A realidade virtual é um conceito que nos é cada vez menos estranho. Com o desenvolvimento tecnológico e com o carácter fugaz que a vida quotidiana atingiu, principalmente nas grandes cidades, a nossa curiosidade leva-nos a procurar experiências inovadoras e impressionantes, leva-nos a procurar explorar o “desconhecido”.

O desenvolvimento desta área permite-nos isso mesmo, explorar o desconhecido através de simulações artificiais geradas por computador, recriando situações que aparentemente são reais e que, combinando estímulos visuais e auditivos, submetem o espectador/utilizador a uma experiência imersiva.

A possibilidade de viver e testemunhar situações impossíveis tem sido muito explorada pela indústria cinematográfica. Os filmes 3D conseguem, com apenas um par de óculos, teletransportar-nos para dentro de mundos fantasiosos como em “Avatar”, pôr-nos frente a frente com Godzilla, ou até mesmo no centro de uma catástrofe natural.

Com a crescente procura da realidade virtual têm-se desenvolvido novas formas de a fazer chegar a um maior número de pessoas, e as televisões Ultra HD ou mesmo 3D são a grande oferta do momento.

A utilização de uma destas televisões permitiu transformar uma simples entrevista de trabalho numa situação de catástrofe eminente. Ao explorar a imediacia inerente a estes ecrãs, a empresa empregadora faz o entrevistado passar por uma situação de pânico e medo ao ver um meteorito cair sobre a cidade. A capacidade de transparência e camuflagem deste meio engana a percepção do candidato que entra no escritório, transmitindo-lhe a ideia de que o que está à sua frente é uma janela com vista para a cidade em que se encontra, como é possível ver aquando a instalação da televisão. Conjugada a imediacia com técnicas auditivas e visuais, uma delas a sensação de tremor, a situação atinge uma realidade impressionante, obtendo reacções genuínas das pessoas a serem observadas.

Quando toda a experiência termina e as luzes acendem, a pessoa em questão depara-se com o ecrã preto da televisão, revelando a sua materialidade enquanto meio, denunciando-se. Nesta situação temos bem presente a tensão entre imediacia e hipermediacia. A impressionante capacidade de transparência do meio é o que acaba por o vender, mas há sempre uma necessidade de expôr os seus limites visuais e a sua materialidade. Podemos entender também como hipermediacia todos os outros meios envolvidos na criação deste momento, entre eles as câmaras e as colunas ocultas que nos são mostradas no início do vídeo.

A remediação é outra característica inerente a estas televisões. É nelas que convergem as técnicas que, desde o Renascimento, tentam aproximar o mais possível a imagem à realidade. Remediando a pintura e as suas técnicas de prespectiva, a fotografia, o vídeo e tudo o resto, podemos concluir que as televisões Ultra HD e 3D são um meio que agrega toda a história da imagem.

 

Catarina Antunes