Etiquetas

, , ,

Em todas as entradas que efetuei neste blog tenho tentado pegar em assuntos que eu gosto ou que me chamam a atenção e coloca-las em contexto de aula e desta vez encontrei-me a pensar em algo que me seja familiar, que goste e que se enquadre dentro do conceito de remediação. Esta linha de pensamento levou-me a duas vertentes bastante famosas da cultura japonesa e que recentemente se tornaram mais conhecidas mundialmente, o anime e o mangá.

Manga é a palavra usada para designar banda desenhada feita no estilo japonês, e designa quaisquer bandas desenhadas publicadas no Japão. É uma parte importante da industria editorial japonesa e é lida por todas as fachas etárias e são tipicamente impressas em preto e branco. Anime é animação que é produzida por estúdios do Japão onde são criados sucessos internacionais com dobragens e exibições televisivas, como é o exemplo da série televisiva Pokémon. viktorUm aspeto importante que se tem de ter em mente é que não é necessário existir um mangá para existir um anime (ex. Yuri on Ice) nem é necessário existir um anime para um mangá ser famoso (ex. Dengeki Daisy).

Agora a questão é onde a remediação se enquadra nestas duas variantes. Em muitos dos casos os animes derivam de mangás (ex. Sailor Moon) em outros casos mangás derivam de animes (ex. Code Geass), sendo o primeiro o mais comum. SailormoonÉ neste processo que se enquadra o conceito de remediação pois existe alterações dos meios de apresentação e de criação. Enquanto que nos mangas a origem é criada em papel e apenas mais tarde é passada para digital para facilitar a distribuição, que também é na maioria das vezes feita em papel (em revistas ou volumes encadernados), no caso dos animes tanto a criação como a distribuição é feita em meios digitais como a televisão e a internet. Mesmo existindo este processo ambos coexistem lado a lado com a mesma procura e sucesso, não existindo uma sobreposição dos meios mais atuais.

 

Na maioria dos casos estas duas partes trabalham com uma grande fidelidade uma á outra, ou seja, não há grandes alterações de história ou de ações o que torna ainda mais interessante este processo, como se tratasse de uma cópia em movimento do que se lê em livro. Um exemplo disto são os animes Blue Exorcist e Death Note que têm como origem mangás e que mantêm não só os mesmos traços das personagens como também os diálogos e os acontecimentos. blue exorcist Outro exemplo é o mangá/anime One Piece no qual os capítulos de mangá saem em simultâneo com os episódios de anime possibilitando o acompanhamento lado a lado para quem gosta de ler ou de ver. Existem também animes e mangás que têm a mesma base e que são lançados simultaneamente, mas cuja narrativa tomam rumos por vezes completamente diferentes, como é o caso do anime/mangá Revolutionary Girl Utena. Isto mostra-nos também a diversidade existente nestes meios e nestas categorias onde existe um pouco de tudo para todos os gostos.

 

Podemos observar então que estes conceitos de remediação, hipermediação, etc. se encontram em todos os aspetos das nossas vidas, como no que observamos, nos nossos gostos e no que estamos sujeitos a receber como pessoas recetivas numa sociedade em que tudo nos é dado, mesmo não tendo pedido em alguns casos, o que nos mostra que na realidade vivemos num mundo cada vez mais entregue aos midia e ás suas vertentes.

Lúcia Ramos