Remediação, hipermediação e imediação foram conceitos teorizados por Jay David Bolter e Richard Grusin, na obra “Understanding New Media”. Remediação é quando um meio passa a incorporar/imitar elementos de outros meios, herdando dos meios antecessores os seus procedimentos, as suas rotinas e valores. Cria-se, assim, de uma forma dinâmica, um elo entre os diferentes meios de comunicação. No conceito de hipermediação, o público tem a perceção que existe um meio que o liga ao “mundo virtual” e este meio está sempre explícito, mostrando que há mediação de informação. A imediação, por outro lado, leva-nos até esse “mundo” sem que tenhamos a consciência que há uma separação da realidade e do virtual.

O clássico e inquietante filme “The Truman Show” (1997) de Peter Weir, protagonizado por Jim Carrey, fala-nos de uma cidade, Seahaven, inteiramente construída para fazer de cenário a uma gigantesca produção televisiva. Este é um programa que acompanhara desde sempre a vida de Truman (Jim Carrey), desde a sua infância ao mais pequeno pormenor, sem que este soubesse que estava a ser observado. Os seus amigos e a sua vida seriam na realidade uma mentira, pois todos os que o rodeavam eram meros figurantes.

Aqui, é-nos apresentado um exemplo de imediação, em que o personagem Truman é o indivíduo que está a ser mediado, sem ter conhecimento do meio que expõe a vida. Por meio das mídias imersivas, como por exemplo, todo o cenário e camaras, ainda que transparentes, a sua vida edifica-se num mundo irreal, que é o real aos olhos de Truman.

Por outro lado, e do ponto de vista dos espectadores do “reality show”, presencia-se a experiência da mediação em si, pois os observadores estão completamente cientes daquilo que vêem, tendo consciência de que são mediados por um meio, neste caso, a televisão.

Assim, “The Truman Show”, retrata eficazmente os dois processos referidos anteriormente. Percebemos que a diferença entre a realidade e a ilusão pode não ser tão evidente, uma vez que o corpo real pode transitar para um mundo meramente ilusório, consoante a perspetiva assumida, obviamente. As tecnologias da realidade virtual permitem-nos não só olhar uma paisagem, mas também proporcionar uma interação como se estivéssemos dentro de um mundo alternativo.

Francisca de Sá Carvalho

 

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