Nos dias de hoje existe cada vez mais dificuldade em poder definir multimédia. Esta, “resistiu à definição”, e por boas razões, pois a nossa experiência com a mídia digital é muito recente e leva a uma conclusão pouco clara. Uma Natureza peculiar da mídia digital é desafiar as categorias tradicionais, como a Arte. Esta é uma reflexão que podemos ver na obra de “Amor de Clarice”, feita por Rui Torres e inspirado num conto da escritora brasileira Clarice Lispector. Considerada uma obra de arte digital, combina a arte tradicional com os novos mídia, ou seja, é um texto retirado de uma obra narrativa com som e vídeo. E a curiosidade desta é que é interativa, pois o leitor pode arrastar as palavras e a ordem dos versos e ouvir o narrador a relatar pela mesma. O poema está dividido em duas séries com 26 partes cada.

O texto utiliza, no entanto, a maneira mais hipermediática para ser interpretado, pois existe uma participação ativa do leitor. Observámos as suas diferentes formas de navegação na tela, como é possível ouvir em várias ordens os excertos dos poemas, de como se “move” a leitura em cada e assim também nos apercebemos da possibilidade infinita de leitura. E com estas possibilidades vêm as diferentes interpretações do texto. Apesar de isto ser uma “obra aberta” e podermos imaginar outro tipo de eventos e desfecho para a personagem, isso não acontece.