Jay David Bolter e Richard Grusin em “Remediation:Understanding New Media”, apresentam a tripla lógica na genealogia dos média: a remediação, a imediacia e a hipermediacia. Estes afirmam que a remediação é a principal característica dos meios digitais.

Os novos meios digitais que surgiram são uma remediação dos meios mais antigos. Temos que pensar no meio quando passa para outro meio. Um exemplo disso é o teatro e os romances que são remediados pelo cinema, pois estes são várias vezes adaptados para filmes. A remediação que ocorre com os novos meios é como uma melhoria dos anteriores, trazendo algumas vantagens. Muitas vezes não ocorrem só relações de mediação mas também de competição. Os meios competem entre si pela nossa atenção.

A imediacia é o meio oculto, a sua transparência. O objetivo desta é excluir o meio pela qual a mensagem está a ser transmitida. A maior parte dos filmes americanos usam a lógica da transparência, nós nunca conseguimos ver as câmaras.

A hipermediacia é o contrário da imediacia, os meios mostram-se, há um processo de estranhamento. Tem como objetivo mostrar ao público que existe uma mediação.

No vídeo da campanha de SNCF “Europe. It’s Just Next Door”, várias portas foram colocadas em espaços públicos em torno da cidade de Paris. Assistimos a pessoas a estranharem esse facto. Cada porta tem um país indicado e ao ser aberta encontramos telas planas digitais especiais com transmissões ao vivo de diferentes cidades europeias. As pessoas têm a possibilidade de ver, falar e interagir com outras desse mesmo país, quase como se tivessem a verdadeira experiência de o visitarem. Dá-nos uma ideia de outra realidade tridimensional.

 

Neste vídeo, conseguimos experienciar a tensão que muitas vezes existe entre imediacia e hipermediacia. Imediacia no facto de o ecrã estar escondido, ou seja, o meio está oculto, só é possível vê-lo abrindo a porta. Temos presente o efeito de transparência. Hipermediacia porque vê-mos uma porta no meio da rua, há uma rutura da realidade, um estranhamento.

Esta campanha abre portas interativas entre cidades europeias. A tecnologia por trás envolveu o fornecimento de uma experiência em tempo real através de conexão via satélite e uma tela digital personalizada, perfeitamente dentro de cada porta.

 

Bárbara Santos