Desta vez, foco-me no trabalho de um artista, Adam Martinakis, e não numa obra específica. As suas obras parecem-me demasiado interligadas, incidem sobretudo nos temas do corpo, de como este se relaciona com a vida, com a morte e com a sexualidade nesta era, a digital. Geradas por computador, estas esculturas digitais têm um carácter fotorrrealista e surrealista, que o próprio diz serem uma “mistura de futurismo pós-fantasia e simbolismo abstrato”.

O seu acesso é tão fácil quanto visitar o site do polaco; vou, no entanto, dar ênfase a algumas obras:

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Os contornos dos corpos são produzidos pela simulação dos sistemas circulatórios de cada um; vários vasos sanguíneos se fazem fluir e, conforme a expressão dos mesmos, unem-se pelo “erotismo” (erotic). “Erotismo” este que o autor diz ser  “vazio” (void) – fica a dúvida no ar, afinal o que é que Adam quer transmitir com este título? Pode tomar o significado de os corpos serem apenas fruto dos contornos – daí, ocos – ou, de uma forma menos objectiva, os corpos – nesta perspectiva seriam mais do que simples corpos – estarem tão envolvidos nesta nuvem de paixão, de erotismo, que quase parecem ter sucumbido para um cantinho, um “vazio” erótico, que só a eles pertence. Adam Martinakis transmite, com alguma consistência, esta mensagem, das relações interpessoais, das emoções e das expressões fortes.

 

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A ideia dos contornos dos corpos enquanto fios, muito parecidos com os vasos sanguíneos, mantém-se. A obra icónica de Michelangelo, The Creation Of Adam, com o quase toque de mãos entre Deus e Adão é representada aproximadamente 500 anos depois em re(al)creation of Adam. Relembrando que o próprio autor se chama Adam e separando a palavra em real + creation, conseguimos perceber o trocadilho conseguido entre os títulos das obras. Por meio de software e hardware, num espaço virtual, criou esta obra vencedora da competição internacional de arte  CultureInside.com ROOTED, em 2009.

Por mais breve que seja esta apresentação, convido-vos a explorarem o trabalho de Adam Martinakis. Numa era que se diz digital e efémera, tem um sabor bem especial encontrar artistas que não só se adaptaram, como são exemplares na forma de fazerem as suas artes. De uma coisa tenho a certeza: a obra de Adam é demasiado marcante para se fazer desaparecer num simples click.

Bárbara Anjos