservação de património que se encontra destruído, funcionando como uma memória cristalizada daquela obra; b) permite criar comparações entre várias imagens, sedimentando o seu estudo iconográfico; c) permite aceder a diferentes ângulos e luminosidades que, presencialmente, nem sempre são possíveis (devido ao posicionamento das obras), dispondo assim de detalhes minuciosos que apoiam o seu estudo.

No fundo, a era tecnológica e os seus meios são-nos fulcrais e não devemos dispensá-los, porém também devemos manter um distanciamento crítico quanto a eles, para não mergulharmos de tal modo que nos esqueçamos que somos seres vivos reais com uma perceção sensorial do mundo, que altera de modo impactante a nossa relação com os seres e os objetos.

Aura

Aura de uma obra de arte é o conceito criado por Walter Benjamin aquando da sua obra The Work of Art in the Age of Mechanical Reproduction escrita em 1936. De acordo com a sua definição e aplicação, a aura da obra de arte tanto pode ser a sua luz como a sua sombra. Isto é, Benjamin, defende que toda a obra de arte tem como que uma espécie de alma que lhe concede a sua essência única e uma identidade, é a sua projeção no tempo e espaço. No entanto este mesmo brilho perde a sua luminosidade quando se reproduz a mesma obra de uma forma massificada.

O que garante a autenticidade e unicidade à obra desaparece, no momento em que o virtuosismo e o conjunto de características, que lhe concedem um caráter de excelência, se transformam em “imagens de marca” que fazem com que a obra, ao ser reproduzida, esteja acessível a toda a gente em qualquer altura e momento, apagando-se assim parte do seu valor artístico e estético.

Walter Benjamin diz ainda que este desejo de tornar próximo o que é naturalmente distante, está relacionado com a perceção de igualdade universal que existe entre as coisas. Acrescenta que esta atingiu tal dimensão que retira ao objeto a sua unicidade através dos meios de reprodução.

Esta é realmente uma questão muito pertinente atualmente, já que a reprodutibilidade técnica está cada vez mais evoluída e presente nas nossas vidas.

No entanto, a meu ver, a reprodutibilidade de uma obra, por meios digitais, permite a muita gente ter acesso a certas pinturas, por exemplo, o que não seria de todo possível, se não fosse através destas ferramentas.

Será que a democratização das obras de arte compensa, em certa medida, a perda da aura das mesmas?

 

“Global Groove” 1973 de Nam June Paik

Global Groove é um dos projetos mais influentes na história da videoarte. Caracteriza-se por ser uma junção de colagens inseridas na cultura pop, pela sua edição técnica e colaborações de artistas avant garde.

Após a visualização do vídeo surge um sentimento satisfatório quase utópico da conexão que criamos com a era digital. O projeto apresenta desenhos, gravações e dois corpos que simbolizam um “ritmo global” no sentido em que cada um deles antecipa o futuro e representa uma determinada época. A linguagem em consonância com a tecnologia provoca um impacto global, como por exemplo ao intercalar anúncios da Pepsi com uma performance de John Cage, Allen Ginsberg e Merce Cunningham.

“Electronic Super Highway”

Nam Paik

A citação referida remete a um conceito que abrange a comunidade global unida pela arte e pela tecnologia.

É importante relacionar estas obras com um movimento que ficou conhecido pelo nome “Fluxus”. Foi um movimento que juntou artistas como Cage e Duchamp, que continha ideais estéticos essencialistas, uma postura anárquica e critica, um espírito anti arte e acima de tudo tinha como objetivo ligar a arte ao mundo da tecnologia através da sua interdisciplinaridade e dos seus projetos artísticos. Sugeriu novos modos de criação artística pelo uso da videoarte e da performance, principalmente a vídeo arte que possibilitou uma divulgação da arte pela sua apropriação do vídeo e do cinema.

Fazer arte não deveria ter limitações, a arte vem do artista dando prioridade apenas às suas questões estéticas.

Nam June Paik critica a televisão pela sua manipulação da imagem no aspeto em que se quer libertar da imagem comercial. Até então, os conteúdos televisivos eram censurados ou passavam por um processo de seleção e, o vídeo ficou como uma alternativa democrática e livre. Daí a ligação simbólica com os anúncios japoneses contidos no início do Global Groove:

“This is a glimpse of the video landscape of tomorrow, when you will be able to switch to any TV station on the earth, and TV Guide will be as fat as the Manhattan telephone book.”

Este projeto de videoarte ficou conhecido por ser um conjunto de elementos multiculturais e figuras artísticas que caracterizaram a cultura POP dos anos 70 com a sua postura pós moderna, conteúdo e estratégias conceptuais que deixaram a sua marca e influência na história da arte contemporânea.

Bárbara Catalão

Arte Medial

A “Arte Medial” ou “New Media Art” remete-nos a obras de arte que são criadas através das novas tecnologias dos media, ou seja, toda a arte digital, por exemplo: fotografia; arte na Internet; impressão 3D. Algumas destas podem ser vistas como a evolução de artes mais antigas como a pintura, a escultura, etc. 

As origens da Arte Medial começaram no final do século XIX, temos o exemplo do “zoetrope” (zootrópio) que consistia numa animação composta por um tambor circular, com pequenas janelas recortadas, através das quais o espectador olha para desenhos dispostos em tiras, ao girar, o tambor cria uma ilusão de movimento.  

Em 1958, Wolf Vostell torna-se o primeiro artista a incorporar uma televisão numa obra de arte, chamada “The Black Room Cycle”. 

Durante a década de 60, com o desenvolvimento das novas tecnologias de vídeo, Nam June Paik e Wolf Vostell apresentaram 6 TV Dé-coll em Nova Iorque. 

Com o desenvolvimento da computação gráfica no final da década de 80 e as tecnologias em tempo real da década de 90, combinadas com o desenvolvimento da Internet, proporcionaram o surgimento de novas formas de arte interativa, por exemplo a “Arte Telemática” de Roy Ascott, Paul Sermon e Michael Bielicky, que consiste numa fusão de projetos de arte que utiliza redes de telecomunicações utilizando o computador como meio. 

Falando da forma como a Arte Medial é ensinada, os alunos aprendem a identificar o que é ou não novo sobre certas tecnologias e artes, aprendem a classificar as plataformas tecnológicas emergentes e colocá-las em um contexto de comunicação, produção e consumo.

Desta forma, a ciência da tecnologia está constantemente a proporcionar novas ferramentas e plataformas para os artistas melhorarem o seu trabalho. 

Web Summit – O futuro em Lisboa

O Web Summit decorreu entre os dias 4 e 7 de Novembro de 2019, dividido entre o Altice Arena e os pavilhões da FIL, em Lisboa.

A edição deste ano contou com mais de 1200 oradores, de diversas partes do mundo, e cerca de 70.000 pessoas visitaram a feira no correr da semana.

