Walt Disney e a sua companhia homónima tem o hábito de inovar na área da animação.

Steamboat Willie (1928) é um desses exemplos, tendo sido o primeiro filme com som sincronizado, ou seja, foi a primeira vez que a ação e o diálogo das personagens estavam sincronizados, ainda que o diálogo fosse maioritariamente sons sem qualquer sentido.

É com Snow White and the Seven Dwarfs (1937) que surge a primeira longa-metragem de animação, um risco tão grande para a companhia que todos o acharam uma loucura – o maior desafio não estava na tecnologia mas sim em manter o público cativo durante tanto tempo. A narrativa e as personagens, assim como a animação em technicolor, fizeram deste filme um clássico intemporal.

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A cara foi pintada com blush para lhe emprestar um pouco de realismo

Semelhante ao que se faz hoje com sensores, é interessante notar que usavam modelos como referência para os desenhos.

Mas Walt continuou a revolucionar a indústria. Antes de 101 Dalmatians (1961), eram precisos 24 desenhos para um segundo de animação, para além dos processos de decalque e de fotografia que criavam a ilusão de movimento. Ora, este método foi abandonado a favor da xerografia, uma técnica criada por Chester Carlson em 1942 – raramente usada em animação e nunca numa longa-metragem. Assim, foi possível animar uma quantidade absurda de dálmatas usando fotocópias, e o resultado era mais limpo – os animadores puderam pela primeira vez ver a sua arte diretamente no filme.

Nos anos 90 a xerografia tinha sida aperfeiçoada, mas um novo processo estava a ser testado, o CAPS (Computer Animation Production System). The Rescuers Down Under (1990) foi o primeiro filme completamente colorido com este sistema. A partir daqui os desenhos dos animadores começaram a ser digitalizados e manipulados num computador (entra aqui a representação numérica e a capacidade enciclopédica). Permitiu uma maior imediacia, e uma remediação interessante já que o meio anterior se relaciona e interage com o novo meio digital.

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Este arco-íris serviu como teste para o CAPS.

Com Beauty and the Beast (1991), o meio digital ganha uma nova reputação. Até então, a animação a computador era usada maioritariamente em cenários, mas aqui surge aliado a um cenário real para criar o salão de baile. Passa de uma máquina fria para algo capaz de criar emoções e de contar histórias.

A câmara rotativa foi outra das inovações deste filme.

A câmara de múltiplos planos, desenvolvida pela Disney, tinha Resultado de imagem para tarzan gifvindo a ser usada desde muito cedo – é modificada no entanto para Tarzan (1999), passando a chamar-se “Deep Canvas”. Este software cria fundos 3D que parecem animação tradicional,  criando um ambiente mais imersivo para as personagens eintegrando-as melhor no fundo digital – algo bastante importante neste filme.

Já a união à Pixar iniciou uma nova era para a Disney – animações que imitam a vida e histórias que fazem as pedras da calçada chorar são a receita do seu enorme sucesso. O trabalho demorado vale a pena – o cabelo de Merida, em Brave, tem um software que demorou três anos a ser criado; para Frozen criou-se um software responsável apenas pelos flocos de neve para que nenhum fosse igual. A inovação aqui está sempre associada a uma nova necessidade que surja na área de contar histórias.

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Esta cena foi um desafio em si, tendo este movimento demorado dois meses a definir

Piper, a mais recente curta da Pixar, é um grande exemplo do que hoje é possível fazer com animação, e também da tecnologia que é necessária a cada história. Quando os criadores tornaram as penas parte integral da personagem, perceberam que não tinham a tecnologia para tal – a existente permitia simular as penas mas sem grande mobilidade (Piper está intermitentemente encharcada e isso não seria visível). A solução foi criar um novo software para construir as penas com 4 a 7 milhões de fibras individuais – manualmente. O resultado é uma história magnificamente contada através de um computador, em que tudo parece mais real do que a realidade.

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Ana Filipe Costa