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Muito mais eficaz é a educação quando combinada a meios multimédia. Essa afirmação é óbvia para nós que vivemos no século XXI, época a qual, por norma, hão de haver ao menos um projetor e sistema de som em cada universidade. E, apesar de essas tecnologias serem filhas da modernidade, o conceito por trás delas – a agregação de estímulos/exemplos visuais e auditivos à retórica do professor – têm as suas raízes em mais de dez séculos atrás, na Idade Média Ocidental. Esse período histórico foi – injustamente –  batizado assim por filósofos renascentistas credores de que os mil anos passados entre o Período Clássico e o Renascimento foram nevoeiro de decadência entre um momento iluminado e outro; não valorizaram os renascentistas a estabilização de dinâmicas essenciais em diversas áreas do saber acontecidas durante a Idade Média. Uma dessas estabilizações aconteceu no processo de ensino da música prática graças ao monge italiano Guido d’Arezzo.

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Representação da Mão Guidoniana

A música era um dos grandes pilares da liturgia, por isso, foi de grande interesse para governadores ambiciosos da uniformização do culto religioso que as melodias sagradas fossem precisamente reproduzidas em todas as igrejas. Curiosamente, ensinar música através da escuta não era uma tarefa fácil. Mesmo sendo uma arte essencialmente auditiva, alunos demoravam meses para aprender melodias simples e, como todo conhecimento falado, elas acabavam por se perder no passar do tempo. Para a resolução desses problemas, d’Arezzo dedicou-se à aprimorar a didática musical; criou o sistema de notação diastemático, permitindo a leitura das notas à primeira vista e consagrou o sucesso de sua missão com a invenção da Mão Guidoniana. Nesse método de ensino, cada parte da mão humana corresponde à uma nota musical. A introdução do estímulo visual foi tão efetiva que aprendizes passaram a conseguir cantar melodias que jamais haviam escutado anteriormente – indicando o melhor funcionamento da memória humana quando instigada pela associação de múltiplos meios.

Guido d’Arezzo foi divisor de águas na história da educação musical. Seus métodos vanguardistas – para a época -, certamente, foram pivô para a valorização de recursos multimédia no campo do ensino. Recursos esses que continuam se aperfeiçoando e vêm se tornando a base de sustento da pedagogia moderna.

 

Elara Liz Miller, 2018.