Os pavilhões estavam divididos em 5 grandes polos onde nos intervalos dos mesmo haviam espaços de restauração para que quem visitasse a feira pudesse ter a sua refeição sem perder as apresentações que queria ver. 

Grande parte do “staff” desta mega cimeira de tecnologia era constituída por voluntários de diversas idades que estavam também divididos por áreas, sendo-lhes dado uma tarefa e um horário a cumprir. Por cada 12 horas de trabalho o voluntário teria direito a um bilhete grátis para visitar a feira quando quisesse.

A feira contou com a presença de CEO’s, investidores, startups, presidentes de empresas, atores e até membros da comissão europeia.

Existe ainda o Night Summit, onde todos os participantes se juntam em lugares noturnos de Lisboa e trocam ideias com outros membros de startups e até mesmo investidores que se interessaram a ideia que estava a ser apresentada. É a forma mais informal e mais direta de criar conexões e expandir uma empresa.

No geral a feira é muito bem organizada e tem imensas palestras e atividades todos os dias, dando uma experiência incrível e única a todos os participantes.

Júnia Guimarães

A (falta da) escrita nos tempos modernos

Da escrita antiga até a escrita moderna passaram-se longas décadas.

Era impossível imaginar, em meados do século XIX, quando surgiu a primeira máquina de escrever, que nos tempos que correm a população apenas precisasse de dizer um “olá siri” e a tecnologia desenvolvida iria escrever automaticamente tudo o que nós ditássemos.

A escrita começou por serem desenhos numa gruta, depois começaram-se a usar sinais de fumo para comunicar, mais tarde começou a surgir a escrita em papel, caligráfica. Com o passar dos anos desenvolveu-se uma máquina de escrever conhecida também como máquina datilográfica, que era um instrumento mecânico constituído por teclas que quando eram carregadas imprimiam um caracter numa folha de papel. A primeira máquina produzida em grande escala foi criada por volta do ano 1874, com um teclado pensado por Christopher Latham Sholes.

Nos dias que correm tudo o que é preciso fazer é iniciar um ditado no nosso telemóvel, através da siri, ou da alexa, e o aparelho irá escrever tudo o que estivermos a dizer em voz alta, e posteriormente enviar a quem queremos sem sequer carregar numa única tecla. As cartas deixam de ser tão vistas como antigamente e as sms começam a explodir nas notificações do nosso telemóvel ou computador. Esta evolução tanto pode ser positiva como negativa, a facilidade das coisas não é necessariamente uma evolução que afete positivamente as nossas vidas. Com mais tecnologia mais expostos estamos a ondas magnéticas, e a falta de necessidade de raciocínio torna-se maior pois temos tudo ao nosso alcance. 

Sem erros, sem mexer as mãos, sem a demora de escrever.

Júnia Guimarães

Modernização dos Media

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É incrível como o mundo tecnológico e digital tem vindo a evoluir ao longo dos anos. Comunicação, escrita e imagem (estática e/ou em movimento) são alguns dos meios onde é notório um maior crescimento e inovação.

Graham Bell e um dos telefones criado por si.

Começando pela comunicação, não foi até ao ano 1875 que Graham Bell e seu auxiliar Thomas Watson iniciaram uma série de experiências para criar e perceber o funcionamento do telégrafo harmónico, primeiro dos aparelhos que, a longo prazo, iria resultar nos telemóveis e smartphones que hoje utilizamos. Houve um grande espaço de tempo em que o Ser Humano evoluía e explorava outras formas primordiais da comunicação. Quando os seres humanos entraram na Idade da Fala e da Linguagem, com o aparecimento do Cro-Magnon, uma forma de Homo sapiens, começaram a comunicar entre si através de representações de animais e seres humanos em osso, pedras, entre outros. Avançando um pouco no tempo, há uns cinco mil anos atrás, decorreu a transição para a Era da Escrita, fase em que a escrita foi inventada de forma mais independente, em múltiplas partes do mundo.

prensa de tipos móveis (ou, prensa móvel)

A meados do século XV, seguiu-se a Idade da Imprensa, originada na cidade de Mainz, na Alemanha. Foi produzido o primeiro livro, utilizando uma prensa de tipos móveis fundidos em metal. Esta tecnologia inovadora espalhou-se pela Europa e daí para outras partes do mundo. Emerge, então, a Era da Comunicação de Massa, sendo esta a mais próxima da atualidade. Iniciou-se no século XIX, com o surgimento de jornais e média elétrica como o telégrafo e o telefone, e continua a sua evolução com a invenção do filme, rádio e televisão para grandes populações.

Relativamente à imagem, começamos pela imagem pictórica. Eram utilizadas diversas Artes Visuais para esta representação, desde a gravura e pintura à fotografia. O Ser Humano usava estes métodos, não só para comunicar com outros, inicialmente, como para se expressar. Por sua vez, a fotografia/imagem estática inspira ao estudo e criação da imagem em movimento. Começou por instrumentos como o Zootrópio, que se baseava no sentido literal de “imagem em movimento” – eram colocadas várias imagens em sequência num aparelho e o movimento desse aparelho resultava nas imagens juntas, como uma animação. Após esta, outra grande e importante inovação foi o Cinematógrafo, criado pelos Irmãos Lumière, em 1895. A partir desse aparelho até aos equipamentos usados atualmente, houve e continua a haver constantes mudanças e melhoramentos, tornando o ato de gravar um vídeo ou um filme possível para qualquer pessoa e, por vezes, confirmando o conceito comum de que a quantidade não significa qualidade. Enquanto antigamente a aquisição destes aparelhos era restrita a pessoas com possibilidades, atualmente, qualquer um pode gravar um vídeo ou um filme de boa qualidade através das suas câmaras ou até mesmo de equipamentos como telemóveis, tornando a Sétima Arte menos única.

É aí que a comunicação, escrita e registo de imagem se interligam. Cada vez mais, tudo se concentra nos nossos telemóveis. Algo que foi inicialmente criado, somente, para facilitar a comunicação, e que nem sempre foi um equipamento para cada indivíduo, mas sim para um grupo, tem vindo a ser melhorado e modernizado para tornar outros fatores da vida diária das pessoas mais fácil, por vezes, em demasia. Com eles, é possível fazer tudo ou quase tudo. Conseguimos fazer chamadas e mandar mensagens internacionalmente, tirar fotografias e gravar vídeos de qualidade, gravar áudios, ouvir música, ver filmes, saber o que se passa em qualquer parte do mundo e outras coisas que fazem parte da rotina do quotidiano como agendar eventos, guardar notas, marcar alarmes, encomendar comida ou arranjar boleia, sem ter de utilizar transportes públicos ou o seu próprio carro; O motorista vai ter com o cliente, em vez do cliente ir para um local específico para “apanhar” o transporte à sua disposição.

