Os filmes de animação são distinguidos dos outros géneros de filmes devido aos diferentes métodos de trabalho durante a fase de produção. Cada vez mais, estes métodos são sofisticados, graças à tecnologia digital, mas o processo original consiste na elaboração individual de cada fotograma na película. Isso é realizado por meio de registos fotográficos de figuras desenhadas, através de mínimas mutações repetidas de um protótipo primordial. Assim que os fotogramas são conectados, o filme é assistido à velocidade de 24 ou mais reproduções por segundo, o que dá origem a uma sensação de movimento ininterrupto. Apesar de as células e os desenhos serem fotografados, um animador também pode trabalhar sem uma câmara. Pode desenhar diretamente, raspar e colar objetos planos no filme.

Existem várias técnicas de animação:

– A técnica mais básica é chamada de teste do lápis. Consiste em desenhar muitas imagens e grava-las num plano de cada vez.

– A stop-motion 2D é semelhante ao teste do lápis, no entanto, apenas existe uma única superfície que se vai apagando e desenhando continuamente.

– O método de Reininger consistia em criar silhuetas cortando formas opacas e iluminando-as por baixo. Para produção comercial, a forma mais comum de animação é chamada de animação celular. A célula é uma folha de celulóide transparente que pode ser pintada. Normalmente, as personagens são pintadas na celulóide, e os fundos estão em algum meio opaco, como o papel.

– De todas as formas de animação tradicional, a mais realista é o stop-motion 3D. A ideia é de que haverá várias versões de um objeto, como a cabeça de um personagem. E em cada plano do filme simplesmente será substituída essa cabeça para obter uma expressão diferente. Qualquer objeto que o realizador consiga manipular no dia-a-dia pode-se tornar num objeto animado através de desenhos 2D e 3D.

O francês Émile Reynaud foi o responsável pelo primeiro desenho animado, produzido com doze imagens e películas contendo cerca de 500 a 600 imagens, em 1892.

A animação de objetos consiste em três categorias:

– A animação em argila, tal como o nome indica, envolve a manipulação de objetos argilosos. Este material acabou por ser substituído por plasticina, por ser mais fácil de trabalhar e com uma ampla gama de cores disponíveis.

– A animação com marionetas é semelhante. As figuras, devido às suas pequenas articulações, são movidas através que pequenos fios.

– Pixelização é um termo aplicado para enquadrar o movimento de pessoas e objetos comuns, plano a plano. Embora os atores normalmente se movam livremente e sejam filmados em tempo real, ocasionalmente um animador pixeliza-os. Ou seja, o ator pára numa pose para a exposição de um plano, depois move-se ligeiramente e pára novamente para outro plano, e assim sucessivamente. Os resultados são um movimento brusco e não natural muito diferente da atuação a que hoje estamos habituados.

Por vezes a animação é misturada com filmagens ao vivo. A série “Alice in Cartoonland” (1920) colocou uma menina, interpretada por uma atriz, num mundo desenhado a preto e branco.

Em 1928, os estúdios Walt Disney lançaram o primeiro desenho animado com som sincronizado da história, a curta-metragem “Steamboat Willie”. A resposta positiva do público foi a prova em como o som acentua a dimensão narrativa de um filme e produz imersividade no espectador.

Para se afastar do trabalho de animação unidimensional anterior, Walt Disney criou a câmara multiplano. Este dispositivo usa uma série de vidraças com elementos individuais pintados sobre elas e criou um mundo tridimensional no qual os elementos do primeiro plano se moviam separadamente dos que estavam em segundo plano. Foi testado pela primeira vez na obra “The Old Mill” (1937), a qual recebeu um Óscar para melhor curta-metragem de animação.

Os animadores fizeram experiências ao longo dos anos, mas o filme de maior sucesso foi Duck Amuck de Charles M. Jones em 1953. Embora tenha sido feito dentro do sistema de Hollywood e use uma forma narrativa existe também um carácter experimental pois pede ao público para interagir.

No filme, todos os cenários são pintados e à medida que Daffy interage com o público, requer várias mudanças de cenário, mudanças estas feitas por um grande pincel ou por um lápis e borracha, adicionando ou removendo partes do cenário, adereços, guarda-roupa, etc… Com isto, o filme explora várias convenções e técnicas como os fundos pintados, efeitos sonoros, enquadramentos e efeitos musicais e confronta os espectadores com os processos de produção normalmente ocultados.

Todas as alterações que vemos vêm de fora do enquadramento, tal como o som, que nunca é produzido pelas personagens e pelas situações do filme, uma realidade que Daffy também denuncia.

No setor de animação, muitas das técnicas que vimos aqui foram substituídas pela animação por computador, porque é simplesmente mais rápido, mais barato e mais fácil de produzir. No entanto, alguns artistas ainda trabalham com técnicas tradicionais como Tim Burton’s com “Frankenweenie” que surgiu em 2012.

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Bárbara Santos

Catarina Antunes

Catarina Gouveia

Isa Neves

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