No nosso dia a dia, quando falamos em arte (principalmente quando somos confrontamos com pessoas que não são peritas no assunto), a primeira imagem que lhes vêm é certamente um quadro como o da Monalisa, e não por exemplo, o trabalho do artista Marcel Duchamp, que em 1917 criou uma obra que consiste num urinol branco virado ao contrário.

Fonte, 1917; Marcel Duchamp

     Ninguém fica indiferente a uma peça como esta, pois, por mais trivial que seja a sua génese, é marcada pela diferença, fazendo a sociedade se questionar: “o que é afinal a arte?”

      A definição de arte para Duchamp passa por se elaborar algo diferente, impensado e irreverente, daí a sua obra estar integrada numa corrente artística, o Dadaísmo.

      No caso do urinol, este não é visto como uma obra de arte se estiver na sua posição normal e a ser usado para os fins a que estamos acostumados, mas sim, se ganhar uma nova dimensão.

     A forma como o urinol invertido foi criado associa-se a uma técnica cujo nome é “ready-made”.

     O “ready-made” é um mecanismo de fazer arte recorrendo a objetos de uso diário, dando-lhes uma nova perceção, onde após o processo de criação atribui-se um nome e uma assinatura para posteriormente serem colocados num museu.          

      Perante isto, o que é a arte? Será que estamos perante um conceito indeterminado?

     A arte, como vimos, não passa apenas por criar coisas novas, passa por mexer com a cabeça das pessoas, criar sensações que é conseguido através do inusual.

 

Paula Cristina Martins

 

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