Sem querermos cair na repetição, decidimos escrever no blog sobre o tema (geral) do nosso trabalho de grupo, indo mais a fundo na questão da remediação, que nos parece essencial nesta fase. O tema é a Ilusão Ótica. Achamos irrelevante a extensa apresentação do tema neste contexto. No entanto, e de forma breve, entenda-se ilusão ótica como “imagens que enganam o sistema visual humano, ao fazerem com que vejamos coisas que não existem ou vê-las de forma errada”.

 

 

Marshall McLuhan publica Understanding Media: The Extension of Man (1964), traduzido para português como Os Meios de Comunicação como Extensão do Homem, onde afirma a polémica frase:

The medium is the message. This is merely to say that the personal and social consequences of any medium – that is, of any extension of ourselves – result from the new scale that is introduced into our affairs by each extension of ourselves, or by any new technology.

Até então o estudo dos meios incidia sobre o seu conteúdo e é aí que o canadiano gera controvérsia. Para ele,  o mais importante não é o conteúdo da mensagem, mas o veículo através do qual a mensagem é transmitida – o meio. Na mesma obra, declara:

The content of any medium is always another medium. The content of writing is speech, just as the written word is the content of print, and print is the content of the telegraph.

Talvez McLuhan estivesse a prever o que trinta anos depois se instituicinaria como a tripla lógica da genealogia dos media: remediação, imediacia e hipermediacia.

Em Remediation: Understanding New Media (1999), Jay David Bolter e Richard Grusin apresentam o conceito de remediação, que dizem ser “a lógica através da qual novos media derivam, transformam e coexistem com os media anteriores”.

Entendemos a ilusão ótica praticada hoje por meio de edição de fotografia, usando programas de edição de imagem como o Adobe Photoshop, uma evolução (ou seja, derivada) das artes tradicionais da pintura ou do desenho.

Para exemplificar, usamos o mesmo trabalho fotográfico que apresentámos em aula – Illusion, de Fayçal Hajji – por acharmos demasiado evidente as três características essenciais, que aqui se combinam: ilusão ótica, fotografia e edição de imagem.

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Fayçal Hajji – Illusion

A ilusão de que o rosto do modelo/fotográfo – é uma obra self-portrait – está simultaneamente colocado de frente e de lado para a câmara foi conseguida através de um meticuloso processo de edição de imagem.

Podemos, então, concluir que a ilusão ótica não estagnou nas tradicionais artes, mas, por remediação, continua a ser passível de ser trabalhada nos meios actuais.

 

Bárbara Anjos

Paula Martins