Segundo Janet Murray, os meios têm uma capacidade participatória muito grande – ora, a capacidade participatória não se limita apenas ao uso direto da tecnologia mas passa também para a cultura e para os hábitos, que variam de cultura para cultura.

Entre Portugal e Brasil já existem algumas diferenças – os brasileiros têm o hábito de deixar mensagens faladas no facebook, enquanto que os portugueses preferem escrever longos textos. Os japoneses ganharam um hábito mais bizarro que persiste desde os primeiros telefones até aos dias de hoje – atendem o telemóvel com um “moshi moshi” em forma de olá. Isto porque se acredita que as raposas, matreiras e com tendêResultado de imagem para moshi moshincia para o engano, não conseguem dizer esta expressão – se a outra pessoa não responder da mesma forma então é uma raposa e não a pessoa com quem se pretendia falar. Duas vezes porque os youkai (demónios e fantasmas) não conseguem dizer moshi moshi, apenas conseguem dizer moshi. Por isso para saber se é alguém de carne e osso e não uma raposa ou um fantasma, moshi moshi.

 


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A situação participatória, ligada à interatividade, está presente na nova adaptação das obras de Van Gogh à realidade virtual. Mesmo sem Oculus Rift é possível entrar dentro das obras e do espaço – e é aqui que a capacidade participatória se une à espacial: o espaço digital torna-se o espaço da arte, muito literalmente. Murray afirma que “we experience everything spatially and we have many genres for representing it, such as painting”, e aqui é claro que o espaço de representação (a pintura) se tornou o espaço em si, que é possível visitar e analisar de vários ângulos como um espaço real. A capacidade enciclopédica revela-se pela quantidade de quadros transformados.

Curiosamente, os quadros de Van Gogh, extremamente hipermediáticos pela presença das pinceladas de tinta não esbatidas e pela forma como o céu, por exemplo, é retratado em espirais em Starry Night, tornam-se imediáticos – a imersão é completa, através de VR e da música utilizada, e o mundo real é esquecido a favor deste mundo de Vincent.

Ana Filipe Costa