Em meados dos anos 60, Dick Higgins resuscitou o termo Intermedia, usado por Taylor Coleridge no início do séc. XIX, para agrupar uma amálgama de trabalhos que frequentemente oscilavam no cruzamento e fusão de áreas artísticas e destas com os media, uma prática que não se restringia à órbita artística dos 60s na medida em que que se desdobra numa panóplia de tempos históricos.

Higgins foi um dos nomes de destaque do movimento Fluxus e uma dos discípulos de John Cage, tal como Jackson Mac Low, Allan Kaprow e George Brecht. Na senda das experimentalidades deste seio artístico, o repertório de cartões-evento de George Brecht concebidos entre 1959-66 consolidaram de forma emblemática uma das principais assinaturas artísticas do Fluxus. Funcionavam como guiões de performances que foram compilados e publicados por Geoge Maciunas sob a designação de Water Yam numa 1ª edição em 1963 no formato de livro artístico semelhante a uma caixa de fósforos cujo aspecto global evoca os ready-mades de Duchamp.

Water Yam, também conhecido como Fluxkit ou Fluxbox, reúne uma constelação de cartões de diferentes dimensões. É considerado como um importante percursor da Arte Conceptual na medida em que incluem instrucções sobre a construção de objectos e acções cujas directrizes são caleidoscopizadas através da hermenêutica e imaginação dos performers e da audiência como sugestões em aberto, performadas em espaços públicos ou privados. O projecto sublinha a relação entre a linguagem e a percepção, colocando em relevo os detalhes e objectos quotidianos.

Salientem-se casos como Six Exhibits (“ceiling, first wall, second wall, third wall, fourth wall, floor”) e Egg (“At least one egg”).

As caixas Water Yam, concebidas com o propósito de ofuscarem o ego artístico e a massificação mercantil das Artes surgiram com um preço meramente simbólico que actualmente resvalou no paradoxo irónico de estarem cotadas como relíquias artísticas exorbitantes.