Uma das cinco características que Randall Packer e Ken Jordan (2001) atribuem aos média digitais é a interatividade. Segundo os autores, a interatividade é a capacidade do utilizador de manipular e condicionar diretamente a sua experiência com os média, e de comunicar com os outros através dos média. Como tal, uma obra de arte digital, em que seja possível a interatividade, permite ao utilizador que possa de certa forma alterar, manipular essa obra e, assim, interagir e experienciá-la de outra maneira. O utilizador pode, desta forma, descobrir a obra e conhece-la de forma mais ativa.

“(…) reading a text is not an interactive experience; interactivity implies changing the words of the text in some way – adding to them, reorganizing them, engaging with them in a way that effects their appearance on the screen.”, Randall Packer e Ken Jordan

Jim Andrews tem desenvolvido um trabalho interessante na área da arte digital. Alguns dos seus trabalhos são bons exemplos do que é a arte digital contemporânea e de que forma a interatividade funciona e pode ser integrada neste conceito. E, ainda, de que forma isso pode alterar a experiência do espetador com a obra.

Uma das suas obras é o Jig-Sound. Como o autor o descreve, o Jig-Sound é Jig-Soundum projeto musical interativo. De forma resumida, este projeto consiste num conjunto de sons já pré-definidos, que servem de base e que estão disponíveis para o utilizador que depois pode interagir com esses sons, nomeadamente criando ligações entre eles para criar novas experiências auditivas e construir a sua própria música. O que torna o projeto interessante é o fato do utilizador poder conhecer os diferentes sons e criar as suas ligações de forma direta e interativa.

Outra obra, do mesmo autor, que também serve de exemplo, é um dos seus mais recentes trabalhos “The Moral Deformity of Team Trump” (2017). A obra consiste na sobreposição alternada de um conjunto de imagens, relacionadas com o presidente Donald Trump e a sua equipa. Um dos aspetos que tornam esta obra interativa é o fato do seu utilizador poder alterar um conjunto de características da obra. Como por exemplo, o tempo que cada imagem demora a aparecer e a desaparecer do ecrã. O utilizador, desta forma, interage com a obra de uma forma direta e diferente.

Filipe FC

Referências: