Ken Jordan, no seu livro “Defining Multimedia”, apresenta cinco características do meio computacional, sendo elas, integração, interatividade, hipermédia, imersão e narratividade.

A interatividade é a capacidade do usuário de manipular e afetar a sua experiência dos média com a qual entra em contacto, sozinho ou em colaboração com outras pessoas. Como refere Ken Jordan, ler um texto não é uma experiência interativa, para se tornar como tal, era necessário que houvesse uma alteração na aparência do ecrã, mudando, por exemplo, a ordem das palavras do texto.

Na obra de Jim Andrews, “The Moral Deformity of Team Trump”, temos um exemplo de interatividade. Podemos encontrar características como a variabilidade, tempo, obra aberta, entre outras. Esta obra é digital em todos os níveis, produção, receção, divulgação, distribuição. Andrews combina imagens de base de dados e aplica efeitos visuais. Nesta obra gera a sobreposição de membros do governo ligados a Trump. Este usa a arte multimédia como uma forma de fazer uma crítica política. A experiência que temos cada vez que olhamos é diferente, temos a capacidade de manipular o que vemos através de vários instrumentos. Ao fazermos essa manipulação de certas características do programa, obtemos uma sobreposição única de imagens, que muito dificilmente será possível repetir porque o meio digital cria infinitas combinações devido à base de dados. Os objetos digitais são suscetíveis a múltiplas variações uma vez, que são representações numéricas.

A arte digital é processada em tempo real, só temos a mesma experiência se gravarmos e assistirmos outra vez. É parecida às artes performativas, pois também têm uma variação daquilo que aconteceu antes.DK0BA-qUMAAKqfB

Bárbara Santos