A remediação é uma caraterística fundamental da mediação digital que diz respeito a toda a história dos média. Os meios digitais medeiam outros meios, reconfigurando as suas formas de acordo com as propriedades da materialidade digital.

Por exemplo, o auge do rádio deu-se no início dos anos 1940, quando estrearam as radionovelas no Rio de Janeiro e em São Paulo, sendo um sucesso de audiência durante duas décadas.
Tendo como público alvo o feminino, a radionovela é uma forma de apresentar uma história como uma alternativa aos livros, teatros, cinema, etc. Apresenta-se em forma de som e é transmitida via rádio. A maioria das gravações das radionovelas eram ao vivo sendo a improvisação um elemento essencial.
Estas estimulavam a imaginação dos ouvintes. Existiam duas componentes: as vozes e o som ambiente. Como havia poucos recursos apenas existiam os chamados radioatores (protagonizavam as tramas com a utilização da voz) e os efeitos de sonoplastia (os sons de cavalos a galope eram apenas cascas de coco a bater numa mesa).
Em 1941 é transmitida a primeira radionovela, no Brasil, “Em busca da felicidade”. A obra mexicana foi escrita por Leandro Blanco, com adaptação de Gilberto Martins e ficou em emissão por aproximadamente três anos.

O custo da produção das radionovelas era muito alto e o crescimento da televisão levou à sua extinção na década de 1970. Assim, a radionovela foi-se adaptando à nova era das televisões surgindo uma nova forma a que hoje chamamos telenovelas.
As primeiras telenovelas também copiavam a estrutura das radionovelas, na forma e no conteúdo mas, com as imagens da TV, o resultado foi ainda maior. “Sua Vida Me Pertence” (1951) é a primeira telenovela brasileira. Foi escrita e dirigida por Wálter Forster, que também protagonizou a história, ao lado de Vida Alves e Lia de Aguiar, formando um triângulo amoroso.
Entre 1965-1966 é exibida a telenovela “Em Busca da Felicidade”, uma adaptação da primeira radionovela Brasileira.

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Isa Neves