Joana Martins

A relação

Surgiu em 1895 e desde então que não para de mudar. A Sétima Arte dá-nos a oportunidade de ver    representados aqueles que sonharam alto, mas falharam. Aliando-se a outras formas de arte, o cinema permite-nos contar e ver histórias. Para além de nos contar variados tipos de narrativas faz-nos pensar nas relações que temos com outros e connosco, levando-nos a momentos de introspeção. 

Ao longo dos seus anos de existência, a indústria cinematográfica aprendeu a interagir com outros tipos de arte como a arquitetura, a escrita e a música. A primeira acaba por ser inerente. São raros os filmes em que não temos cenários ou edifícios a ter uma aparição. Estes elementos tornam-se fundamentais quando estamos a contar uma narrativa, podendo, por vezes, ter um papel fulcral e ser a personagem principal. Como exemplo disso temos filme de Joe Talbot, The Last Black Man In San Francisco. Tal como diz Juhani Pallasmaa, o cinema e a arquitetura partilham o objetivo de articular espaços vividos. Em vez do filme de Talbot, podemos pensar no Inception, de Christopher Nolan. A arquitetura tem na obra uma importância avassaladora. Construções que aparecem e desaparecem, o imaginário e o real em constante interação e cidades novas a serem construídas. Tudo isto de forma a representar jogos psicológicos. Outros filmes que mostram a relação existente entre o mundo do ecrã e o real são o The Grand Budapest Hotel, de Wes Anderson, onde temos a arquitetura a aparecer com enorme destaque, ou até o The Truman Show e  The Shinning

Para além disso, a relação que estes dois géneros de arte têm é um poderoso meio de inspiração e transmissão de ideias em relação à arquitetura e espaço urbano. 

Fonte: The New York Times
Fonte: ArchDaily

“Exhume those bodies. Exhume those stories – the stories of the people who dreamed big and never saw those dreams to fruition, people who fell in love and lost.” A escrita e a música são dois tipos de arte que uma vez unidos ao cinema, podem fazer exatamente o que Viola Davis disse no seu discurso, nos Óscares, em 2017. Desde os seus primórdios que o cinema adapta histórias de livros para criar filmes e usa a música para influenciar o grau de envolvimento do espectador e despertar nele emoções. À semelhança da arquitetura, pode funcionar como componente secundária, ou parcial, para desenvolver e intensificar a narrativa de um filme. Temos como exemplo disto o If Beale Street Could Talk, adaptado da obra de James Baldwin, o 12 Years a Slave, adaptação da obra de Solomon Northup e um dos casos mais conhecidos, Harry Potter

Pedro Terrantez

When the cloud runs out of battery

Internet comparte raíz con el concepto de interdependencia. Ambos ven su inicio en el siglo XX y viven su esplendor como términos durante el siglo XXI. La interdependencia es la noción de que los seres humanos no somos completa y absolutamente autosuficientes, no podemos vivir aislados. Sobretodo en determinadas fases de nuestra vida como la niñez, la vejez o la enfermedad, pero tampoco los adultos de mediana edad pueden tener una vida positiva en los marcos de un mundo radicalmente individualista.

Internet puede tener una base común con este concepto que atraviesa todas nuestras vidas. Es la prueba material de que en un mundo en el que prima la individualidad, la soledad y lo singular en el mundo físico, abrimos otras ventanas para conectarnos entre nosotras en el mundo cibernético. Internet es una red que nos conecta como nuestra red de afectos nos conecta en el mundo no cibernético.

¿Cómo y en qué direcciones nos conecta? Es especialmente interesante esta cuestión si tenemos en cuenta que las redes o conexiones materiales se encuentran físicamente en determinados puntos del mundo. No son casuales los lugares físicos y materiales en los que se encuentran y son muy similares a las primeras conexiones de sonido y electricidad que se realizaron años atrás. Algunos se sitúan en esos lugares por favorecer la instalación, por cuestiones medioambientales o por cuestiones económicas y geopolíticas como podemos comprobar en el siguiente mapa.

Esta nueva interdependencia llamada internet es, al igual que nosotras, ecodependiente. Depende por completo de los recursos del planeta para hacerse posible. Los materiales con los que se construyen los aparatos electrónicos y la propia electricidad son finitos y tienen sus propios ritmos y límites. Hoy en día somos sujetos internetdependientes y como tales, dependientes de la electricidad. Cada día con más frecuencia archivamos y guardamos fotografías, música, libros y otros textos en el almacenamiento de nuestros dispositivos o en “la nube”, la inmaterial nube de internet. En muchas ocasiones no tenemos copias físicas de todos estos archivos por lo que generamos un arte y una maquinaria completamente dependiente de la electricidad, un elemento sobre el que tenemos poco poder, control o autoridad como ciudadanos y trabajadores europeos. Un elemento controlado por manos ajenas que en cualquier momento podría perder su continuidad y acabar con todo el conocimiento depositado con infinita confianza en estos cables y señales eléctricas.

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A Inovação dos Média Digitais

O aparecimento da Internet trouxe muitas mudanças na forma como consumimos média. Esta rede permitiu uma maior facilidade de distribuição de conteúdo globalmente e ajudou a criar novas formas de média.

No que toca à imprensa, hoje em dia todas as publicações, quer revistas quer jornais, têm agora uma plataforma online onde podemos encontrar todo o seu conteúdo escrito, juntamente com conteúdo exclusivo online. A maior parte delas até oferecem uma opção de assinatura online em que o consumidor recebe a sua edição impressa mas num formato online. A Internet provou ser uma plataforma tão positiva que a imprensa

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Última edição especial impressa da Blitz

tem investido mais nesta área. Podemos ver este fenómeno com a revista portuguesa mensal de música “Blitz“, fundada em 1984, foi em 2018 que Miguel Cadete, diretor da revista, anunciou que a versão impressa deixaria de ser distribuída, (à excepção de cerca de 3 edições especiais por ano), e em vez de tal se iam dedicar a criar conteúdo para as plataformas digitais visto que segundo o editor, viam muito mais tráfego na sua versão online que tinha cerca de 2 milhões de visualizações por mês.

 

 

No que toca a Televisão, os serviços de streaming chegaram para abalar a concorrência. Oferecendo um grande leque de séries e filmes que são atualizados mensalmente a um preço muito mais competitivo do que um serviço de televisão por cabo, a nova geração opta pelos serviços de streaming como Netflix, HBO Go, Hulu Plus, entre outros, e deixa a televisão a “apanhar pó”. Mas esta não é a única competição que a Televisão enfrenta. Plataformas de vídeos online como o Youtube e o Twitch, completamente gratuitas e com conteúdo quase infinito, são cada vez mais uma opção popular, até crianças prestam agora mais atenção a desenhos animados no ecrã mínimo do Youtube do que propriamente em canais de televisão infantis. As operadoras de Televisão no entanto, têm criado parcerias com os serviços de streaming para atrair os clientes mais jovens, tal como a Vodafone que oferece o serviço HBO Go na sua box de tv. Para além disto, operadoras como a Nos e a Meo desenvolveram aplicações para o computador e smartphones para os cliente poderem visualizar os seus canais favoritos de maneira “portátil” juntamente com outras funcionalidades que tipicamente só estavam disponíveis na box.

