Ao analisar como foram feitas determinadas cenas das séries televisivas, consideramos o uso de vários elementos de multimédia usados. O uso de novos mecanismos tecnológicos combinados com um rico enredo leva os fãs a mergulharem nesse novo mundo da trama, cheio de misticismos, mistérios e histórias diferentes. Contudo, os idealizadores buscam através de produções gigantescas construírem para as pessoas essa viajem ficcional, mas da maneira mais real possível. Assim, passamos a entender os impactos sociais causados com os novos mecanismos de multimédia e como ele pode ser usado para promover maior interação, hipermédia, integração, imersão e narratividade em diversos formatos de se fazer arte, entretenimento, entre outros. Portanto, podemos caracterizar a imersão como sendo um dos principais elementos que levam determinadas séries a ser sucesso mundial.

Um desses exemplos clássicos de sucesso e que iremos entender o porquê de tamanho êxito é a série televisiva intitulada “Game of Thrones”. A Guerra dos Tronos, transmitida pelo canal “HBO”, tem a sua origem nas obras literárias de G. R. R. Martin, “As Crónicas de Gelo e Fogo”, dividida até o presente momento em cinco volumes. Martin envolve os seus leitores através dos seus personagens extraordinários, a sua rica expressão paisagística, acontecimentos imprevisíveis e principalmente as batalhas de espadas. O cenário da trama é similar à história real da aristocracia medieval, na época dos cavaleiros. Com os seus volumes gigantescos Martin criou para os seus leitores um verdadeiro universo paralelo, cheio de mistérios, com trágicas histórias, com rivalidades de dinastias, isto é, um conglomerado de acontecimentos e elementos que constroem uma verdadeira obra fantástica.

Sabe-se porventura, que o escritor começou a escrever a sua obra principal – as crônicas – no início da década de 1990, só publicando o seu quinto volume no ano 2012. Por vez, pode-se perceber a dificuldade e as diligências que são necessárias para conseguir criar, de forma quantitativa e qualitativa, tamanha obra. Contudo, o que se quer interrogar é: como conseguir fazer a transposição da realidade literária e imaginativa, por vezes mais rica, para a expressão artística cinematográfica sem perder a fidelidade para com a obra originária, trazendo tanto o leitor como o espetador para dentro da televisão?

242556

Observa-se, por via das circunstâncias, que este é um desafio animador. Ora, é necessário fazer o paralelo com a obra literária, por exemplo: os cenários são heterogéneos ricos de detalhes e cada um com o seu clima peculiar. Ou seja, a extensão da magia deve se fazer presente, no entanto, de forma real, não mais de forma imaginativa através do leitor. É nessa questão em que os produtores entram. Desenvolvida por David Benioff, D. B. Weiss e a sua equipa, eles sabem como fazer da série um sucesso em venda e audiência. A série se encontra no atual momento na 7.ª temporada, já tendo ganhado 38 Emmys e feito parte do Livro dos Recordes, devido ter conseguido a façanha de ser a série dramática com maior transmissão simultânea ao redor do mundo. Tanto a sua produção cinematográfica quanto a questão da sua distribuição nos meios digitais são circunstancia que também influência no número de pessoas que passaram a seguir a série. Pois, a HBO oferece serviços de “streaming” para os assinantes. Facilitando onde e como assistir a Game Of Thrones. Além de criar uma experiência de realidade virtual que permitiu aos fãs dos Estados Unidos “subirem a muralha – cenário específico da série”, a HBO também desenvolveu aplicativos, outra forma diferente e inovadora de promover a série, que busca proporcionar maior interação com o público.

Estima-se que, atualmente, o canal HBO gaste cerca de US$ 15 milhões para produzir cada episódio. Os gastos fazem jus a produção por trás da série, que abusa de efeitos especiais e uma vasta equipe de maquiadores, figurinistas, técnicos, entre outros. Com cerca de 700 horas de filmagens a 7.ª temporada precisou ainda mais de investimento no tempo de trabalho disponibilizado pela equipa e elenco. Tendo os seus locais de filmagens espalhadas pelo mundo como: (Canadá, Croácia, Islândia, Malta, Marrocos, Espanha, Irlanda do Norte, Escócia e nos Estados Unidos), os diretores buscam fazer jus a realidade imagética transmitida na obra. Todavia, caminhando para a última temporada das crónicas, podemos dizer que os produtores conseguiram o feitio de persuadir e despertar os interesses dos internautas mesmo as vezes fugindo um pouco do seu contexto original do livro. Uma das cenas mais aclamadas pelo público, não estava presente no livro. O duelo entre Brienne of Tarth e Sandor Clegane.

 

brienne

Nessa questão levantamos outro questionamento, seria valido dizer que a construção digna e respeitável de um novo mundo, cheio de história, passou a ser tão bem representada, graças aos novos mecanismos tecnológicos e o seu excelente enredo, que o individuo passou a desconsiderar a obra original expressa nos livros de Martin? Essa pergunta nos faz ir adiante quando pensamos qual serio o papel das multimédias no futuro na construção das artes e dos entretenimentos modernos. Essas são apenas alguns das dúvidas recorrentes quando abordamos a complexidade das multimédias, mas o que podemos dizer é que os novos modelos de multimédia promovem mudanças constantes na forma e no modo como nos comunicamos, trazendo mudanças para vários setores da vida humana, inclusive na arte. E Game of Thrones se torna mais um exemplo do poder da multimédia e das suas mudanças no meio de comunicação e de interação entre pessoas, tendo o advento da multimédia influenciado de modo direto nas novas produções sociais e podem ser visto em diversos conteúdos, áreas. Já no meio cinematográfico, ela tem se tornado um recurso cada vez mais utilizado para retratar com veemência a realidade virtual, distante da realidade humana vivenciada atualmente, de modo a captar a atenção dos indivíduos.

MarcHom_GOT_211116-1121_RGB.JPG

João Vitor Costa