Para quê sair do conforto das nossas casas enquanto conseguimos observar o mundo que se encontra fora dessas 4 paredes através de um ecrã? Embora limitada ainda a visão que nos concede, porém, cada vez menos, a quantidade de riscos que vemos contados quase como as histórias que se contam às crianças nos jornais de notícias a que estamos sujeitos é bastante diminuta.

A qualidade das câmaras fotográficas, tanto o equipamento em si como as que se encontram nos telemóveis, por exemplo, faz com que cada vez mais a visão das câmaras se assemelhe à visão humana. As câmaras converteram-se nos nossos novos olhos. Tornou-se mais importante ter um registo de um local, de uma pessoa, um momento parado no tempo em vez de o presenciar. Porque na realidade, esses momentos são temporários enquanto as fotografias quando guardadas fisicamente, ou então num disco rígido, podem durar para sempre, podendo quando se pretender relembrar determinada altura, simplesmente pegar nelas novamente.

A imagem criada pode ser uma representação bastante fiel da realidade, mas conseguirá alguma vez substituir a realidade? Todas as sensações criadas com o contacto físico que se experiencia poderão facilmente ser simuladas? É aí que as equipas de marketing centram o seu foco principal. O ser humano apesar de ser o único ser racional também está sujeito a ser controlado pelos seus instintos e emoções. A manipulação do marketing usa como alvo essa (in)fragilidade humana para que mesmo que não haja à primeira vista necessidade de obter o produto promovido, seja criada a tal necessidade pretendida.

Miguela Moreira