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Publicidade da parcerias da Vodafone com a HBO

 

Estes exemplos são prova viva de como os tempos mudam e as novas tecnologias criam uma revolução nos média que se adapta aos tempos em que vivemos.

Influência e Mutação

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Chegar a casa, pegar no comando, ligar a televisão e assistir a um filme. Parece um hábito comum e quotidiano, mas nem sempre decorreu desta forma. A evolução da imagem sonora, realista e em movimento que hoje vemos em qualquer dispositivo, dependeu de experiências e trabalhos científicos que modificaram gradualmente o panorama anterior.

Remetamo-nos ao século XIX, com a invenção do fonógrafo de Thomas Edison. Com este aparelho surge a oportunidade de inscrever a voz humana, juntamente com a sua entoação e ritmo particulares num dispositivo, que a apreendia e transmitia. Na mesma época, recebemos o contributo de Eadward Muybridge que fotografou sucessivamente animais – em Animal Locomotion – e organizou uma sequência de fotografias de modo a demonstrar o movimento contínuo destes animais. Um dos exemplos mais ilustres deste experimento foi o galopar do cavalo, que veio descredibilizar a pintura de Géricault “Corrida de Cavalos”, de 1821, que se tratava supostamente da captação do movimento real do cavalo; Neste exemplo é notória a capacidade que a fotografia tem de demonstrar com maior fidelidade a realidade e, por isso, a pintura perde algum do seu território neste campo e assistimos à sua remediação na área da fotografia. Começamos a entrever onde estes dois contributos viriam a culminar décadas mais tarde: na imagem em movimento e na sua sincronização (conseguida em 1920) com o som gravado, isto é, no cinema tal como o conhecemos hoje.

Théodor Géricault, Derby Epsom, 1821
Eadweard Muybridge, Animal Locomotion

Podemos perceber, portanto, que os media se apropriam de formas convencionais de arte, dando origem a novos mecanismos, técnicas e meios: a fotografia dá origem à imagem em movimento e esta, por sua vez, com a montagem dos vários fotogramas, dá origem ao cinema, possibilitado pela criação do cinematógrafo. Assim, percebemos que a Era Digital, tal como a conhecemos hoje, dependeu de uma história complexa, com realizações e estudos concretos no passado. Se hoje temos acesso a um vídeo no nosso smartphone de um momento que não presenciámos, isso teve uma íntima relação com toda a história anterior.

É neste sentido que se torna importante realçar a importância da arqueologia dos media, como forma de entendimento do que estes são e representam e da nossa relação com eles. As formas artísticas mediadas que herdamos hoje partiram sempre de um lastro de influências e evoluções, que no fundo é como ilustra a célebre frase de Picasso “o artista opera na base de uma cultura sedimentada e difusa, que a sua busca contribui para alargar, aprofundar ou mudar”.

Máquina de escrever: O antes e o depois.

No século XV, o alemão Johannes Gutenberg procedeu ao desenvolvimento de tipos móveis em metal, assim como o aperfeiçoamento da prensa tipográfica. Tipos estes inventados anteriormente pelos chineses.


Tipos Móveis em Metal (Museu de Artes Gráficas de Leipzig, Alemanha, Foto Regina Delgino)

A tipografia, arte e sistema de criação na composição e impressão de um texto no formato digital ou físico, chegou a uma conclusão no ano de 1450 graças ao alemão Gutenberg, na qual apresentou uma relação com a máquina de escrever (tipográfica).

A invenção deste dispositivo de escrita deu-se no ano de 1714 por parte de Henry Mill, com introdução do sistema de teclado em 1808 pelo italiano Pellegrino Turri e ainda o aperfeiçoamento e maior rapidez do modelo criado pelo norte-americano Carlos Thuber. Até ao século XIX o unico formato de escrita era manual (por exemplo, instrumentos como barro usado na antiguidade, penas de aves, etc).

Neste contexto e em contraste, apareceu a caligrafia, que funcionava como uma espécie de assinatura, ou seja, a projeção do sujeito/indivíduo em questão (que está a escrever). Veja-se por exemplo, nos séculos XVII e XVIII, quando surgiram os primeiros manuais de caligrafia, que serviam para a prática da escrita. Esta mesma depende de um extenso processo de aprendizagem (níveis de aprendizagem) cada vez mais complexo, que tem como objetivo ensinar a escrever de forma que as letras sejam ligadas umas às outras por outras palavras entre si.

As máquinas de escrever foram usadas em fábricas, não com a função de fabricar, mas com utilidades a nível administrativo de todas as atividades. Esta máquina tornou-se um instrumento burocrático, um elemento de uma sociedade complexa. Por sua vez, a máquina de escrever vai abstrair o código da escrita, criando um teclado que representativo da escrita. Um maior distanciamento entre o sujeito e a escrita é verificado devido à exposição de modo explícito do código de escrita (alfabeto), proporcionando uma mudança na forma de escrita.

Em suma, com o aparecimento da máquina de escrever, determinadas convenções vão ser transformadas/modificadas no que concerne à escrita e respetivos modos de escrever, como por exemplo, a máquina de escrever acabar com a “alma”, o facto de a unidade da máquina ser a folha, ou até mesmo de a própria noção de espaço de escrita alterar-se.

Caligrafia Moderna

Apesar de hoje ser um objeto ultrapassado, a máquina de escrever como tecnologia tem um enorme significado cultural. Criada no século XIX, a nova forma de produção da linguagem revolucionou a sociedade e todos os segmentos ligados à escrita, que até então era à mão: reproduzia-se a caligrafia, que permitia (e ainda permite) uma projeção do indivíduo daquilo que ele escreve, ficando a sua assinatura marcada materialmente. A nossa caligrafia é, portanto, uma marca da nossa singularidade.

Com o passar do tempo, a escrita vai se generalizando gradualmente, fazendo com que se torne complexa ao ponto de exigir adaptações. Havia a necessidade de uma escrita mais rápida, de forma uniforme, que seria legível para todos, ou seja, foi inevitável criar o mecanismo de burocratização da escrita para atender os anseios de uma sociedade mais complexa.

À medida que a sociedade se torna mais complexa do ponto de vista técnico e social, é necessário criar um sistema de registro, sobretudo na gestão e na administração do setor de produção. Dessa forma, as máquinas de escrever são introduzidas em uma instituição que visa economia, sobretudo de tempo e função.

