Wilhelm Richard Wagner nasceu em Leipzig a 22 de maio de 1813. Foi, acima de qualquer coisa, um compositor romântico que, me arrisco até a dizer, ficará eternamente no cânone da música e cultura ocidental. Conhecido essencialmente pelas suas óperas, Wagner deixa-nos muito mais do que isso antes da sua morte, a 13 de fevereiro de 1883, deixando-nos também um legado na reflexão  da maneira como vemos e relacionamos as diversas formas de arte. Podemos assim dizer que Wagner foi um pensador muito precoce daquilo que viríamos mais tarde, após toda uma revolução tecnológica, a entender por multimédia.

Focando mais nesse contexto da integração das diversas formas de arte, nasce o conceito de “obra de arte total”. Para ele a ópera (drama musical) reúne as componentes dramática, poética e musical, sendo por isso a forma de arte mais completa. Diferencia o “Homem utilitário” do “Homem artista” sendo o segundo verdadeiramente realizado apenas quando as suas obras integrarem coletivamente as artes, como acontecia na antiguidade clássica. Só a obra total poderia trazer a total satisfação. É mais do que um artista se exprimir individualmente, é o celebrar do ser humano.

Mas Wagner não nos deixou só teorias. Se a arquitetura estava pensada segundo critérios de beleza, estética e organização estrutural (visto que os teatros eram desenhados de forma a separar os estratos sociais) Wagner subjuga a importância dessa visão mais estética em detrimento da importância da qualidade ótica e acústica, sugerindo uma série de alterações estruturais que mudaram completamente a maneira como o público conseguia ver e ouvir. Ou seja, para ele o importante era a obra de arte e não todas as coisas supérfluas associadas ao espetáculo.

É nesse seguimento que decide também que as luzes sejam apagadas no público. Esta medida permite que o público de concentre essencialmente na obra e não na parte social. Esta medida, aliada às outras medidas que referi no parágrafo anterior, permitiu um maior sentido de imersão na obra.

É por todas estas pequenas grandes peculiaridades que Wagner nos deixou, que considero que este foi um dos grandes pensadores destas matérias. Conseguiu entender a importância da interação e integração das artes, mesmo antes de tudo aquilo que agora conhecemos. Num jeito mais brincalhão, podemos até dizer que Wagner viu o futuro!