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No._5_1948

“No.5” (1948) é uma pintura da autoria de Jackson Pollock, terminada em 1948 – pós segunda guerra mundial – no célebre período do “dripping”. As dimensões desta tela, pintada com tintas líquidas, são de 243.8 x 121.9 cm.

É de notar que, até no título da obra, Pollock queria por fim à intensa busca de elementos figurativos por parte daqueles que olham para o seu “No.5” portanto, em vez de colocar um nome-palavra ao quadro, coloca um simples número – 5 – com o objectivo de comprovar a ideia de base expressionista, ou seja, que o resultado obtido era apenas uma expressão do momento e que não se referia a nenhuma forma ou ideia preexistente. Com isto, o autor, desde logo, foi capaz de avançar com o movimento de expressão abstracta.

“Quando estou a pintar não tenho consciência do que faço. Só depois de uma espécie de “período de familiarização” é que vejo o que estive a fazer”, afirmava Pollock

Para proceder à criação da obra, Jackson colocou a tela no chão do seu estúdio. Devido às enormes dimensões desta, este produto consegue deter e transmitir a ideia de monumentalidade. Com a tela no chão, o pintor sente-se mais próximo do quadro, conseguindo andar sobre e em torno da tela, e principalmente, pôde trabalhar nos quatro lados – criando quatro perspectivas completamente distintas para quem vê.

Pollock

Com esta relação pintor-quadro, Jackson Pollock consegue estar literalmente dentro da pintura no seu estado “normal”, fundindo-se totalmente com o quadro. De notar que a cinza proveniente do cigarro de Pollock está espalhada por toda a pintura.

“No chão estou mais à vontade. Sinto-me mais perto, mais próximo da pintura, pois desta forma posso caminhar ao seu redor, trabalhar dos quatros lados e estar literalmente dentro da pintura”, dizia Pollock

O estilo que Jackson utilizou na criação deste quadro foi o já referido “dripping”. O artista respingou tinta sobre a tela, fazendo com que os pingos escorridos formassem traços e se entrelaçassem na superfície do suporte. As ferramentas utilizadas para criar os diferentes traços que se vêm ao longo da pintura foram utensílios não convencionais – paus, facas e espátulas. O autor ainda deixou escorrer tinta de latas furadas intencionalmente, caminhando sobre a tela numa execução veloz, com gestos bruscos e impetuosos, borrifando, manchando, pintando a superfície escolhida, obtendo com isto, resultados extraordinários. A tinta que Jackson utilizou foi tinta industrial – utilizada na pintura de automóveis.

Jackson Pollock não utilizava esboços ou desenhos para criar as suas obras e o “No. 5” não foi excepção – existiu uma pintura directa. O método de pintar é o resultado de uma necessidade de expressar os seus sentimentos e não ilustra-los. “A técnica é apenas um meio para chegar a uma declaração.” A característica fundamental da pintura do quadro é a unidade, combinando a simplicidade com a pintura pura. A imagem – abstracta – vai sendo construída à medida que vai sendo executada.

Numa primeira fase, o quadro foi criado a partir do inconsciente do pintor, da espontaneidade, da mistura das emoções vividas naquele determinado momento, juntamente com os movimentos exercidos pelo seu próprio corpo, tornando-o também um instrumento de pintura, explicitando o acto físico de pintar ampliando as dimensões de acção do corpo dentro da pintura – Pollock chamava a esta primeira fase de “período de conhecimento”. Mais tarde reunia o “como” e o “porquê”, os meios e os fins, o método instrumental e a mensagem expressiva. – Automatismo inicial.

 “A pintura tem vida própria. Procuro deixar que ela se manifeste”, declarava Pollock

Após este período, o artista entrava na fase de mudança. As cores predominantes do quadro são o amarelo e o castanho. Este castanho primeiramente seria azul mas Jackson Pollock, neste “período de mudança”, juntou-lhe amarelo para formar o castanho, comprovando assim a ideia de mudança. Esta obra também se encontra empastada, pesada e cheia de sobreposições, o que indica que o artista tenha reformulado o quadro vezes sem conta.

A tela não tinha cobertura, fazendo com que as poucas cores representadas no quadro fossem absorvidas pela textura. Nota-se que a tinta parece estar “enrugada”.

De acordo com a sensação de movimento, o turbilhão de linhas, manchas e pontos é explosivo. Os movimentos energéticos e eufóricos de Pollock traduziram-se em marcas dinâmicas e amplas, de aparência aleatória. Toda a tela é cheia de movimento, com algumas marcas que parecem ter sido elaboradas ao acaso enquanto outras são cuidadosamente coreografadas.

O emaranhado da pintura atrai o olhar do observador e faz com que o espectador tente dar algum sentido à obra, mesmo que ela seja abstracta. As linhas – muitas delas em ziguezague – vão e voltam sobre si mesmas despertando com isto o envolvimento daquele que olha a pintura.

A composição não possui nenhum ponto focal e o centro da pintura não é mais importante que o resto do quadro. Jackson costumava dizer que as suas pinturas não continham início nem fim, sendo descritas como um todo.

P.s. – As obras de Pollock seguem um modelo geométrico conhecido matematicamente como fractal, baseado na teoria do caos. A prova disso está no padrão que se repete inúmeras vezes, em diversos tamanhos nas pinturas de Jackson e na forma de “caos” em que as pinturas supostamente se encontram. Enquanto as telas iniciais feitas em 1945 têm uma dimensão fractal baixa, as telas dos anos seguintes contêm uma dimensão fractal muito mais alta. Estudos matemáticos confirmaram que os quadros de Pollock seguiam uma distribuição matemática complexa sendo impossível todos os movimentos expostos no quadro serem aleatórios. O mais incrível de tudo, é que a teoria dos fractais foi formulada na década de 70 – quase 30 anos depois das obras de Pollock.

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