Neste artigo escrevo acerca do movimento nos media, com incidência na tradicional teoria: Persistência da visão. Este é o fenómeno através do qual uma imagem persiste na retina humana por uma fração de segundo após o seu visionamento. Deste modo, associam-se na retina, as imagens projetadas a um ritmo superior a 16 por segundo.

Por esta ordem de ideias, o que acontece é que o cérebro tem dificuldade em esquecer-se instantaneamente das imagens anteriores, misturando-as com as seguintes, ou seja, a primeira imagem mistura-se com a segunda e assim consecutivamente, o que dá a ilusão de movimento. Por exemplo, ao colocarmos um objeto à esquerda no primeiro fotograma e depois à direita no segundo, a sensação transmitida ao espetador é a de deslocação da esquerda para a direita.

Em 1878, um fotógrafo inglês, Eadweard Muybridge tirou sucessivas fotografias a um cavalo a galopar. Esta obra é um dos principais exemplos usados para explicar a persistência da visão, uma vez que é evidente que ao projetarmos todas estas fotos de forma continuada criamos a ilusão de movimento, usada no cinema.

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Sequência de um cavalo de corrida a galopar. Por Eadweard Muybridge, publicado pela primeira vez em 1887, em Filadélfia.

Durante muito tempo, a persistência da visão era entendida como a razão de percebermos, como movimento, uma apresentação de várias imagens paradas numa película. Contudo, ao longo dos anos outras teorias se seguiram a esta e explicaram de outra forma este fenómeno. Apesar da complexidade da visão humana e da dificuldade em compreendê-la na sua plenitude, muitos teóricos do cinema confiam na teoria da persistência da visão, apesar de não descartarem na totalidade as atuais justificações que a ciência nos dá para esse efeito.

 

Paula Martins