Em multimédia, onde a tecnologia e a invenção criativa convergem, encontra-se a realidade virtual. Ela requer grandes recursos computacionais para se tornar realista. A realidade virtual torna-se, assim, numa experiência essencialmente de sensações e observações usufruídas no momento da sua visualização.

Exemplo de uma performance de realidade virtual é a audição dos “FrontPictures”, no America´s Got Talent, intitulada “The Escape”. Na audição, a personagem principal, Konstantin Tomilchenko, cai numa realidade virtual. Ele tem que escolher o seu destino. Acaba por decidir deambular por uma floresta e, em consequência, transforma-se num avatar lobo. Aparentemente, a viagem parecia normal, mas ocorreu um erro, um erro de programa. Estar na realidade virtual para o herói, agora, transforma-se numa corrida pela sobrevivência.

A integração destaca-se, de sobremaneira, nesta performance com inúmeras combinações de formas artísticas aliadas à tecnologia utilizada. Deparamo-nos com a interatividade absoluta e, deste modo, este recurso permite criar arte verdadeiramente inebriante que dissolve qualquer distância entre a obra e o público.

Torna-se imersiva porque cria a ilusão, para o espetador, que se está submerso e dentro de um mundo tridimensional levando-o para outra dimensão.

Durante a performance encontra-se uma forte narratividade produzida através da realidade virtual. Há um fio condutor cujo elemento de ligação é a mesma personagem/ ator que vemos no palco assumindo diferentes posições corporais conforme a mudança de cenários que correspondem a diferentes locais ao longo da narrativa. E isto é perfeitamente espantoso: um erro de carregamento de um cenário virtual, transforma-se numa viagem atribulada por realidades fantasiosas que parecem pertencer ao mundo do interior físico dos computadores, passando por cenários subaquáticos. De destacar um elemento importante responsável pelo erro inicial – uma outra personagem ameaçadora cujo perfil se pode ver unicamente por tentáculos. Como em qualquer boa história o maniqueísmo está aqui também presente.

 

Matilde Rebelo Pereira