A Google lançou recentemente uma significativa atualização do Google Tradutor, que permite aos utilizadores a tradução instantânea do conteúdo de mensagens dentro de outras aplicações, como o Facebook ou WhatsApp. Este sistema facilita exponencialmente a comunicação, visto que deixa de haver o inconveniente do utilizador estar constantemente a mudar de uma aplicação para outra, para conseguir traduzir o texto que pretende.

Janet H. Murray considera que o meio digital apresenta quatro capacidades, também patentes nesta aplicação.

A capacidade processual caraterizada pela programabilidade do meio, que em função a um estímulo permite a ativação de uma série de funções. Neste caso, essa capacidade combinada com a participação do humano cria uma experiência de interação, onde há uma sensação de controlo pelo utilizador. Deste modo obtemos a tradução desejada, graças à capacidade participatória do meio digital.

tradutor

Esta aplicação funciona com 103 línguas, o que revela a sua capacidade enciclopédia. Característica esta que se deve ao facto de integrar um sistema de base de dados que comporta um vasto número de informação, tal como uma biblioteca. Além disso, o legado de outros meios reflete-se através de novas funcionalidades que permitem não só a descodificação de texto, como de imagens, por intermédio da câmara, que auxilia na tradução de uma palavra ou expressão em tempo real e sem necessidade de acesso à Internet.

Por fim, a capacidade espacial da aplicação é visível através do modo nos movimentamos no espaço digital, fazendo um uso seletivo das suas potencialidades, mediante a situação em que nos encontramos. Se estamos a ter uma conversa, optamos pelo tradutor direto dentro do Messenger. Mas se estivermos a viajar e encontrarmos uma placa com indicações usamos a aplicação diretamente da câmara. Assim, a interface do sistema torna-se inteligível para nós, na medida em que existe a ideia de um percurso que corresponde às nossas capacidades cognitivas de experienciar o mundo.

Cada vez mais, no mundo globalizado em que nos inserimos, aplicações como estas quebram barreiras culturais. É certo que existe sempre um grau de falibilidade, visto que nem tudo é traduzível e as línguas não são estanques e sofrem mutações com o passar do tempo. Contudo, os investigadores trabalham continuamente no sentido de alcançarem um sistema que, atualmente, já é significativamente mais coerente e preciso do que versões anteriores.

Filipa Saraiva

 

 

Webgrafia/Bibliografia:

http://www.telegraph.co.uk/technology/2016/05/12/google-translate-now-lets-you-chat-to-anyone-in-a-foreign-langua/ (visitado a: 03/12/2016)

https://www.technologyreview.com/s/602480/googles-new-service-translates-languages-almost-as-well-as-humans-can/ (visitado a: 03/12/2016)

MURRAY, Janet. Inventing the Medium: Principles of Interaction Design as a Cultural Practice, Cambridge, MA: MIT Press, 2012.

Imagem: https://www.palpitedigital.com.br/wp/2014/05/04/empresas-traducao-tecnica-juramentada-tradutores-profissionais/ (visitado a: 05/12/2016)