“O conteúdo de um meio é sempre outro meio”, analisando a ilustre frase de Marshall Mcluhan, encontramos sentido para esta afirmação em quase toda a realidade mediática, nomeadamente no que toca aos famosos reality shows.

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Em 1973, pela primeira vez o mundo conheceu uma nova forma de fazer entretenimento, o reality show. Este foi produzido nos EUA e rapidamente se tornou um sucesso, influenciando mais tarde outros programas.  Neste show, o público podia acompanhar o dia-a-dia de um casal da Califórnia e os seus cinco filhos.

Em 1999, um sócio da empresa Endemol, teve a ideia de criar um reality show, onde um conjunto de pessoas comuns seriam selecionadas para conviverem dentro de uma habitação vigiada por câmaras constantemente. Este programa ganhou o nome de Big Brother, nomenclatura essa, que foi adotada por quase todos os reality shows que neste se basearam. Portugal não foi exceção à regra e, no ano 2000, foi lançado o primeiro reality show fabricado por uma televisão portuguesa.

Dez anos depois, este conteúdo voltou aos ecrãs portugueses, mas desta vez inspirado no nome do programa francês, secret story.

Posto isto, sendo a casa dos segredos um medium de entretimento, o seu conteúdo provém sempre de outro meio, neste caso do antigo Big Brother, que, por sua vez, foi influenciado pelo primeiro reality show americano, a “American Family”.  Então se os programas tiverem sempre como conteúdo outro meio.  Qual é o meio do primeiro programa deste tipo? O próprio quotidiano das pessoas, a realidade humana, as suas fraquezas e qualidades. Faço, deste modo, um paralelismo com a era tribal de Mcluhan, uma vez que os concorrentes imergem numa casa onde ficam sem nenhum tipo de contacto com o exterior: sem televisões, sem jornais, sem internet, longe da família e dos seus pares. Promovendo comportamentos, por vezes, instintivos e descompensados. Contudo, bastante atrativos para a audiência, que através de números comprova o sucesso notório destas programações.

Quanto ao seu processo de remediação, a maioria das caraterísticas do secret story português vieram de programas antecessores, porém, hoje em dia, graças ao desenvolvimento tecnológico tornou-se possível aceder às informações ao minuto, através de aplicações para o telemóvel que tornam a relação com o reality show mais fácil, interativa e espontânea. A web, principalmente as redes sociais, veio contribuir nesse sentido. Para além disso, criou-se um canal para seguir a casa 24h por dia, enquanto anteriormente apenas se assistia aos acontecimentos no programa à noite. realizado para esse fim.

 

Paula Cristina Martins

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