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Head On. 2006. By Cai Guo-Qiang

Noventa e nove furiosos lobos fazem-se correr desenfreadamente pela sala até que colidem contra o muro de vidro. O vidro é transparente. Os lobos não têm a perceção do obstáculo. Após a colisão, a insistência dos sobreviventes fá-los tornar a percorrer o mesmo circuito, voltando para trás.

O Homem não age de forma muito diferente. A metáfora desta obra cai sobre a Humanidade. Somos capazes de errar uma vez e, conscientes das consequências desse erro, tornamos a cometê-lo. Como os lobos, parecemos não aprender.

I wanted to portray the universal human tragedy

Esta obra teve inspiração na história de Berlim. Exatamente, é sobre o muro que dividiu as Alemanhas. Estima-se que 1393 tenha sido o número de vítimas mortais, pessoas que tentaram, de uma forma ou outra, atravessar o muro de Berlim.

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O movimento da corrida dos lobos representado nesta obra, já há muito tinha sido estudado por Eadweard Muybridge.

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Animal locomotion. An electro-photographic investigation of consecutive phases of animal movements. 1872-1885. Eadweard Muybridge.

Através do uso de múltiplas câmaras captou o movimento de vários animais e até pessoas; escolhi esta imagem, onde vemos um cão a correr, por ser o animal mais próximo dos lobos na obra acima, tentando fazer um paralelo entre eles.

Friedrich Kittler trouxe algo novo à teoria dos média; ao contrário de Marshall McLuhan, que considerava os média extensões do próprio homem, Kittler diz:

Media are not pseudopods for extending the human body. They follow the logic of escalation that leaves us and written history behind it.

Para o olho humano, uma série de imagens consecutivas induz-nos a ilusão de movimento. Kittler acredita que esta “ilusão” não seja nada mais, nada menos do que simulações – produzidas pelos média tecnológicos. Esse foi o efeito conseguido por Eadweard Muybridge na obra apresentada.