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“Acousmatic Park” é uma instalação sonora criada no âmbito do Mestrado em Multimédia da Universidade do Porto para a Digitópia Casa da Música. A obra foi concebida e desenvolvida por Francisca Rocha Gonçalves, com a orientação de José Alberto Gomes e Rui Penha, no intuito de recriar um percurso pela natureza, potencializando a consciência aural e a habilidade de escuta dos espectadores.

A instalação é composta por quatro cômodos, onde há diferentes oportunidades de interação com o som. Num primeiro momento, na sala “Cibermúsica”, os ouvintes são incitados a perceber mais claramente os sons e o processo ocorrido durante sua apreciação. Depois, no “Foyer Renascença”, os participantes são incentivados a praticar uma “escuta casual”, procurando por relações entre os sons e suas fontes para aprofundar suas interpretações.

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“Cibermúsica”

 

Num terceiro momento, na “Sala Laranja”, é possível interagir com o espaço numa exploração tridimensional que reforça o caráter participatório e interativo da instalação. O quarto e último cômodo em “Acousmatic Park”, a “Sala Roxa”, surpreende os ouvintes com paisagens sonoras desafiadoras, que os convidam a participar ativamente da ação de escutar.

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“Sala Roxa”

 

Ao analisar a instalação a partir das cinco características essenciais às formas multimídia definidas por Ken Jordan (integração, interatividade, hipermídia, imersão e narratividade), vários pontos de confluência com sua teoria são percebidos. Na “Sala Laranja”, observa-se de forma mais direta a interatividade dos ouvintes com os sons no espaço tridimensional. Na “Sala Roxa”, vê-se um ambiente claramente imersivo com a criação de uma atmosfera propícia para a focalização da atenção nos sons. A narratividade não linear é resgatada pela possibilidade de várias escutas e percursos singulares de cada ouvinte.

Outro conceito importante nessa análise foi elaborado por Jay David Bolter e Richard Grusin: a remediação máxima presente na instalação é a da própria natureza para o universo digital e urbano, mostrando as potencialidades trazidas pela era digital e como elas podem ser utilizadas para reintegrar o ser humano ao natural.

Por último, “Acousmatic Park” deve ser encarada como uma importante obra de arte multimídia por colocar em destaque a problemática da integração do meio digital à natureza, da reinserção do ser humano no meio ambiente e da constituição do homem urbano em meio ao mundo digital.

 

Referências

Informações sobre “Acousmatic Park” disponíveis em: http://www.casadamusica.com/pt/servico-educativo/agenda/2015/06/9-a-13-junho-acousmatic-park/?lang=pt#tab=0. Acesso em: 15 dez. 2016.

Acousmatic Park”. Disponível em: http://www.acousmaticpark.org/. Acesso em: 15 dez. 2016.

BOLTER, J; GRUSIN, R. Remediation: Understanding New Media. Cambridge MA: MIT Press, 2000.

JORDAN, K. Defining Multimedia. 2002.

 

Luana Gomyde