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In Fluxus there has never been any attempt to agree on aims or methods; individuals with something unnamable in common have simply naturally coalesced to publish and perform their work. Perhaps this common thing is a feeling that the bounds of art are much wider than they have conventionally seemed, or that art and certain long established bounds are no longer very useful.

George Brecht

Livrem o mundo da doença burguesa, da cultura ‘intelectual’, profissional e comercializada. Livrem o mundo da arte morta, da imitação, da arte artificial, da arte abstracta… Promovam uma arte viva, uma anti-arte, uma realidade não artística, para ser compreendida por todos, não apenas pelos críticos, diletantes e profissionais… Aproximem e amalgamem os revolucionários culturais, sociais e políticos em uma frente unidade acção.

George Maciunas

Fluxus foi um grupo internacional e interdisciplinar constituído, no início dos anos 60, por vários artistas da vanguarda de todas as partes do mundo, porém concentrado particularmente em Nova Iorque. Muito mais que um movimento artístico, foi uma libertação imensa de energia e potencial criativo, contra a estandardização do que é normal, bom ou certo, contra a cultura suburbana e burguesa que impunha limites restritos à cultura. Pretendiam reverter as tendências e regras, expandir e obliterar o normal.

George Maciunas é considerado o principal fundador e organizador do Movimento, tendo escrito, em 1963, o que seria o Manifesto do grupo, reunindo colagens e significados do dicionário para a produção do mesmo:

 

O conjunto de diferentes comunidades dentro do grupo deu lugar a que, individualmente, surgissem conceitos muito diferentes do que era o Fluxus, a tal ponto que o manifesto não foi aceite, inicialmente, por nenhum dos artistas. Foi com participações em festivais por toda a Europa que Fluxus ganhou tanto uma comunidade sólida, como reconhecimento como fórum de experimentação ou laboratório artístico, tendo sido essencial para começar a questionar a definição de arte.

Maciunas descreveu Fluxus como uma fusão de Spike Jones, piadas, jogos, Vaudeville, Cage e Duchamp. Tal como os Futuristas e Dadaístas que os precederam, este grupo de artistas não concordavam com a autoridade exercida pelos museus ao determinar o valor da arte. Não acreditavam também que a educação fosse necessária à compreensão de uma obra de arte.

O grupo produzia todo o tipo de obras, desde filmes a esculturas.

Reunia músicos, designers, arquitectos, economistas, matemáticos, dançarinos, chefes de cozinha, escritores, escultores, pintores e fotógrafos, entre outro. Alguns exemplos mais reconhecidos são Yoko Ono, Joseph Beuys, George Brecht, Robert Filliou, Al Hansen, Bem Patterson, Wolf Vostell, Henry Flynt, Joseph Byrd e Dick Higgins.

Ao descrever as actividades do grupo em Nova Iorque, o filósofo Henry Flynt utilizou pela primeira vez o termo ‘arte conceito’, cunhando o que chamamos de ‘conceitualismo’.
Fluxus queria não só que a arte estivesse disponível para toda a gente, como pretendia também que toda a gente produzisse arte constantemente.

A dificuldade em definir exactamente o que é Fluxus provém do facto de os seus artistas considerarem demasiado limitativo e redutivo a própria tentativa de definir o movimento.

Fluxus pretendia mudar a história do mundo, não só a história da arte. O objectivo mais persistente dos artistas era destruir todas as barreiras entre a arte e a vida. George Maciunas pretendia, particularmente, livrar o mundo da doença burguesa, afirmando que Fluxus era anti-arte, sublinhando o seu modo revolucionário de pensar e praticar arte.

Os artistas usavam o humor para se exprimirem, assim como no movimento Dada, dos únicos movimentos a utilizar o humor na história da arte, o que não diminui o seu desejo de alterar o balanço de poder no mundo da arte.  As gags e jokes eram apresentadas como arte vanguardista.

A arte de Fluxus envolvia o espectador e dependia do acaso e da aleatoriedade para formar a obra final. O uso do acaso era também praticado pelo movimento Dada, por Marcel Duchamp e em performances, como os Happenings. Os artistas eram muito influenciados pelo conceito de John Cage, que acreditava que o artista deveria iniciar uma peça sem ter uma concepção formada do seu produto final, pois é o processo de criação que importa, não a obra acabada.

Consideravam que as salas de concerto, teatros e galerias de arte se encontravam estagnadas, preferindo as ruas, casas pessoais ou estações de comboio para apresentar as suas obras ou performances.

Fluxus ficou conhecido por ter contribuído grandemente para a criação de obras experimentais de diferentes meios e disciplinas artísticas, assim como pela criação de novas formas de arte, tais como a Intermédia, um termo criado pelo artista Dick Higgins.

Produziam obras de arte performativas, que incluíam áreas como o teatro, a música Neo-Dada, poesia, arte visual, planeamento urbano, arquitectura, design e literatura, entre outros, dando sempre prioridade ao conceito do Do-it-yourself (ou faça você mesmo). Fluxus é também descrito como um movimento de Intermédia.

O final do movimento, para alguns, deu-se com a morte de Maciunas, em 1978, cujo funeral foi também uma performance nomeada “Flux Feast an Wake”. Uma das regras seria que toda a comida teria de ser preta, branca ou roxa.

 

Susana Pires

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