Subtraindo trechos de Fernando Pessoa, em períodos modernistas e pré-modernistas, temos uma carta escrita a Armando Côrtes-Rodrigues em janeiro de 1915: “É pena que vá tudo em letra de máquina que torna a poesia pouco poética, mas assim é mais rápido e nítido”. (Pessoa, 1999) Nessa altura, o escritor não tinha uma ligação profunda com a máquina de escrever, o que muda no final dos anos 20. Em 1929 já escreve a João Gaspar Simões: “Vai a máquina porque assim a letra é clara e a resposta mais livre dos empecilhos da escrita…” (Pessoa, 1999)

Observamos claramente que a máquina de escrever vai sugerir outras formas de remediação. A máquina cria uma distância significativa entre a escrita e o sujeito, que é o que acontece quando se escreve em um teclado, uma vez que há códigos limitados. Porém, no processo de adaptação, a sociedade percebe que ela é necessária, pois é como uma continuação do pensamento do autor, sendo um veículo de pensamento “rápido” e “nítido”, mesmo havendo individualidade, e nem sempre obedecendo aos pensamentos decorrentes.

Bibliografia: ZHOU, C. 2013. A Máquina Triunfal: a importância da máquina de escrever na proliferação heteronímica de Fernando Pessoa. Universidade de Coimbra. URI: URI:http://hdl.handle.net/10316.2/29990

Ebony Stephanie S. Alberto

The Stillness of Time

 What did it mean to see a photograph for the first time? What happens when a photograph is taken?

A picture of me in a craddle. That`s the first factual piece of evidence I have from my early years of life. In the era of film cameras and home videos, my childhood was highly documented by my parents and the rest of my family.

Pictures of my parents and grandparents are also relatively available. However, as I went back in time, diving into my own familys photo albuns, recollections of my family members become more and more scarce. First the photos become black and white, then less moments are captured. Finally one can only see ¨traditional¨ photographs, taken professionally, until no pictures are found, to rely on.

It is a known fact that, as technologies progress, we as consumers become more and more dependent, incorporating them into our lives. But imagine for a moment you were born on the verge of the popularization of the photographic camera, for example.

Aristocratic Family, 19th Century – source: Wikipedia

In the 19th century, for the first time, you had all these new possible narratives and perspectives available on how to document life, making it possible to tell stories through a more personal perspective . The most ordinary of John Doughs could, from then on, foverer encapsulate moments into eternity, telling stories in his own words.

The revolutionary tale of photography and the art of¨writing with light¨ sets paradigmatic precedents for mankind and the tales that would be told. The capturing of fleeting moments allowed humanity to better understand itself, as it ilustrated some of its darkest moments, as well as its most beautiful, joyful events and seasons.

WWI – source: Getty Images
The Fall of the Berlin Wall – source: History.com

This confrontation of people with their own immortalized reflection made profund impacts on the way we, as societies, behave and the way we understand our own historical progressions.

This happens because as humans, we relly heavily on multiple points of view, to build our sense of self and to grasp the reality happening around us. Only something as subjective, subtle and immersive as photographs are able to make us change perspectives, get to know different realities and make us question so much, without using hardly any text.

A picture sometimes really is worth a thousand words.

Giovanna Carvalho

Fusão da Tecnologia com Arte: Arte Digital

A tecnologia e o digital vieram revolucionar o mundo da arte, não só na maneira como ela é produzida, mas também na forma como ela é distribuída e consumida.

Assistimos cada vez mais ao surgimento de novas formas de arte e isso deve-se à tecnologia, pois ela influência cada vez mais na produção da própria arte, na música vemos um aumento do uso de sons digitais, produzidos digitalmente, sons que não podem ser reproduzidos por algo do mundo “real”, produzidos por um meio computacional. O mesmo acontece por exemplo no cinema, câmeras mais compactas e cada vez com mais qualidade e a querer estar mais próximas do olho humano e o surgimento e o aumento do uso dos efeitos especiais; na área do desenho podemos agora ver a criação de quadros igualmente realistas, ou não, com um orçamento bastante mais baixo, sendo preciso apenas um tablet ou um computador, e não telas, pincéis e tintas que muitas das vezes não são muito baratos e que têm um duração limitada; nas artes plásticas vemos o surgimento da impressão 3d que é não só uma nova forma de criar arte mas também uma nova forma de distribuir arte. Esta nova arte, uma arte mais tecnológica, que surge no século XX, a arte digital, é uma arte que é produzida por meio computacional e por intermédio de software e/ou hardware que está a ser cada vez mais adotada por artistas em todo o mundo.

Como já dito, este desenvolvimento veio mudar os meios de produção da arte mas também a sua distribuição, vemos as pessoas a optarem cada vez mais por aderirem a serviços de streaming como a Netflix e o Spotify, as pessoas estão a deixar de comprar CD´s e a optarem por comprar uma coluna, por pouparem no bilhete do cinema e a preferirem pagar uma subscrição mensal em que tem acesso a milhares de conteúdos, e isto chama-se evolução, tal como se passou do fonógrafo acústico para o eléctrico, da fita cassete para o CD, passaremos agora para a Era do Digital em que será tudo muito mais conectado e em que a tecnologia não é uma ameaça à arte mas estará sim de mãos dadas com todos os géneros de arte e será uma mais valia para o seu desenvolvimento e evolução.

Digital Art Museum em Tokyo, um museu 100% digital, onde podemos ver a fusão da arte com o digital, aqui a arte digital é a atracão principal e veremos o surgimento destes museus cada vez mais, tal como dito no texto.

Vídeo

Arte: uma narrativa transmídia

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A arte tem assistido ao longo dos anos uma grande evolução frente às tecnologias de seu tempo. Com o advento de novas ferramentas é necessário que se leve em consideração, na construção da arte, sua relação com os meios digitais e todas as implicações sociais, culturais e comportamentais que emergiram para sua transformação. Diante disso, vê-se que a arte tem alcançado/tomado nossos espaços e apropriado-se artisticamente das tecnologias quanto meio de expressão, a destacar o advento da narrativa transmídia no cenário contemporâneo, ao propor o uso de novas ferramentas.

Mas do que se trata a narrativa transmídia? Segundo Comin (2014), é uma resposta artística a um mundo que foi se tornando cada vez mais complexo com o advento da era digital. Advento esse que podemos perceber com a convergência entre os meios de comunicação. É o que o teórico Henry Jenkins (2009) chamaria de “Cultura da Convergência”, a possibilidade de criarmos outras formas de arte no ambiente digital, os quais também se expandem e se relacionam com meios tradicionais, potencializando a própria dinâmica do processo criativo e criando um universo de múltiplas possibilidades ao abarcar as mais variadas formas de mídia.

Lev Manovich chama-nos atenção para o surgimento dessas novas possibilidades midiáticas na contemporaneidade, possibilidades essas que estão diretamente ligadas à integração do computador na sociedade, o qual permite, frente aos diversos meios de comunicação, narrativas diferenciadas e a construção de novos significados. Dessa forma cabe compreender que a narrativa transmídia nada mais é do que fruto da convergência da arte e comunicação de seu tempo e espaço.

