Imagem      A arte quando encontra a multimédia age com um processo continuo de investigação das sensações que a mistura das linguagens com as tecnologias podem provocar no ser humano. Assim, “não basta abrir a janela” para as novas tecnologias, é preciso um mergulho nas possibilidades de criação que elas podem trazer para além das impressões do cotidiano.

    No vídeo de criação da Sony Bravia de Jonathan Glazer para a venda de televisão em cores vemos o envolvimento de um trabalho de integração trazendo a questão estética visual e musical.

   Assistir ao vídeo finalizado é envolver-se visualmente e sonoramente numa viagem na própria subjetividade, pois ao abrir essa janela da consciência está se permitindo o alcance a lugares talvez nem imaginados pelos seus criadores que tem seus objetivos centrais, como a venda do aparelho de TV, mas que também sabem que ao fazer da propaganda uma arte com multimédia estão abrindo um caminho de sensações inimagináveis.

   Alberto Caeiro foi um dos heterônimos de Fernando Pessoa que muito questionou o real sentido dos sentidos humanos, pois é comum encontrar em seus poemas questões como: “O essencial é saber ver, Saber ver sem estar a pensar, Saber ver quando se vê” ou mesmo quando escreve que “Sempre que olho para as coisas e penso no que os homens pensam delas, Rio como um regato que soa fresco numa pedra”.

   José Saramago escreveu que “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”, pois a construção do olhar sobre as coisas é um processo que vai além de simplesmente vê-las como são. Porque é preciso reparar, internalizar, deixar o que se passa pelas janelas dos olhos tocar a nossa subjetividade e explodir possibilidades de interpretação, pois existem pessoas que vêem pedras e enxergam pedras, assim como aqueles que abrem suas janelas, passam pelos mesmos lugares todos os dias e nunca percebem o espaço que circulam, outras olham pedras e enxergam poemas como Carlos Drummond de Andrade.

   Saber olhar as coisas é um passo importante para entender a arte e multimédia e também a poética do cotidiano. É um passo de percepção da própria subjetividade.

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