28061177_10156555092839893_6864765017073689265_o-720x445.jpgNa procura de exemplos de obras clássicas que se adaptaram a um novo paradigma artístico e tem se desenvolvido juntamente com avanço tecnológico, deparamo-nos com o Bailado, mais especificamente o Ballet Russe. Contudo, antes de explicarmos como o bailado evolui-o paralelamente a os novos media, vamos fazer um breve enquadramento histórico.

Inicialmente, com as primeiras exibições do Lago dos Cisnes de Tarkovsky, e muitas outras obras, era claro que o bailado clássico se revelava extremamente rigoroso, seguindo um conjunto de normas e passos pré-estabelecidos. Sendo que as suas pautas se assemelhavam a equações matemáticas. A bailarina nestas peças era sempre o foco, e as suas roupas eram curtas e justas, para enfatizar a qualidade dos seus passos. Já o resto do elenco era quase como um assessório às coregrafias geométricas a uma narrativa sem diálogo.

Todavia, o Ballet Russe vem quebrar com várias normas do bailado clássico. Podemos encontrar as suas origens em 1909 com Sergei Diaghiley, que incentivou e contribuiu para modernizar esta arte, com peças realizadas sobretudo em paris. Estas tornaram-se, rapidamente, muito famosas e amplamente reconhecidas. Estes bailados chamaram tanta atenção por se terem focado em movimentos que realçassem a flexibilidade e em bailarinas altas e esguias.

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Um momento de alta sedimentação desta mudança foi a carta de Michel Folkine para o The Times inspirado por Isadora Duncan que proponha: que os passos tem de ser adequados ao tema e não apenas o uso de passos pré-estabelecidos; a dança e a mímica devem ser usadas como expressão dramática do bailado em si; o homem é expressivo da cabeça aos pés, logo todo o corpo deve ser usado; o corpo coletivo (os grupos) têm valor por si mesmo; o bailado deverá associar-se com outras artes.

O exemplo que trouxemos para evidenciar este movimento foi o “Firebird” de Stravinsky, que conta a história de um filho de um czar que se apaixona por uma princesa raptada por um feiticeiro malvado. Nesta obra o Pássaro de Fogo é um item distante e abstrato, mais uma força do que uma pessoa.

Então como e onde encontramos influencias de outras artes e outros media no “FireBird”? E como a evolução de dos media também afetam o bailado? Podemos encontrar estas repercussões no cenário, nos fatos, na maquilhagem, nas luzes e no áudio. Todas estas artes e medias tem evoluído nos seus próprios ramos, auxiliando o desenvolvimento do bailado por consequência.

 

Rodrigo Sérgio & Tiago Fernandes