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momotaro
Os filmes de animação japonesa datam o princípio do século XX, sendo tão antigos como a própria indústria cinematográfica do país. O primeiro filme conhecido é de 1907 com o nome “Katsudō Shashin”, que traduz para ‘‘Activity Photo”. Uma década mais tarde, chega-nos aquela que se acredita ser a primeira produção de animação profissional, da autoria de Oten Shimokawa. No entanto, devido à falta de fontes, não se sabe exatamente qual terá sido o seu primeiro filme, acreditando-se que terá sido “The Story of the Conceirge Mukuzu Imokawa”. Ainda no mesmo ano chegaram às salas de cinema japonesas mais de vinte filmes de animação. Oten Shimokawa, Junichi Kouchi e Seitaro Kitayama, foram os principais impulsionadores do género.

Contudo, as dificuldades financeiras que os animadores enfrentaram na época levou-os a depender de patrocínios e a concentrarem-se na produção de filmes de publicidade, filmes educativos, e posteriormente, filmes de propaganda a pedido de forças militares com a proximidade da 2ª Guerra Mundial. Um dos mais célebres filmes propagandistas japoneses é Momotaro no Umiwashi”- realizado por Mitsuyo Seo. Foi produzido em 1942 e contou com o apoio do Ministério Naval Japonês. O filme cujo público alvo eram crianças, conta-nos a história do capitão Momotaro e o seu exército de animais. O exército tem como objetivo atacar os demónios, que representam os americanos e os ingleses, na ilha de Onigashima. A história inspira-se em Momotaro, uma personagem do folclore japonês, adaptando assim a lenda japonesa a uma dramatização do ataque em Pearl Harbor. O filme utiliza ainda imagens reais do ataque a Pearl Harbor e personagens americanas como Bluto da popular série Popeye, de forma a caricaturar os americanos.

O processo de animação da altura recorria ao desenho em papel que era captado por uma câmara, permitindo que cada fotograma fosse mais tarde projetado em sequência e a grande velocidade de modo a detetar qualquer imperfeição na fluidez do movimento das personagens. Depois da aprovação, as imagens seguiam para a secção de pintura onde seriam replicadas e coloridas em celuloides para que mais tarde fossem colocadas sob imagens de fundo (cenários presentes na história, pintados a aguarela) de acordo com a narrativa do filme. Os celuloides eram posteriormente captados por uma câmara para o teste final. Posto isto, seria então gravado e incluído o som na película do filme. Esta fase do cinema de animação contou com a integração das artes da literatura visto que segue a narrativa de uma história, do desenho e da pintura com os média na forma de fotografia, projeção de imagem e a fonografia.

Mitsuyo Seo foi o primeiro animador Japonês a utilizar uma câmara multi-plano (uma câmara que move um determinado número de desenhos a várias velocidades e distâncias umas das outras), criando uma espécie de efeito 3D. Este efeito é visto a ser utilizado em várias animações de Walt Disney, por exemplo na longa metragem “Branca de Neve”. O trabalho de Mitsuyo Seo inspirou Osamu Tezuka a criar a sua mais famosa personagem, “Astro Boy” em 1963, originalmente intitulado “Tetsuwan Átomos” ou “The Mighty Atom”, como é mais conhecido no Japão. Tezuka, um famoso escritor de manga, apercebeu-se com “Momotarō no Umiwashi” que seria possível animar as suas criações e passa-las para a televisão, para que mais público pudesse ver. E assim começou a história do anime japonês.

Elaborado por:

Carolina Serra

Inês Carvalho

Lara Jean