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Será importante voltar a refletir sobre os precursores dos multimédia. Para isso, torna-se interessante explorar a obra de Joseph Mallord William Turner, e a sua relação com o desenvolvimento da fotografia.
Ao longo da sua carreira, Turner explorou não só o tratamento pictórico da luz, mas também foi capaz de captar experiências sensoriais novas para a época, como a perceção da paisagem vista de dentro de um comboio em movimento. É isso mesmo que Turner faz em Rain, Steam, and Speed – The Great Western Railway (1844), onde o artista, de forma engenhosa, desfoca o que está mais perto e dá definição ao longínquo, para nos mostrar a distorção da realidade que resulta da velocidade.

Turner_-_Rain,_Steam_and_Speed_-_National_Gallery_file.jpg

Só a fotografia e o vídeo é que conseguirão, no futuro, captar visualmente, e de forma tão clara, esta sensação. Similarmente, em Snow Storm: Steam-Boat off a Harbour’s Mouth (1842), Turner volta a captar, de forma personalizada, a perceção de uma tempestade de neve.

J.M.W. Turner

Já em Fishermen at Sea (1796), Turner trabalha a luz e o contraste de forma a dar especial intensidade à pequena embarcação e à lanterna acesa.

Joseph_Mallord_William_Turner_-_Fishermen_at_Sea_-_Google_Art_Project

Turner ficaria conhecido para muitos como “o pintor da luz” (“the painter of light“); se a pintura é uma forma de registo, e se se entende a fotografia como o “registo da luz,” podemos dizer que Turner foi, no seu tempo, um fotógrafo.