Com a tecnologia que nos é disponibilizada nos dias de hoje somos capazes de criar e manipular sons criando varias versões dos mesmos. A isto Manovich chama de principio de variabilidade, ou seja, na possibilidade de diversas versões do mesmo objeto digital, usando os processos da representação numérica e da modularidade estrutural.
Neste caso que vos apresento trata-se da manipulação de sons para criar um desenho do mapa do mundo como o conhecemos, criando uma obra tanto sonora como visual chamada “Musical World Map” (Mapa Mundial Musical) criada por John Keats e lançada no seu canal do Youtube a 25 de fevereiro de 2017. Esta obra é criada digitalmente numa estação de trabalho de áudio, usando sons sintetizados e batidas já criadas num programa que permite a manipulação dos mesmos, como se fosse uma tela com as cores e os pinceis, preparados para a criação de uma obra. Esse programa trabalha então como uma base de dados que organiza e armazena novos ou já existentes sons, separando-os em categorias facilitando a sua procura e utilização.
Utilizando o programa acima referido e o som do piano John Keats dá som a um mapa que nos é familiar e que é considerado a representação mais correta do nosso planeta, mesmo esta não sendo uma melodia muito coerente e com uma narrativa especifica. Após este trabalho o mesmo criou também focos em cada um dos continentes usando a mesma técnica num conjunto de obras bastante interessante e que já contam com quase 6 milhões de visualizações, tornando esta plataforma de partilha de vídeos quase também numa galeria de arte, devido á enorme quantidade de artistas que preferem partilhar as suas obras nesta. Isto mostra-nos que a arte está a deixar de ser apresentada apenas em museus ou amostras de arte e a ganhar um caracter mais digital tanto de criação como de partilha.

Lúcia Ramos