Em seu livro “Inventing the Medium – Principles of Interaction Design as a Cultural Practice”, Janet Murray apresenta quatro capacidades do meio digital: processual, participatória, enciclopédica e espacial. Analisar o computador e suas funções nos dias atuais por meio da perspectiva de Murray permite uma melhor compreensão de seus usos e aplicações.

Afirmar que o meio digital possui uma capacidade processual é reiterar a essência básica do computador: uma máquina de processamento e execução de instruções. Para Murray, tal característica é responsável pela criação de um novo paradigma representacional, tão poderoso quanto a linguagem falada e as imagens em movimento. Adjacente a esse aspecto, tem-se a capacidade participatória do computador, que concede aos usuários a manipulação dos elementos digitais e o controle sobre grande parte das decisões em seu trajeto. Juntas, essas capacidades formam a estrutura interativa do meio digital.

Também, o computador constitui-se enquanto grande meio enciclopédico por seu potencial de armazenamento, expandindo magnificamente a antiga tradição humana de preservação e transmissão de conhecimentos para gerações futuras. Além disso, tem-se sua capacidade espacial, que possibilita a inédita criação de espaços virtuais por meio dos quais os usuários podem navegar.

As capacidades do meio digital propostas por Janet Murray elucidam com clareza a complexidade do computador e as possibilidades técnicas e criativas que surgem a partir de sua invenção. Mais do que nunca, os usuários têm a chance de “assumir o controle” e os observadores têm a oportunidade de participar das expressões artísticas.

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Referência

MURRAY, Janet. Inventing the Medium: Principles of Interaction Design as a Cultural Practice. Cambridge MA: MIT Press, 2012.

 

Luana Gomyde

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