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Atualmente consideram-se quatro modelos que espelham o modo como arte e ciência se relacionam entre si. Essas quatro conceções correspondem a quatro períodos históricos distintos, sendo elas: o modelo antigo (da Antiguidade até ao Renascimento), onde predomina a lógica, igualando-se arte a ciência; o novo modelo (pós-revolução cientifica do séc. XVII até séc. XVIII), centrado na matemática, na lógica e na visualização, havendo já uma diferenciação entre arte e ciência; o modelo moderno (séculos XIX-XX), focado na matemática, na lógica, na visualização e nas experiências conceptuais, e por fim, o modelo pós-moderno (séculos XX-XXI), equivalente ao modelo moderno em todos os seus parâmetros, mas acrescentando-lhe um quinto, a informática, havendo uma clara distinção entre arte e ciência.

Deste modo, ao invés dos modelos iniciais, cuja finalidade representacional consistia numa mimetização do real, o modelo pós-moderno apresenta uma natureza de cariz simulatório e interativo.

Nesse sentido, Rome Reborn 2.1 é o exemplo perfeito para descrever este último paradigma, que joga com a precisão de elementos científicos conjugados com as capacidades da representação digital gerada computacionalmente.rome reborn.png

Neste projeto, o utilizador tem liberdade para explorar virtualmente a Roma Antiga no ano 320 d.C, através da interação que estabelece com a interface, onde se localizam vários modos diferentes de navegação da câmara. Estes tanto podem ser manipulados de forma a abrangerem uma vasta superfície, como é o caso da vista geral obtida com um grande plano de cima, como podem resultar na ampliação de determinada área, permitindo uma movimentação e observação mais concentrada e detalhada desse local.

Além disso, este modelo também apresenta uma configuração que simula o efeito de caminhar no espaço, criando uma imersividade no utilizador.

Em comparação a versões anteriores, Rome Reborn 2.1 revela grandes progressos utilizando o software da City Engine, que permite obter uma iluminação global, com sombreamentos e realces. Graças ao contributo especializado e coerente de arqueólogos romanos, também os próprios edifícios parecem mais realistas, apresentando um maior grau de pormenorização com a implementação de janelas, portas, varandas, etc, dando enchimento à arquitetura em geral. arqueologos.png

O modelo é processado interativamente através da internet através do software Reality Server da Mental Images, o que permite capturar imagens da tela em tempo real.

Em suma, muitos dos processos transversais à cultura e à arte passam pela ciência, pela tecnologia e essencialmente pelo conhecimento e técnicas científicas adaptadas a propósitos artísticos, criando inovações extraordinárias nunca antes vistas ou imaginadas.

Filipa Saraiva

 

Referências:

http://romereborn.frischerconsulting.com/ (visitado a: 16/12/2016)

Imagens retiradas dos vídeos da página mencionada.