A obra multimédia que selecionei é intitulada de “The Rolling Skull” ou “The Tale of the Skull”, de Seth Price, apresentada inicialmente como uma “story – telling performance”, em Ocularis, no ano de 2002. Já o vídeo, trata um conjunto de filmagens realizadas pós “9/11” guardadas para eventual uso. “The tale of the Skull” pertence ao Lp Honesty, AVA records. A sua obra corresponde à coexistência dos novos media com a arte, baseando-se em formas de reprodução, na qual o consumidor é receptor, de forma a fragmentar a heterotopia cultural através de um trabalho tecnológico, que permite uma mudança na relação consumidor – produtor.

Price, um artista multifacetado usa a música, o vídeo, a performance, escritos e filmes, remediando-os para a sua arte, pondo em prática temas e questões que lhe parecem relevantes ou com os quais se relaciona.
Obras, inicialmente, individuais (performance + conjunto de filmagens), mais tarde fundidas que, com alguns elementos adicionais resultam em “The Rolling Skull”, onde o artista apresenta um trabalho híbrido, característica desta época, neste caso através da vídeo-performance, na qual o “sujeito” são tanto as filmagens apresentadas como a voz pesada e pausada que as acompanha numa narrativa, um tanto horrífica, um tanto cinematográfica, que pode talvez ser considerada quase como uma alegoria aos conflitos do médio oriente. Um tema que, nos dias de hoje está, dia após dia, a definir o curso de uma história que insiste em repetir-se.

Este vídeo vem apoiar a teoria de Kittler, no sentido em que “o media” é a mensagem, na relação entre a história da tecnologia e o corpo. O despertar das nossas emoções acontece enquanto visualizamos este mini vídeo, que apura e intensifica os nossos sentidos básicos, já que temos que ouvir, ver e interpretar em simultâneo.
A cultura chega até nós e nós chegamos até à cultura, esta é a lógica.
“In much contemporary art and culture, the intensive concept of a “deep” meaning has been replaced by the extensive concept of networks, nodes that link to other nodes in all directions”.

Verónica Alves, Estudos Artísticos, 2º ano