“Matte Painting” foi uma técnica utilizada desde os primórdios do cinema até hoje. Consiste na pintura manual de cenários e localizações, a fim de criar a ilusão da existência de um ambiente irreal onde a ação do filme se passa.

Ainda que não seja possível saber ao certo quando e em que situação foi inventada esta técnica, sabe-se que muitos fotógrafos de meados do século XIX a utilizaram, mas que a sua primeira vez a ser utilizada em filme, ao contrário do que se pensa, foi por Georges Meliès, em “Un Homme de Têtes” (1898).L'hommealatêtet

Em 1907, Norman Dawn voltou a utilizar “matte painting” em vidro na sua obra “Missions of Califoria”, numa tentativa de “reconstruir” alguns dos edifícios nas suas filmagens que se encontravam parcialmente destruídos.

Mais tarde, 1918, Frank Williams propôs um novo método de confeção, assim denominado “The Williams Process”, cujo próprio explica:

I accomplish these objects by means of my invention, an application of which is hereafter described with the aid of the accompanying drawing. In the drawing, Figure 1 is one picture severed from a film or motion picture negative. Fig. 2 is a positive of the picture shown in Fig. 1. Fig. 3 shows the superimposed positions of an unexposed sensitive film and the negative shown in Fig. 1. Fig. 4 is the completed negative of a picture.Williams-Process-Patent.jpg

Assim, “The William’s Process” torna-se o método mais utilizado durante a década de 20 e 30, e foi este mesmo processo que levou à invenção do tão famoso “green screen”.

“Matte Painting” tornou-se então uma das maiores e mais importantes técnicas de efeitos visuais (VFX) da história do cinema, tendo sido utilizada em vários filmes famosos, como “Mary Poppins” (1964), “Bem Hur” (1959), e até mesmo por Alfred Hitchcock desde os anos 40 até aos anos 60, tendo como exemplo o seu filme “The Birds”.

Nos anos 70, temos uma das obras mais famosas na utilização de “matte painting”: “Star Wars, Episode IV – A New Hope”. Com a intervenção do artista Christopher Evans, entre muitos outros, Star Wars conseguiu atingir um nível bastante elevado na junção da arte manual com a arte do cinema, tendo muitos dos seus cenários sido cuidadosa e meticulosamente pintados à mão num tipo de vidro chamado “peliglass”.Matte-Painting-Featured-1000x576

Infelizmente, esta técnica foi desaparecendo do cinema ao longo do tempo – um dos últimos filmes a usufruir de “matte painting” foi Titanic, em 1997. No entanto, outras artes de mass entertainment adotaram uma versão mais moderna de “matte painting”. No mundo dos vídeo jogos e cartoons, maior parte dos cenários são previamente desenhados digitalmente para depois a ação ser aplicada por cima dos mesmos. Assim, “matte painting” revelou-se uma arte que conseguiu evoluir e acompanhar várias gerações desde a sua criação e que permanece até hoje, ainda que de maneira diferente.

Maher, M. (2015, September 30). Visual Effects: How Matte Paintings are Composited into Film. Retrieved from https://www.rocketstock.com/blog/visual-effects-matte-paintings-composited-film/

  • Lara Jean B. Torrão, 2018