A fotografia é um campo artístico altamente desenvolvido na sociedade actual. Com todos os desenvolvimentos tecnológicos é-nos possível tirar fotografias de grande qualidade e com uma impressionante facilidade apenas com um telemóvel.

A representação do real e a captação do instante são objectivos há muito procurados pelos mais variados artistas, tendo sido na pintura renascentista que tiveram as suas primeiras concretizações, concretizações estas que se continuaram a refletir na história da imagem de maneira notável.

Porém, na base destes avanços na história da pintura e mais tarde da fotografia, está a Câmara Escura. A Câmara Escura é uma caixa composta por paredes opacas. Numa destas paredes existe um pequeno orifício e na parede oposta existe uma suprefície fotossensível na qual se reflete a luz e o objecto a ser visualizado.

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O funcionamento da Câmara Escura baseia-se em principios da física. O princípio da propagação rectilínea da luz possibilita a passagem dos raios luminosos através pequeno buraco e a sua consequente reflexão no anteparo fotossensível da parede oposta à entrada da luz. Esta projeção produz uma imagem invertida do objecto, com uma nitidez variável de acordo com o tamanho do orifício de entrada da luz, quanto maior for a incidência de raios luminosos, menor nitidez terá a imagem projetada.

No entanto, esta relação entre o tamanho da superfície de entrada da luz e a nitidez do objecto era problemática. Apesar de a nitidez do objecto ser maior quando o orifício da câmara era mais pequeno, a imagem tornava-se mais escura, o que acabava por ser um impedimento na sua percepção. Assim, Girolamo Cardano, um físico italiano, desenvolveu em 1550 uma lente biconvexa, tendo em conta a capacidade de refração do vidro, que convergia os raios luminosos refletidos no objecto, levando à formação de imagens mais definidas e com mais luz.

Apesar de os seus grandes desenvolvimentos terem acontecido no século XIX, às mãos dos percursores da fotografia, as vantagens da Câmara Escura já tinham sido exploradas. Existem relatos da sua utilização desde a Antiguidade, sendo uma delas feita pelo filósofo grego Aristóteles para realizar observações astronómicas. Mais tarde, durante o século  XIV muitos artistas começaram a utilizá-la para auxiliar e completar as suas pinturas. Também Leonardo Da Vinci escreveu sobre o modo de captura da imagem e como melhorá-la.

Ao atribuir assim princípios fotográficos às pinturas, a Câmara Escura foi fundamental para lhes conferir realismo e autenticidade. Vermeer foi um dos pintores que trabalhou com a Câmara Escura, aproveitando-a não só para explorar a nitidez dos objectos, mas também para explorar a luminosidade e a sua incidência nos mesmos.

Podemos assim concluir que a Câmara Escura é um objecto com uma grande importância para toda a história da imagem e que, sem ela, a fotografia como a conhecemos hoje não existiria.

Catarina Antunes

Referências:

https://www.infoescola.com/fotografia/camara-escura/
http://www.sofisica.com.br/conteudos/Otica/Fundamentos/camaraescura.php