 

Henry Jenkins – Narrativa Transmídia

Thaís Noleto

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Referências:

COMIN, Luciana. A construção de uma narrativa transmídia. Repertório, Salvador, nº 23, p.86-90, 2014.2

JUNIOR, Pernisa. Narrativas Contemporâneas: Comunicação e Arte em Tempo de Convergência. Comunicologia, Brasília, v.3, n. 2, Jul./Dez. 2010.

MANOVICH, Lev. The language of new media. Cambridge, Massachusetts: MIT Press, 2001.

 

“Um pequeno passo para o homem , mas um grande salto para a humanidade”

Nos dias de hoje, a utilização do telefone fixo tem decrescido por motivos claros, pela introdução dos telemóveis e, mais recentemente, nos últimos anos, dos smartphones. A sociedade atual está construída de tal forma que a rapidez de comunicação é um requisito mínimo e a necessidade de fazermos chamadas em qualquer lugar, a qualquer momento . Curiosamente, as chamadas de voz também têm decaído porque já é possível fazer chamadas de vídeo ou enviar um simples sms ou mesmo ,pelo facto do smartphone ser usado para aceder a redes sociais , entre outro fins. Por vezes, as pessoas, na correria do quotidiano, não param para pensar, refletir ,não dando sequer o devido valor e importância à conquista que foi falar e ouvir a voz humana, pela primeira vez , à distância pois  já não conseguem imaginar as suas vidas sem um dispositivo que permita essas ligações entre pessoas.

Antigamente, antes mesmo da sua invenção e quando não era possível recorrer a estes meios de comunicação que atualmente existem , as primeiras versões do telefone eram basicamente de caráter acústico e mecânico , isto quer dizer ,  a transmissão da voz humana era feita através das propriedades físicas dos objetos . Por exemplo , o denominado “Tin can Telephone”, e pelo que o próprio nome indica,  são latas ligadas por um fio e por ele viaja a vibração.

Claramente , há uma certa controvérsia sobre a autoria da invenção do telefone elétrico , mas mais importante do que essa discussão é que cada um contribui na melhoria do funcionamento do telefone. Entretanto , a patente da criação é dada a Alexander Graham Bell.

Nos bastidores ,  para que a ligação chegasse ao destino pretendido pelo emissor , haviam profissionais responsáveis pela tarefa de ,num “switchboard”, conectar os cabos à estação/canal certo.  Então , como normalmente o sexo masculino é conotado como pouco paciente e , ainda, por ter um comportamento mais agressivo , a telefonia tornou-se  um dos poucos setores  em que as mulheres trabalhavam. Isto,  numa altura em que sociedade misógina e machista é presente , em que a mulher era propriedade do homem e estava subordinada aos comandos, ordens e desejos dele.  

Um exemplo que ilustra bem essa função desempenhada pelas telefonistas é a série televisiva da Netflix , uma das mais conhecidas plataformas de streaming de séries e filmes ,  chamada “Las Chicas del Cable” ,  seguindo a vida de 4 mulheres , nos anos 20 , em Madrid na Espanha, mostrando as suas dificuldades perante as exigências da vida profissional e pessoal.

Em conclusão , a evolução do telefone foi , deveras, muito importante para a aproximação das pessoas mas é preocupante a quantidade de horas que um ser humano , agora , passa à frente de tela , desde o acordar e o deitar, levando a alterações no comportamento e ausência de interação social. Este número alarmante de pessoas com dependência total aos dispositivos tecnológicos deu origem à palavra Nomofobia , a nova síndrome da era digital .

Diana Marantes

A arte digital e as nossas experiências.

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Primeiramente, para percebermos de que modo nos relacionamos e consumimos estas obras de arte digitais temos de definir o que é arte digital.

Arte digital é uma arte que é produzida por meio computacional por intermédio de software e hardware, encaixando-se portanto num espaço virtual. E esta pode ser entendida no campo da arte contemporânea como animações, vídeos ou pinturas.

Tendo por base o livro de 1972 de John Berger “Ways of Seeing”, o autor fala de como a arte devia ser acessível ao maior número de pessoas possíveis por esta retratar uma história que nos pertence a todos. Em 1972, o ano em que este livro foi publicado não havia uma mínima noção da influência da Internet e de como esta ia afetar a relação que nós temos com as obras de arte.

Quando introduzimos um meio digital no campo artístico  este vai afetar a produção, a criação, a sua distribuição e consequentemente a sua recepção artística .

Um exemplo de uma arte digital é a visita virtual à Capela Sistina que nos é cedida através do site do Vaticano. A Capela Sistina é constituída por vastas obras feitas no Renascimento pelos mais famosos artistas: Michelangelo, Rafael, Perugino e Sandro Botticelli.

Os quadros criados nessa época específica usavam a perspectiva rigorosa e científica, o sfumato e até certas modificações nas formas representadas que nos faz sentir dentro da pintura o que resulta de uma grande imersão ótica.

Quando fazemos a online tour da Capela Sistina, também existe essa imersão, mas essa imersão não é apenas ótica mas também sonora ( toca um canto religioso mal abrimos o site),  mas essa imersão agora não acontece por uma mão de um artista mas sim por uma câmera virtual que nada menos se trata de um software com várias imagens panorâmicas em que a câmera são os nossos olhos e essa ilusão faz-nos sentir presencialmente na Capela.


http://www.vatican.va/various/cappelle/sistina_vr/index.html

Apesar de a realidade virtual estar tão avançada fazendo-nos sentir que estamos num sítio enquanto estamos noutro a verdade é que essas tours virtuais nunca irão substituir as tours reais. Não se trata apenas de realmente ver os quadros ao vivos mas sim do carácter único que só conseguimos experienciar com os nossos olhos mas sim pelo capital simbólico que toda essa experiência nos dá. Eu estive realmente lá. Eu vi com os meus próprios olhos. 

Beatriz S. Monteiro

A chamada revolucionária

Falar à distância, ouvir a voz de alguém que reside no outro lado do planeta. Não há muito tempo atrás, este conceito pareceria absurdo a qualquer pessoa comum. Contudo, no tempo presente a “chamada telefónica” faz parte do nosso quotidiano, tendo-se tornado numa ocorrência banal. Este trivial telefonema mudou de uma forma radical a sociedade em que vivemos.

A comunicação, antes desta revolucionária invenção, cingia-se à escrita de cartas, de telegramas ou encontros pessoais, o que dificultava relações de qualquer tipo à distância, principalmente pelo longo tempo de espera que havia na comunicação entre emissor/ receptor.

O telefonema trouxe uma nova proximidade à sociedade, um meio rápido e muito mais íntimo de comunicar com o outro, com rapidez, obtendo-se uma resposta no momento em que comunicamos. A compreensão do diálogo da pessoa com quem comunicamos tornou-se muito mais clara, ao transmitirmos a voz damos a entender a intenção perante a outra pessoa, acarretando uma certa vulnerabilidade a este “falar a distância”.

