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Já em meados do século 19 onde não existiam os midia como conhecemos hoje podíamos encontrar alguns dos conceitos dados em aula sendo postos em prática. Um desses conceitos era o de imersão e era nos apresentado por Richard Wagner durante as suas estreias.

Wilhelm Richard Wagner nasceu em Leipzig no século 19 e foi um maestro, compositor, diretor de teatro e ensaísta mais conhecido pelas suas óperas, com texturas complexas, harmonias ricas e pelo uso de temas associados a certas personagens (leitmotiv), 800px-RichardWagnercaracterísticas notáveis naquela altura. Mas não era apenas na sua música e encenação que ele estava mais á frente da sua época, a maneira como ele pensava sobre o papel do publico nas artes era também inovadora e os seus textos e pensamentos fizeram dele um precursor de vários conceitos da era digital.

No seu libro A Obra de Arte do Futuro de 1849, cujos excertos foram estudados em aula, Wagner diz-nos o que pensa que serão as várias variantes artísticas no futuro assim como serão os artistas dessas mesmas artes.  Sobre a arte fala-nos desta como algo que não se liga à vida pública, mas sim algo que apenas os da elite tem acesso e algo que tem de ser compreendida para tirar prazer da mesma. Quanto ao artista Wagner pensa num artista coletivo pois segundo ele “a obra de arte do futuro é coletiva, e só pode decorrer de um desejo coletivo”. Isto mostra ideia de um publico que está em sintonia com o artista e que deixa de ir ao teatro, por exemplo, apenas para conviver (como ocorria na época de Wagner) mas sim para absorver a obra de arte, o que nos leva a outro aspeto que faz do nome de Wagner um nome tão conhecido, a sua visão do teatro e da função das luzes num espetáculo.

Wagner tinha uma ideia sobre o que seria um teatro ideal, que mais tarde seria transformado no seu teatro, o Bayreuth, e trabalhou bastante com as luzes para criar uma imersão do publico nas suas obras. Este trabalho com as luzes é o que o torna num precursor do conceito de imersão que encontramos em algumas artes digitais. Wagner 1200px-Wagner-Festspielhaus_Bayreuth1995decidiu retirar as luzes do púlico e direcioná-las para o palco de modo a captar a atenção do público para o que se passava no palco, criando um aspeto de imersão na peça que estava a ser apresentada em palco. Podemos encontrar esta alteração nos dias de hoje, em teatros pós- wagnerianos e em salas de cinema, sendo algo normal para nós. 6a00d8341c630a53ef01538f507b89970b Isto mostra que mesmo não tendo os meios que temos nos dias de hoje certos aristas já trabalhavam conceitos que para nós são óbvios, sendo então precursores das artes digitais e dos seus conceitos.

 

 

 

Lúcia Ramos

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