Todos nós já experienciámos a sensação de jogar um videojogo, durante a nossa infância ou até mesmo mais recentemente, e é impossível negar a vertente imersiva a ele associada. Quantas e quantas horas dedicamos a uma realidade virtual que, ainda que seja do conhecimento não ser a nossa realidade, nos é próxima e pela qual conseguimos desenvolver diferentes tipos de sentimentos? E é algo que, com o passar do tempo bem como a evolução geracional, tende a agravar e a ganhar um teor mais sério.

Rinko é uma das personagens que integram o videojogo “Love Plus“, criado em 2009 em Tóquio. Este jogo sugere que o utilizador tente seduzir o avatar de várias formas, comprando prendas ou até mesmo levar a personagem de férias (ambas virtualmente), com o intuito de simular uma relação entre ambos. Rinko é uma das três personagens deste jogo, Nene e Manaka são as restantes.

rinko

“Rinko – Love Plus”


Recentemente a série “Dark Net” retratou este assunto, comparando-o a outro de tipo de relações que têm como base a realidade virtual, ainda que entre pessoas reais. A comunidade japonesa elevou este tipo de interacção a outro nível, algo que pode ser visualizado no episódio “Crush” da série acima referida. O jogo, criado em 2009 pela Konami, tem vindo a ganhar uma popularidade enorme no Japão nos últimos sete anos, chegando também à América.

Podemos fazer termos de comparação com uma realidade ficcionada: No filme “Her” de Spike Jonze, acontece algo idêntico a este fenómeno mais recente. O actor Joaquin Phoenix (Theodore Twombly), apaixona-se por Samantha (Scarlett Johansson), um sistema operativo com voz feminina. Theodore fica fascinado com a sua capacidade de aprender e crescer psicologicamente, discutem sobre a vida e o amor.
O amor entre utilizador e máquina há muito que é retratado no cinema, em histórias ficcionadas ou sonhos, mas começa a ser uma realidade nos dias de hoje. A aproximação entre o humano e a tecnologia responsiva já não é tabu, muito pelo contrário.

her.jpeg

Her” 2013 – dir. Spike Jonze

Luís Calixto.