Enquanto seres sociais, apreciámos imenso a partilha de sensações, sentimentos e dos momentos em que usamos essas sensações e temos determinados sentimentos. Tudo isto acontece simplesmente porque temos a noção de que pertencemos a algo maior do que nós próprios, do que o nosso corpo, isto é, de que pertencemos a um determinado meio. Porém, este “meio” não é tão simples quanto parece, pois na maior parte do tempo nem nos apercebemos que estamos inseridos nele até sermos confrontados por outro. Se definirmos o conceito de “meio” como sendo um grupo social, por exemplo, veremos que não pertencemos apenas a um único grupo, mas sim a vários – pertencemos a uma família, ao nosso círculo de amigos, a uma turma, a uma instituição, a uma cidade, a uma cultura, a um país, etc.

O conceito de “meio” tem sofrido alterações profundas com a mudança das Eras, ou seja, com todas as mudanças histórico-culturais que fazem com que o ser humano seja também ele um ser vivo em plena e constante evolução. No entanto, há uma Era que se destaca das restantes – a Era Eletrónica –, era esta em que surgiu um fenómeno muito importante e que nos rodeia constantemente, o processo de automação. Podemos até fazer uma comparação – a nossa evolução trata-se também ela de um processo automático, de certa forma. O meio digital facilitou a intercomunicação entre todos os diversos meios a que pertencemos, ou então para retomar a expressão inicial, a partilha.

Miguela Moreira