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Ao longo da historia das artes, nos deparamos com uma grande influencia das convenções humanas sobre o ser, fazer e ter a arte. O mecenato foi um dos mecanismos que promoveu a arte. Em contrapartida uma arte estritamente politizada e desigual; visto como um mecanismo de publicidade o mecenato desde a antiguidade era usado pelos governantes como uma forma de vangloria. Podemos observar essa pratica na época renascentista, quando igreja detinha o domínio sobre os artistas, que desenvolviam obras de artes esplendidas, mas somente voltada para o cunho religioso. De certo modo, não havia uma liberdade artística. Observamos que praticas como essas nos dias de hoje são deixadas de lado, pois com a midiatização vivenciamos infinitas formas de vanguarda, que surgem a cada momento. Como Marinetti diz em seu manifesto futurista “Nós estamos no promontório extremo dos séculos!… Por que haveríamos de olhar para trás, se queremos arrombar as misteriosas portas do Impossível”. Esse trecho do manifesto futurista do inicio do século XX ainda pode parecer bastante atual, pois vivenciamos junto com os novos modelos de mídia, novas formas de criar, ser e ter a arte. Não mais vista de forma comercial, mas estritamente sentida, a vida passa-se a ser um se fazer arte, e todo dia nascem novas mecanismos, artista, que graças as mídia podem ganhar espaço.

O Grafite pode ser visto como uma vanguarda ou um movimento de contracultura, que usou das mídias de massa para promulgar ideias de liberdade, critica social e posicionamentos políticos. Teve sua generalização mundial no ano de 1968, quando artistas de rua grafitarão frases poético-políticas nos muros de paris. Logo depois a este acontecimento a sua crescente significativa se espalhou pelo mundo, ganhando diversas formas e técnicas variadas. Tendo suas características muito atrelada a movimentos como o hip-hop, onde teve o seu aporte. O que podemos observar e que nos chama bastante atenção é o seu caráter político e de cunho social. Como dito anteriormente, diferente do mecenato essa é uma arte livre e urbana, não há mercantilização, ela é exposta a todos. O ser, ter e fazer arte se torna aberto. E graças a sua liberdade o grafite pode também ser um mecanismo de exercício de cidadania.  Como observamos nessa obra de autoria desconhecida. Onde o país Timor-Leste questiona a extração de petróleo da Austrália em seu território de domínio.

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Uma das características da midiatização das artes é a obliteração das artes hegemônicas, tudo e todos ganham espaço e oportunidade de expor os seus trabalhos. Podendo levar cultura aos diferentes níveis sociais. Essas também são características que o grafiti proporciona, justamente por ser uma arte que usa das ruas como sua forma de museu. Outro caráter que permeia o grafite além da representatividade é o pertencimento coletivo, que com os formatos de mídias podem promover maior interação em diferentes áreas do globo. Promovendo linguagens e códigos universais como os citados a seguir;

  • Bite: imitar o estilo de outro grafiteiro.
  • Crew: é um conjunto de grafiteiros que se reúne para pintar ao mesmo tempo.
  •  Tag: é a assinatura de grafiteiro.
  •  Toy: é o grafiteiro iniciante.
  •  Spot: lugar onde é praticada a arte do grafitismo.

O primeiro grafite é de autoria do artista espanhol freebird e o segundo grafite foi feito por Bansky na Cisjordania. 

Em suma, o grafite é uma arte muito relevante quando paramos para analisar o contexto em que esta inserida e sua significância para o mundo artístico. Ele nos leva a pensar sobre o que é arte e como ela deve ser feita. Além de ressaltar a liberdade artística conquistada graças às diversas plataformas de multimídia o grafite promove muito mais que somente inscrições em paredes. Ele reflete pensamentos, posicionamentos e não precisa de patrocínio é livre e usa da liberdade como representação.

Primeiro grafite de autoria de Oliver Raupach e o segundo é um grafite dos artigos “Os Gêmeos”, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, Brasil.

João Vitor Costa
Dezembro – 2017