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Exemplar de boneca sexual chinesa

A noção daquilo que pode ser definido como suporte multimédia está em constante construção e aprimoramento pois está diretamente atrelada aos avanços técno/científicos contemporâneos e aos novos dispositivos que os contém.

Tais avanços atualmente se sobrepõem e se incrementam em progressão geométrica tornando a tarefa de defini-los cada vez mais desafiadora. Ken Jordan e Alan Kay são dois nomes que se destacam nesta tarefa pois produziram textos e desenvolveram conceitos que se tornaram balizas teóricas que resistem há mais de uma década, o que é muito tempo se formos utilizar como referência os avanços do início do Séc XXI onde as certezas são cada vez mais voláteis.

Integração; Interatividade; Hipermédia; Imersão; e Narratividade são os cinco principais conceitos apresentados e desenvolvidos pela dupla. De acordo com eles, se um dispositivo atende a estes cinco conceitos (não necessariamente na mesma proporção), seguramente tratar-se-á de um dispositivo multimédia.

Eis que, numa tarde de navegação descompromissada pela internet, me deparei com um artigo publicado no site EL PAIS que aborda a temática das bonecas sexuais inteligentes e sobre o quanto esse mercado está em plena expansão.

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Profissional realiza maquiagem em boneca segundo “customização” solicitada pelo cliente.

Tentando deixar de lado as inúmeras questões antropológicas e sociológicas que tal artigo suscita, surgiram-me questões teóricas acerca do conceito de multmimédia e se o mesmo pode ser aplicado a estes dispositivos. A resposta lógica que me vem a mente é de que sim, afinal, trata-se de um dispositivo híbrido que aglutina diversas capacidades e mídias distintas, interage com o usuário, cria um “trilho de associações pessoais” que o customiza de acordo com o uso; simula mas ao mesmo tempo é o próprio “ambiente tridimensional” , e gera um envolvimento cognitivo que extrapola, e muito, aquele que Jordan e Kay estavam imaginando quando escreveram seus respectivos textos.

Some-se a tudo isso a narrativa que o usuário acaba por construir com tal dispositivo, que também extrapola o conceito literário de máquina narrativa, para dar lugar aquilo que agora chamo de relação afetiva com o dispositivo. É belo e pavoroso, e talvez tais bonecas sejam algo que ainda não somos capazes de nomear enquanto fenômeno singular concreto. Pode ser simplesmente uma boneca ou o grande amor da sua vida. Mindblowing.

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Ah…o amor

 

Fábio Lucindo