Falar à distância tornou-se algo fácil, fazendo-nos quase esquecer que estamos realmente distantes da pessoa com quem comunicamos, tendo o telefonema trazido proximidade e facilidade na comunicação, ajudando a níveis comerciais, na procura de empregos, na proximidade de amigos ou familiares que se encontram longe, sendo muitas as outras virtudes desta chamada telefónica. Sente-se assim a presença humana através da voz, a presença do outro, sendo o nosso sentido de audição estimulado de forma a quase sentirmos a presença da pessoa que se encontra do outro lado do telefone.

É, por fim, visível o nível de importância do telefone na comunicação à distancia e na emissão e recepção da voz.

Carolina Bartolomeu

Times are Changing

Estando nós no seculo XXI não nos é de todo estranho ouvir a voz de outrem através da rádio, televisão, música, entre tantas outras possibilidades, no nosso dia a dia. No entanto esta realidade tem ainda uma duração muito curta, sendo apenas vivenciada desde a invenção do fonógrafo, por Thomas Edison, ainda no século XIX. A capacidade de gravar e reproduzir sons veio trazer imensas vantagens, nomeadamente a possibilidade de gravar músicas, que até então tinham de ser tocadas ao vivo para se poder desfrutar da sua sonoridade, e mais à frente, a utilização da voz humana para os mais variados fins – na rádio, na publicidade, que deixara de existir só em cartazes e jornais, etc.

A utilização da voz para o marketing tornou se cada vez mais importante, uma vez que se percebeu que a entoação com que certa mensagem é lida e transmitida tem muito valor no público. Ler algo de forma entusiasta e divertida vai chamar muito mais a atenção do que algo lido monotonamente e sem energia, causa também um impacto muito maior do que se estivéssemos meramente a ler um anúncio. São inúmeras as publicidades que utilizam a voz como principal meio de chamar atenção para os seus produtos. Num outro ponto de vista, a voz humana é algo que reconhecemos imediatamente como familiar, mesmo não a conhecendo pessoalmente, uma vez que é a nossa forma de comunicação desde o início da humanidade, e por isso mesmo, ouvir e ver alguém a recomendar determinado produto leva-nos a pensar que também nós necessitamos de o adquirir.

Voltando um pouco atrás, a invenção do fonógrafo acabou com a necessidade de copiar partituras de modo a ter um registo das músicas produzidas na altura, dado que, como já referido anteriormente, passou a haver a possibilidade de gravação sonora. Esta invenção tem imensa utilidade até aos dias de hoje no ramo musical; é-nos muito difícil imaginar um dia a dia sem música a tocar no backgroud, quer em cafés, lojas, supermercados, e mesmo no quotidiano de quem somos (quem é que não põe música em casa só pelo prazer de a ouvir enquanto se faz tarefas domésticas?); pôr uma playlist a tocar no Spotify ou YouTube é algo que está ao alcance de praticamente todos.

Comunicação e tecnologia

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A comunicação humana sempre foi a essência do desenvolvimento individual e coletivo. É através de sinais, códigos de conduta, e signos que aprendemos o que é certo ou errado dentro do âmbito social. Não só o quê se comunica tem grande impacto, mas também a maneira que essa informação é transmitida.

Na segunda metade do séc. XIX o mundo que conhecemos era outro. O telefone ainda era apenas um sonho na cabeça de grandes inventores que só o trouxeram ao mundo no final do século. A criação de meios de comunicação de longa distância é tão avassaladora quanto sutil. Esses dispositivos vem sendo introduzidos desde então nas nossas vidas e mal os percebemos, já que se camuflam nas nossas relações interpessoais e necessidades do dia-a-dia.

Uma pessoa moderna, imersa nos meios multimedia, já presencia alterações contrastantes a níveis de percepção de tempo e espaço em comparação aos nossos antepassados de poucos séculos atrás. Antes tarefas que levavam horas a serem cumpridas manualmente, hoje são realizadas em segundos através de qualquer dispositivo. Além da otimização do tempo de comunicação, também notam-se as alterações espaciais, uma vez que conseguimos transmitir e acessar informações rapidamente, independente da distância em que esteja o nosso receptor.

De acordo com o observatório astronômico de Minas Gerais, já emitimos sinais capazes de ser detectados fora do sistema solar, tais como ondas eletromagnéticas produzidas por transmissões de alta frequência de rádio, televisão e radares. “Calcula-se que as nossas primeiras transmissões de televisão já devem ter alcançado mais de 100 estrelas”, diz o professor do observatório Renato Las Casas.

Até onde chegarão as capacidades da comunicação humana através dos media tecnológicos? Como nos comunicaremos daqui a 100 anos?
Apesar da dificuldade de prever concretamente esse futuro distante, o que já sabemos é que nem o céu é o limite.

Adara Miller

Mas de quem é esta voz?

Numa sociedade hiperconectada, os ‘softwares’ mandam e até a voz tem solidez. Mas o que é que o tribalismo tem que ver com tudo isto?
Uns creem que as sociedades humanas nascem porque falamos, outros acreditam no contrário. De qualquer das formas, fato é que falamos, ou seja, usamos sons para representar conceitos, muitas vezes abstratos. É desta abstração, ou desta capacidade de ver e descrever o invisível, que surgem as culturas orais que por muito dominaram – e ainda dominam – a história humana.

Enquanto a língua surge, em estimativas mais conservadoras, 50 mil anos atrás, a escrita só aparece mais tarde – no Oriente Médio e no Egito –, por volta de 3500 AEC. Entretanto a popularização da literacia é um evento extremamente recente, tendo começado pouco após o início da contemporaneidade. Fato é que a oralidade se mantém como o maior distintivo da espécie humana.

Esta cultura oral é, segundo McLuhan, inerentemente tribal, tribalismo esse que findou com a imprensa, mas que se reavivaria com o advento dos novos media. De certa forma, o professor canadense tinha razão, uma vez que, mais tarde e com a Internet, as pessoas estariam hiperconectadas numa segunda realidade. Hoje, falamos, escrevemos e lemos muito mais que um monge na Idade Média.

Desde o surgimento do rádio e da radiodifusão, a literatura e a dramaturgia se expandiram e adentraram estes meios num processo de transmediação: surgem gêneros como a radionovela, que já vinha, principalmente no espaço lusófono e românico, se perpetuando nos jornais na forma de romances de folhetim, muitos dos quais depois republicados na íntegra como livros.

Mas não só apenas o “folhetim” passa por esse processo. A poesia também foi profundamente alterada a partir do contato com os meios analógicos. No caso americano, como analisou a professora Andrea Brady, a música afro-americana migrou dos campos de algodão às rádios, apesar de este processo não ter sido reconhecido por muitos etnógrafos à época. Este é exemplo patente de como a tradição oral se pôde manter viva e pulsante com o advento da radiodifusão. Outrossim, uma das principais características do áudio é o rompimento com a própria natureza da fala, que é fugaz e efêmera.

