“It is important to note that the logic of transparent immediacy does not necessarily commit the viewer to an utterly naive or magical conviction that the representation is the same thing as what it represents.”.

Bolter e Grusin identificaram dois aspetos da lógica da remediação, lógica essa que define a existência dos novos média e a sua relação com os média anteriores.

A imediacia é a tentativa constante dos novos média de esconderem a sua natureza. A hipermediacia é a celebração dessa mesma natureza. Enquanto que a primeira gera continuamente novas técnicas para mascarar o hard e o software, a segunda pretende torná-los mais evidentes.

Manifestam-se, portanto, de maneiras distintas. A imediacia coloca o real no ecrã, com o intento de fundir o mundo exterior com o digital. Este matrimónio permite ao utilizador reconhecer sistemas, formas e ambientes comuns no meio digital, o que facilita a ilusão. É o caso do projeto “Europe, it’s just next door”, em que o público caía na ilusão através de uma porta que mostrava outro país, ganhando no campo da imediacia pela sua interatividade.

A hipermediacia tem uma certa tendência para criar a partir de elementos vulgarmente associados ao início da computação, como é o caso de um filme reconstruído com linhas de código (que agora já não está tão presente na computação quotidiana como há dez anos atrás). Aliás, não é só com a maquinaria que o uso do primordial se observa. É também na pintura hipermediática que se vê um retorno ao que é o básico e essencial, como é o caso de Leonid Afremov, que pinta com a espátula tornando óbvia a tinta usada e colocando-a no centro da sua obra.

Não é difícil de explicar esta ligação entre a origem reutilizada e a opacidade dos meios. A tendência natural é a da evolução em direção à imediacia, que se vai construindo ao longo do tempo – poucas coisas nascem imediáticas. O grito primordial da tecnologia e de (quase) tudo é sempre hipermediático.

                                                                                                                                           Ana Filipe Costa