A indústria cinemática de hoje está constantemente a tentar arranjar formas de imergir o público nos filmes. 3-D, grandes ecrãs, sistemas de som atmosférico, etc. são apenas alguns dos exemplos modernos, mas este tipo de táticas já existe há muito tempo. No entanto, o que já não existe é um realizador capaz de criar maneiras novas e totalmente únicas de prender alguém a um filme. Um homem com uma imaginação inacreditável para vender, não só um filme, mas uma experiência. Esse homem era William Castle.

 

billcastle

 

William Castle fez de tudo um pouco em Hollywood, mas o que o tornou famoso (ou infame) foram vários filmes baratos feitos por ele durante os anos 50 e 60 com “truques” para tentar atrair o público aos seus filmes. Cada filme tinha o seu “truque” e a única forma de o ver era indo ao cinema para ver o filme. No “Macabre” (o primeiro filme a usar estes “truques”), ele ofereceu a toda a gente um certificado para um seguro de saúde de 1000$, caso morressem de susto; Com “The Tingler” ele colocou motores vibratórios em certos lugares do cinema para fazer o público achar que a criatura do filme estava à solta na sala de cinema; No “13 Ghosts”, ele ofereceu óculos especiais que permitiam ver os fantasmas do filme. O caso mais famoso foi com “Homicidal” em que, caso o filme fosse demasiado assustador, o espectador, a certa altura, tinha a opção de entrar numa pequena cabine amarela chamada “O Canto dos Cobardes” e assinar um papel a declarar que era um cobarde e receberia o seu dinheiro de volta.

 

 

O que Castle fazia era (fosse essa a sua intenção ou não) puxar a audiência para os seus filmes com variadíssimas técnicas desde esqueletos voadores a assentos vibratórios. Podemos pensar nele como alguém que procurava oferecer às pessoas uma experiência de verdadeira interação  com o filme que estavam a ver e quase como uma espécie de percursor à ideia de filmes em realidade virtual (ou seja, filmes em que o público é participante na ação). Assim, William Castle mostra-se como um pioneiro na forma de repensar o cinema como uma arte interativa mesmo que, sejamos sinceros, ele estivesse mais interessado em fazer dinheiro do que revolucionar propriamente a arte cinemática.

António Pedro Costa