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Já há algum tempo que o simbólico se vê expandido pela automação. O fenómeno da remediação é uma vontade crescente, tendo-se iniciado na passagem dos símbolos ao código e da linguagem ao software. Atualmente, o consumo da automação já se tornou inevitável nesta Era das novas tecnologias e o consumo da arte não podia estar mais evidente.

Nos séculos XIX e XX, a música beneficiou também deste processo. A transmissão oral, que dominava na reprodução musical, veio dar lugar à reprodução iconográfica (partituras). Com o capitalismo, a intensificação da produção em massa e a aceleração da intensidade de reprodução manual para a reprodução mecânica surge a gravação sonora. E é este acontecimento que marca o início da imediacia da música, ou seja, da transparência / invisibilidade dos seus meios / elementos. Inicia-se, deste modo, aquilo que Dick Higgins define como uma “terceira revolução industrial da era presente da automação”, mas que “ainda é mecanicamente separada, havendo performers, pessoas da produção, uma audiência separada e um guião explícito”.

Hoje, a reprodutibilidade musical é cada vez mais questionável, não só incluindo a autenticidade das obras históricas como contemporâneas. As possibilidades da composição de música eletrónica estão a criar a Era do “Romantismo 2.o”, no qual o aleatório consegue explorar o mundo interior dos sentimentos e emoções sem recurso à palavra (ou à palavra como elemento primário) ou à narração de uma situação. Esta aleatoriedade permite a libertação das convenções e o retorno da sua aura artístico-cultural, aclamando a expansão artística e criativa ligada à concorrência no mercado globalizado, à hegemonia musical nas gravações e à individualização do nome do artista / banda nas suas performances ao vivo.

– Vanessa Gonçalves

Referências Bibliográficas:

ADORNO, Theodor W. Introdução à Sociologia da Música: doze preleções teóricas. Trad. Fernando R. de Moraes Barros. São Paulo: Editora Unesp, 2011.

BENJAMIN, Walter. A obra de arte na época da sua possibilidade de reprodução técnica. In: BENJAMIN, Wagner. A modernidade. Trad. João Barrento. Coimbra: Assírio & Alvim, 2006. 3. ed., pp. 207-241

COOK, Nicholas. Music. A Very Short Introduction. 2. ed. Oxford: Oxford University Press, 2000.

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HIGGINS, Dick. Horizons: The poetics and theory of the intermedia. Carbondale, IL: Southern Illinois University Press, 1984.

MACEDO, Frederico Alberto B., Fonografia e mediação cultural: os agentes de um processo. In: Simpósio de pesquisa em música 2015. 14 vols. Paraná: Universidade Federal do Paraná, 2006. V.10

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