Uma paródia é, por definição do dicionário, uma imitação burlesca de uma obra séria. Porém, isso nem sempre significa que a paródia não tenha o seu próprio valor artístico e que não possa ser caracterizada como uma obra de arte sozinha, sem a sua antecessora.

Apesar de serem mal vistas, na maioria das vezes, nem sempre as paródias são feitas para serem engraçadas ou são produzidas de formas banais, as vezes, são feitas como uma forma de homenagem ao produto original. Elas, por tanto, não deixam de ser uma forma de expressão artística, pensada e produzida em sua singularidade. Além disso, as paródias são também uma forma de remediação, uma vez que incorporam o próprio meio em sua narrativa, fazendo uma releitura da obra original.

O universo das paródias é amplo, abrangendo diversos estilos artísticos, como: a televisão, o cinema, a fotografia, a música, a literatura, publicidade e etc.

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Crazy Ex-Girlfriend / The CW TV Series

Na televisão, é comum encontrarmos paródias nos programas “talk shows” ou até mesmo  encontrarmos programas feitos com especialmente com o intuito de serem paródias, ou dedicaram grande parte de sua grade de horário para isso como acontece com Saturday Night Live. 

As séries televisivas, ou mesmo as que fazem parte de serviços de streaming como Netflix, também tem adotado a pratica da paródia, dedicando episódios a isso ou pequenos intervalos de tempo.

No caso de Crazy Ex-Girlfriend, série musical da The CW, podemos observar um constante uso da paródia em seus números musicais. Nesta série, a protagonista Rebecca, após encontrar Josh, seu ex-namorado, decide deixar o emprego e sua vida em Nova Iorque e se mudar para West Covina, Califórnia, onde Josh mora. É a partir deste enredo que a protagonista, e as outras personagens, vão criar um número musical para cada situação de suas vidas.

As referencias a cultura pop nesta série são inúmeras, mas as paródias mais fáceis de reconhecer são:  Diamonds Are a Girl’s Best Friend, que se tornou The Math of Love Triangles e I Kissed a Girl, que virou Feeling Kinda Naughty.

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The Great Dictator (1940) – Charlie Chaplin

No cinema, o gênero das paródias é quase imediatamente associado com comédia, ou besteirol. Com uma lista de filmes, desde os primórdios do cinema, este gênero acabou por ganhar espaço produzindo filmes engraçados e que satirizavam o original, por muitas vezes de forma idiota, como é o caso das paródias dos filmes de terror (a franquia Scary Movies) e as paródias dos filmes “teens” (Vampires Sucks e The Starving Games).

Porém, nem todo filme desse gênero é assim, alguns sendo pensados para servir como critica social, homenagem ou até mesmo, inovar o produtor original, como se fosse um reboot.

The Rocky Horror Picture Show, por exemplo, é uma paródia dos filmes de ficção cientifica de antigamente, com os mesmo figurinos e cenários sendo utilizados, apesar de muita gente não saber disso. Hoje em dia, o filme é considerado um clássico e recentemente ganhou o seu próprio reboot.

Outro exemplo de uma paródia “séria”, apesar de ser considerado um filme drama-comédia, é o filme de Charlie Chaplin The Great Dictator. Nele, Chaplin faz uma sátira à Hitler, seus discursos, Mussolini e ao que viria a ser o terror da Segunda Guerra Mundial. E mesmo sendo uma paródia, o filme foi indicado para 5 Academy Awards, virou um dos projetos mais importantes que Chaplin fez e foi o seu primeiro filme com som.

Na publicidade, a paródia é muito utilizada, seja por meio de poster, (como visto anteriormente, com o poster da nova temporada da série Stranger Things, 2017, e do filme de 1979, Alien), seja por meio de videos.

O uso de melodias conhecidas em campanhas publicitarias é uma estratégia antiga e eficaz, usada por diversos tipos de empresas e que alcança publico demográfico grande.

No Brasil, as paródias fazem parte de mais de 50% das campanhas publicitarias, estando presentes nas prognatas televisivas, nos panfletos e nas imagens digitais. Neste site, é possível achar alguns hits da publicidade atual do gênero paródia: aqui. 

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O universo da paródia vai muito além do que o mencionado, podendo ser encontrado: no trabalho de fotógrafos, como a série de fotos da francesa Nathalie Croquet, chamada “Spoof” onde ela recria ensaios fotográficos de moda; na literatura, como no Canto de Regresso À Pátria de Oswald de Andrade, que é uma parodia à “Canção do Exílio de Gonçalves Dias; na música, em diversos canais do Youtube dedicados apenas para isso; na pintura, como é o caso de Las Meninas de Pablo Picasso, que é uma paródia de uma pintura de mesmo nome do pintor Diego Velazquez.

É um universo que tem se expandido muito nos últimos anos, especialmente com os avanços tecnológicos e com o a remediação dos meios acontecendo cada vez mais, a medida em que o mundo vai evoluindo e as coisas vão mudando.

Pessoalmente, acho que é um universo muito interessante de ser analisado, estudado e pesquisado, pois é peculiar e particular, tendo em si um horizonte de possibilidades infinitas na medida em que pode fazer a releitura da obra original do jeito que achar melhor. Por fim, acho que as paródias deveriam deixar de ser tratadas como apenas entretenimento fútil ou algo engraçado, pois há muito mais nelas do que isso.

Júlia Miranda de Oliveira

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