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     “Hi Stranger” é uma stop-motion animated short de 2017, criada por Kirsten Lepore. Esta animação apresenta uma premissa familiar com uma execução peculiar e rapidamente tornou se num dos maiores fenómenos virais da internet no último trimestre de 2017. Após passar algum tempo a refletir sobre o vídeo, fiquei com duas perguntas, “Como é que este vídeo se tornou tão popular?” e “Será que pode ser considerado uma arte em multimédia?”.

    É impossível delinear todos os fatores que compreendem o status desta obra como conteúdo viral, todavia atrevo-me a conjeturar que a qualidade de uncanny valley, a mensagem, o algoritmo e a comunidade virtual tenham contribuído para o fenómeno.

    Segundo a abordagem de uncany vally, quando réplicas humanas se comportam de forma muito semelhante, mas não idêntica, a dos seres humanos reais, provocar-se-á repulsa e perturbação ao espetador (MacDorman, 2006).  Assim, a personagem principal da curta que é feita para se assemelhar a um humano (com a associação a um som constante e monótono), revela-se perturbante e hipnotizante.

    Outro fator importante, é a familiaridade da mensagem com conteúdos motivacionais, mas com a execução cómica e bizarra. Numa década onde as redes sociais se veem submergidas em publicações de intuito inspirativo/motivacional, não me admira haver alta aderência pela partilha e interação nestes conteúdos. Inversamente, os indivíduos já dessensibilizados por estes temas são atraídos na reviravolta processual.

   Claro que após termos por base para a atratividade inerte do vídeo-espetador, temos de considerar o auxílio que o próprio espaço lhe proporcionou em propagá-la. Uma obra que poderia ter existido sem reconhecimento ou popularidade alguma, só chegou a este nível viral graças ao meio digital, ao seu algoritmo, as suas possibilidades de partilha e essencialmente as reedições, reformulações, cortes e diferentes meios de apresentação elaborados por uma vasta comunidade virtual. Logo, a mercês de toda esta interatividade e participação, entre humano-máquina e algoritmos de processamento, ainda vamos encontrando vestígios deste vídeo em muitas comunidades nos dias atuais, sedimentando-o como uma obra que não só usa meios de arte clássica como plasticina, som e fotografia como também vive num espaço virtual, onde todos nós podemos interagir e comparticipar.

Referencias:

MacDorman, K. F.; Ishiguro, H. (2006). “androids”. Interaction Studies. 7 (3): 297–337. doi:10.1075/is.7.3.03mac