Por óbvio, a digitalização dos meios analógicos e o advento dos novos media permitiram um alargamento de tais processos. Gêneros remodelaram-se e transitaram das rádios para o digital. Nasce um novo gênero: o ‘podcast’, uma transmediação dos tradicionais programas de rádio, alterados conforme as especificidades do medium, a Internet. O termo, suponho, tem origem na noção de uma emissão (do inglês ‘cast’) unitária, contida em si, encapsulada (do inglês ‘pod’).

O digital permitiu um controle ainda maior na produção de áudio. Os ‘softwares’ são usados transversalmente, da pré-produção à emissão, e têm cada vez mais impacto. A natureza efêmera da voz, como referido, desaparece, e esta passa a ter uma materialidade cada vez mais tangível. Alterar níveis, equalizar os sons (expressões muitas vezes alheias às massas) se tornam factíveis com maior facilidade e rapidez. Acrescentam-se faixas a mais, e ‘voilà’ uma criação intelectual nova.

Passam os séculos, mudam os processos, mas a criatividade ainda reina invicta. Pouco importa se mediada, digitalizada ou “softwarizada”, a produção cultural ainda se mantém como um dos grandes louros da Humanidade.

Gabriel Rezende

Do fonógrafo ao Instagram

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“I am the Edison phonograph (…) I can give you merry tales and joyous laughter. I can transport you to the realms of music. (…) No matter what may be your mood, I am always ready to entertain you. I never get tired and you will never tire of me, for I always have something new to offer. I give pleasure to all. (…) I can enable you to always hear the voices of your loved ones, even though they are far away. (…) The more you become acquainted with me, the better you will like me.”

Este é o primeiro anúncio áudio publicado relativamente ao fonógrafo criado por Thomas Edison, em 1906.

Segue-se agora um conjunto de frases retiradas do site oficial do Instagram que foi criado no ano de 2010 por Kevin Systrom e Mike Krieger.

“We put people first, and value craft and simplicity in our work. Our teams inspire creativity around the world, helping over 1 billion people create and share. Join us! (…) Our mission is to connect you with the people and things you love, which only works if people feel comfortable expressing themselves on Instagram. (…) We can do more to prevent bullying from happening on Instagram, and we can do more to empower the targets of bullying to stand up for themselves.”

Como vemos, ambos os parágrafos são de carácter publicitário e só nos apresentam vantagens em relação aos seus produtos. Embora haja esta diferença cronológica de 1 século é curioso apercebermo-nos de que o apelo ao público é sempre feito através das mesmas estratégias, que apontam em direção ao nosso lado mais emocional. Há nestes dois casos uma tentativa de humanização de dois meios e isto acontece na maioria das vezes em que um meio é divulgado com objetivos comerciais. Tanto o fonógrafo como esta rede social tentam adquirir uma voz própria, na tentativa de nos chegarem como se de pessoas se tratassem, ou melhor, como se de amigos se tratassem. Mostram-se-nos imensamente generosos e preocupados com o nosso bem-estar. E ainda nos incitam a conectarmo-nos com os outros!

O fonógrafo permitia-nos ouvir a voz dos nossos entes queridos e o Instagram aproxima-nos das pessoas e das coisas que mais gostamos, mas “só funciona se nos sentirmos confortáveis para nos expressarmos”…

Há, no entanto, uma grande diferença entre estes dois que é: o fonógrafo não nos protegeria do bullying… mas no entanto estaria sempre disposto a entreter-nos e nunca se fartaria de nós. A função de entretenimento pode não ter sido a intenção inicial, nem de Edison nem dos co-criadores do Instagram, mas é inevitável que um meio não se torne um meio de entretenimento assim que ele se torna tão presente nas nossas vidas tornando-se em algo banalizado.

Inscrições do real e captura de instantes.

Podemos descrever a fotografia como uma técnica de criação de imagens por meio de exposição luminosa, fixadas em uma superfície fotossensível. A origem da palavra fotografia é grega e significa escrita da luz. Visto que, o método principal de registro da época em que surgem as primeiras fotografias era a escrita, esse nome foi dado como uma forma de traduzir essa inscrição da luz em uma superfície.

Os primeiros registros fotográficos foram consequências de um processo de evolução dos trabalhos de diversos criadores ao longo de muitos anos, ao exemplo das câmaras escuras utilizadas por artistas no século XVI ou os experimentos em prata dos cientistas Angelo Sala (1604) e Johann Heinrich (1724). Mas, a primeira fotografia reconhecida foi uma imagem produzida em uma placa de estanho coberta por um derivado de petróleo fotosssensível, em 1826, por Joseph Nicéphore Niépce. 

No entanto, a fotografia só se popularizou em 1888, quando a empresa Kodak anunciou a venda de câmeras que não necessitavam de fotógrafos profissionais e permitiam que todos pudessem tirar suas próprias fotografias. Desde então, devido às evoluções tecnológicas e a grande importância dada às imagens, os processos de inscrição destas se tornaram completamente ordinários e cotidianos para as pessoas. 

Nesse sentido, é possível perceber que uns dos motivos pelo quais a fotografia se tornou uma das formas de registo mais comuns e utilizadas, desse período até os dias atuais, foi a capacidade das fotografias de criarem uma inscrição do real feita pela própria luz e a característica de captura de um instante que um registo fotográfico possui. É como se a própria luz se inscrevesse e, aquele segundo capturado, pudesse registrar o tempo em que a luz se inscreve.  

Dessa forma, ao observarmos a evolução das imagens, é possível perceber essa tentativa de inscrição do real e de captura dos instantes, como um dos objetivos inerentes à maioria dos registros fotográficos. Desde o que se acredita ser o primeiro autorretrato, feito de Robert Cornelius (1839), até as “selfies” publicadas nas redes sociais da celebridade Kylie Jenner. 

Apesar disso, é importante evidenciar que as evoluções tecnológicas presentes nessas duas fotografias não são a única diferença entre elas, mas também a forma como o consumo de imagens e formas de comunicação se alteraram durante os anos. Isto é, as duas fotografias registram os momentos e o tempo em que foram produzidas, mas evidenciam a linguagem da época em que se inserem. 

Assim, a comunicação na atualidade é fruto das convenções e padrões que as redes sociais, como o Instagram, introduziram na sociedade contemporânea, então, podemos afirmar que o Instagram é a mensagem. E, por isso, pode-se dizer que as fotografias ao longo dos anos foram utilizadas como uma maneira de comunicar o real, sem a descrição através de palavras, mas através de inscrições da luz e que essa comunicação foi sendo moldada por convenções, estabelecidas por plataformas digitais, até se tornarem o que são hoje.

Amanda Porto, 2019.