No ano de 1999 surgia o livro Remediation: Understanding New Media em que os seus autores  Richard Grusin e Jay David Bolter defendiam uma teoria dos novos media. Esta teoria baseava-se numa tripla genealogia dos média: a remediação, a imediação, e a hipermediação.

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Capa de Remediation: Understanding the New Media de Richard Grusin e Jay David Bolter

Neste texto focar-me-ei, essencialmente, no conceito de remediação e na forma como os media (sobretudo os Novos Media)  se relacionam com este.

É importante percebermos em primeiro lugar que a remediação é “a lógica formal através da qual os novos média reformam as formas dos média anteriores.” (Bolter & Grusin, 2000: 273) e, dentro desta perspectiva é importante realçarmos que existe uma transformação constante em todas as áreas artísticas e mediáticas, sempre houve e sempre haverá. Neste contexto é preciso perguntar-mo-nos: Em que aspecto a era digital veio alterar/reformular este conceito? Bom, na realidade, não me parece que o altere, mas antes que o expanda e, expande-o, sobretudo porque a tecnologia digital é uma tecnologia expansiva e em expansão, isto é, será sempre infinitamente renovada, modulada, processada, etc. Repare-se então, que, apesar de estarmos a falar de um conceito relativamente recente, não falamos, certamente, de um fenómeno recente. Desde sempre se procurou juntar formas para criar outras ou para alterá-las. Isto faz parte da Humanidade e do seu desejo de expansão artística, política, social, científica, etc. No meu ponto de vista, o que realmente se alterou com a chegada do mundo digital é a quantidade e infinidade de opções como já referi anteriormente. A grande questão é que no século XVI, por exemplo, adaptavam-se contos/histórias para teatro. Hoje é possível fazer um teatro enquanto se passa um filme de alguém a dançar, com efeitos de luzes que se vão acendendo consoante as dinâmicas da música que está a ser criada em tempo real através de um software informático.

O sociólogo canadense Marshall McLuhan argumenta que “o conteúdo de cada meio é sempre outro meio” e nessa perspectiva procuramos sempre formas várias através desses tais meios de exprimir outros. É a esta característica que chamamos de remediação que, na prática, existe desde sempre na história dos media, mas que é a principal característica dos media digitais. Na minha opinião isto não acontece devido ao momento histórico, mas ao momento tecnológico, isto é, o processo digital cria mais possibilidades de experimentação e, consequentemente, novas formas de criação, muitas vezes reformulando outros conceitos e confrontando paradigmas.

Reparemos, por exemplo, neste artigo da revista Rolling Stone que fala de uma nova experiência digital para os fãs dos filmes e livros do Harry Potter. 

Artigo da revista Rolling Stone: “‘Harry Potter’ Fans Can Tour Hogwarts in New Digital Experience”

“Harry Potter” é um exemplo perfeito do que é este conceito de remediação. Uma saga de livros adaptada para filmes e, que daí, parte para inúmeras formas de exploração digital. Desde este caso específico expresso no artigo acima até sessões de cinema com a banda sonora tocada por uma orquestra real.

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Harry Potter and the Philosopher’s Stone In Concert

Muitos outros casos poderiam ser destacados, mas o que pretendi explicar foi o porquê da era digital vir trazer às características já existentes do conceito de remediação uma nova e mais expansiva perspectiva.

 

 

Referências Bibliográficas

Remediation:Understanding New Media de Richard Grusin e Jay David Bolter

 

 

Miguel de Almeida Araújo

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